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Muse: Ele testou "tiara" que traduz atividade cerebral e aprendeu a meditar

Uma das versões do dispositivo que traduz a atividade do cérebro - Divulgação
Uma das versões do dispositivo que traduz a atividade do cérebro Imagem: Divulgação

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

17/02/2021 04h00

Sentir o momento presente é um dos maiores desafios dos tempos modernos. Ansiedade, irritabilidade, tensão e falta de concentração são alguns dos vários sinais de alerta que o nosso corpo emite quando menos imaginamos. Para lidar com essas sensações, a meditação surge como uma ferramenta comprovadamente eficaz na busca por acalmar a mente e promover relaxamento.

Porém, muitas pessoas têm grande dificuldade - ou pressa - em aprender. O bom, claro, é que a tecnologia surge mais uma vez para dar uma força nessa missão.

A Muse Headband é uma espécie de "tiara" com sensores que monitora e analisa as ondas cerebrais da pessoa. O dispositivo responde em tempo real, enviando sons de acordo com o estado de espírito, para guiar quem o usa a entrar no estado meditativo.

"Eu uso bastante e acho um baita device para quem não entender o caminho da meditação", conta Conrado Schlochauer, doutor em psicologia da aprendizagem e fundador da empresa novi, com foco em educação corporativa. Ele conheceu o Muse em uma demonstração do produto, há cerca de dois anos, quando fazia um curso na Califórnia, Estados Unidos.

"Quando experimentei pela primeira vez, fiquei chocado", lembra. "Eu sempre quis meditar, mas nunca tinha feito". Para o empresário, a compra foi um tanto impulsiva. Ele pagou na época cerca de US$ 200. No entanto, ele se comprometeu a usar a "tiara" com frequência — 20 vezes por algumas semanas— para ver se ela realmente funcionava.

A promessa da empresa responsável pelo dispositivo é que ao utilizá-lo o metabolismo diminui e os batimentos cardíacos desaceleram. Os músculos relaxam, a respiração torna-se mais lenta e a pressão sanguínea baixa.

Conrado comprou a primeira versão do wearable (dispositivo vestível), na época chamado apenas Muse. Ele é de plástico rígido, em um formato parecido com um fone de ouvido grande, mas que você coloca em volta da testa, encaixando atrás das orelhas. Hoje, há uma nova geração do aparelho, chamada Muse 2, e também um novo produto, Muse S, com tira flexível que pode ser usada para dormir e monitorar o sono.

Muse Headband: dispositivo traduz atividade do cérebro e ajuda a meditar - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
"Tiara" tecnológica Muse usa ondas cerebrais para indicar melhor jeito de meditar
Imagem: Arquivo pessoal

Para utilizar, primeiro, é necessário instalar um aplicativo no seu smartphone e conectá-los. Você também vai precisar de fones de ouvido, de preferência sem fios.

O app tem alguns tutoriais e áudios de relaxamento para ajudar você a tirar o melhor proveito do aparelho. "Assim que voltei ao Brasil, fiz as 'aulinhas' e cada vez fui aprendendo mais, fui conseguindo focar mais na concentração. Eu me sentia muito bem depois da meditação, conta Conrado.

Você pode definir o tempo da meditação (a partir de três minutos) e a ambientação: floresta, deserto, praia. Sons da natureza, como ventos, ondas e pássaros, vão criando imagens mentais para guiar o processo.

Muse 2: mulher usando dispositivo que mede ondas cerebrais junto com aplicativo - Divulgação - Divulgação
A recomendação é que a pessoa use o dispositivo com um fone de ouvido
Imagem: Divulgação

"Ele te dá um feedback da onda cerebral. Se você está bem, tem um ventinho gostoso, um barulhinho de água. Se está médio, começa a ventar. Se está mais agitado, vai chover super forte."

Para "acalmá-los", basta focar na respiração. É como se a Muse traduzisse o som da sua mente em tempo real, mostrando o que acontece com seu cérebro durante a meditação.

Conrado utiliza a Muse até hoje, umas seis vezes na semana, até duas vezes por dia, de manhã e/ou à noite. "Comecei com cinco minutinhos, fui para sete. Hoje, 15 é um número bom", explica."Comprei uma almofadinha que me é confortável, vou para um canto, boto o meu fone, sento, fico um tempo ali. É um processo bem legal."

Para ele, o único ponto fraco do aparelho é a dificuldade em começar a identificar as ondas cerebrais. "Às vezes demora um pouco e isso é meio chato."

Fora esse detalhe, o executivo não poupa elogios à Muse, que não só o fez adquirir um hábito saudável, mas o ensinou a meditar na prática.

"Aconteceu de uma maneira não cognitiva. Eu não sei explicar exatamente o que faço, é muito intuitivo, mas eu aprendi a meditar sem ele. Se eu sentar aqui agora, fechar o olho, focar na minha respiração, eu consigo entrar no estado meditativo."

E, apesar desse grande aprendizado e de não necessitar mais de "ajuda", Conrado ainda gosta de utilizar a "tiara" tecnológica. "Eu curto escutar os sons, virou um ritualzinho. Há quem diga que é um placebo, um auto engano. Mas eu honestamente acredito que não. Defendo a tecnologia."

O empresário conta que consegue identificar quando está em um estado mental ruim, e então presta atenção na respiração e medita para sair dele. "Focar em um espaço no meio do meu rosto, foco na respiração, e volto a um lugar bom. Isso com Muse ou não."

A Muse é fabricada no Canadá. Para quem está no Brasil, a única opção é importar de fora, por meio de algum site internacional como o Ebay. Não encontramos opções de compra nos marketplaces nacionais, como Mercado Livre.

Apesar dos benefícios aparentes, o dólar alto é um entrave, pois o produto custa US$ 249 (Muse 2) ou US$ 349 (Muse S de tira flexível). Isso significa, respectivamente, quase R$ 1.380 e R$ 1.937, fora o frete e possíveis taxas de importação e Receita Federal.

A melhor opção, talvez, seja esperar para comprar durante uma viagem — quando a vacina nos permitir.

Nesta seção, Tilt mostra como funcionam produtos que não estão disponibilizados de forma oficial no Brasil e quais usos as pessoas fazem deles lá fora.