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Crianças são rápidas, mas não entendem a internet, diz líder do Google

Alicia Blum-Ross, líder em Políticas Públicas para Crianças e Família no Google - Amanda Quintana-Bowles/Google
Alicia Blum-Ross, líder em Políticas Públicas para Crianças e Família no Google Imagem: Amanda Quintana-Bowles/Google

Lucas Carvalho

De Tilt, em São Paulo

11/02/2021 04h00

A pandemia de covid-19 forçou pais a mudar as regras de uso da internet com seus filhos. Se antes as crianças eram incentivadas a passar o menor tempo possível diante da tela do computador ou do celular, agora o desafio é convencê-las a passar mais tempo online prestando atenção nas aulas a distância.

Essa mudança de paradigma tem deixado pais e crianças confusos e mais expostos aos perigos da internet. É o que mostra uma pesquisa feita pelo Google com na Argentina, Brasil, Colômbia e México. De acordo com o estudo, 81% dos pais optaram por mudar suas regras sobre o uso de eletrônicos em casa por conta da pandemia.

Ainda assim, muitas famílias subestimam os riscos que seus filhos correm passando mais tempo na internet: 61% dos pais se dizem seguros de que seus filhos estão bem informados sobre segurança na internet. Mas para Alicia Blum-Ross, líder em políticas públicas para crianças e família no Google, o assunto ainda gera confusão.

"Pais muitas vezes subestimam a importância que eles têm na hora de ajudar as crianças a entenderem o real significado por trás do que elas estão fazendo [na internet]", diz Alicia, em entrevista exclusiva a Tilt.

As crianças são rápidas para aprender a usar aplicativos, mas não necessariamente entendem o que estão fazendo
Alicia
Blum-Ross

Alicia veio "virtualmente" ao Brasil para participar de um painel online no Dia da Internet Segura, organizado pela ONG Safernet Brasil e pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Ela é também pesquisadora e autora do livro "Parenting For a Digital Future: How Hopes and Fears about Technology Shape Children's Lives" (inédito no Brasil).

De acordo com Alicia, é responsabilidade de empresas de tecnologia como o Google criar ferramentas que ajudem os pais a acompanhar o cotidiano digital dos filhos. "Empresas de tecnologia não têm como saber o que cada criança precisa particularmente, mas podemos criar ferramentas que ajudem os pais de acordo com seus valores particulares."

Segundo a pesquisa do Google, 82% dos pais no Brasil disseram que seus filhos passaram a ficar mais tempo na internet para fins educativos desde o início da pandemia de covid-19. Mas não é só a gigante das buscas que está empenhada em garantir mais proteção para as crianças na web.

Em janeiro, o TikTok reformulou sua política de privacidade para menores de idade —segundo estimativas, crianças formam a maior parte dos participantes da rede social no mundo. Agora o aplicativo mantém contas de crianças e adolescentes entre 13 e 15 anos classificadas como privadas por padrão. Assim, apenas seguidores aprovados podem assistir aos vídeos que eles postarem.

A aposta do TikTok, porém, é dar ferramentas às crianças e adolescentes, e não aos pais. "Queremos que nossos criadores de conteúdo mais jovens sejam capazes de fazer escolhas informadas sobre o que e com quem desejam compartilhar, o que inclui decidir se desejam abrir suas contas para visualizações públicas", disse a empresa em nota enviada a Tilt.

O Instagram também entrou na onda e, nesta terça-feira (9) compartilhou uma edição atualizada do seu Guia de Pais, que aponta as ferramentas que a rede social dispõe para ajudar pais e responsáveis a proteger seus filhos na internet. O documento foi publicado pela primeira vez em 2018, em parceria com a SaferNet.

A atualização do guia destaca recursos como o bloqueio de contas indesejadas, o gerenciamento dos comentários e de quem pode comentar, o gerenciamento do tempo gasto no aplicativo, a definição de quem pode enviar mensagem privada e a postagem de stories para grupos seletos de amigos.

Por parte do Google, Alicia destaca ferramentas como o Family Link, que dá controle aos pais sobre o tipo de conteúdo que os filhos têm acesso em celulares Android e ainda restringe o alcance de anúncios baseados em dados coletados pela gigante das buscas. Privacidade, segundo ela, é mais um ponto em que as empresas de tecnologia devem focar.

"Às vezes coletar dados é útil. Quando você está no Brasil e o Google te traz informações em português, isso é útil, né? Utilizamos dados de localização para fazer isso", diz Alicia. "Mas especialmente no contexto de crianças, precisamos tomar atitudes em toda a indústria para minimizar o volume de dados que coletamos e ter certeza de que esses dados são necessários."