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Após polêmica do 5G, Ministro das Comunicações visita Huawei na China

Reprodução/Twitter
Imagem: Reprodução/Twitter

Mirthyani Bezerra

Colaboração para Tilt

12/02/2021 12h23

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, visitou na quinta-feira (11) as instalações do laboratório de segurança cibernética da chinesa Huawei, em Shenzhen, na China, durante visita da "missão 5G", como tem sido chamada a passagem da comitiva composta por membros da pasta a países sedes de fabricantes da tecnologia.

A ida de Faria à China marcou o fim da missão brasileira e acabou gerando polêmica entre os apoiadores do governo Bolsonaro, que nos últimos meses gerou uma crise diplomática com o país asiático.

Além disso, a Huawei é líder global na tecnologia 5G e tem estado no centro da guerra comercial entre EUA e China sobre o novo modelo de conectividade.

O próprio ministro rebateu críticas sobre a sua ida ao país asiático por meio do Twitter. "A viagem do 5G foi para conhecermos, in loco, todas as tecnologias existentes no mundo. O leilão será feito em junho pela Anatel. O TCU fiscaliza e o presidente [Jair] Bolsonaro decide. (...) O 5G é inegociável", escreveu no post.

Antes da China, a comitiva tinha estado no Japão, Finlândia e Suécia —onde visitou empresas como NEC, Ericsson e Nokia, concorrentes da Huawei em infraestrutura para redes 5G. Havia planos de que a visita se estendesse à Coreia do Sul, mas o fato de um dos pilotos da delegação ter testado positivo para covid-19 acabou atrapalhando a ida deles.

Segundo o Ministério das Comunicações (MCom), as visitas tiveram como objetivo "colher as melhores experiências da nova geração de conectividade".

Além das instalações da Huawei, Faria visitou o centro de aplicações práticas de 5G Galileo, com o objetivo de "debater padrões globais e requisitos brasileiros de confiabilidade de redes", como informou também por meio da rede social.

De acordo com o MCom, durante a "missão 5G" a comitiva assistiu a demonstrações sobre o uso da tecnologia e até mesmo do padrão 6G, ainda em fase de testes.

"A nossa ideia é realmente implementar o 5G standalone, que é o 5G de verdade, para que a gente possa acolher toda a tecnologia que pode nos dar para desenvolver o nosso país. O 5G non-standalone é como se fosse um 4G plus. Essa nova ferramenta vai trazer novas empresas, novas tecnologias, novas profissões e vai ajudar muito as empresas a fornecer a internet das coisas", disse o ministro em texto divulgado pela pasta.

China x EUA

Sob a linha do ex-presidente Donald Trump, os EUA iniciaram uma campanha contra o 5G da Huawei no ano passado. À época, o governo norte-americano afirmava que a tecnologia 5G da chinesa era um risco para a segurança dos países. A acusação, sem provas, dizia que a empresa serve aos interesses do Partido Comunista Chinês, que controla o país, e por isso as demais nações estariam sujeitas à espionagem.

Um dos pretextos da acusação dos EUA é uma lei de segurança aprovada em 2017 que dá, em tese, poder ao governo chinês para solicitar dados de companhias privadas, como a Huawei, caso sinta se tratar de um assunto de soberania nacional.

O Brasil fica no meio desse cabo de guerra. Aqui, a rede de equipamentos tecnológicos fornecidos às operadoras de telefonia para que ofereçam conectividade aos seus clientes vem majoritariamente de três empresas, a Ericsson (Suécia), a Nokia (Finlândia) e a Huawei (China). Os EUA querem que o Brasil exclua a Huawei da licitação do 5G.

A China, por sua vez, tem negado as acusações de que usará a empresa para espionar rivais e diz que o discurso dos EUA pretende minar seu desenvolvimento econômico e tecnológico.