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Sonda árabe chega a Marte e promete imagem mais completa do planeta

Divulgação/Nasa
Imagem: Divulgação/Nasa

Felipe Oliveira*

Colaboração para Tilt

09/02/2021 12h59

Os Emirados Árabes Unidos passam a fazer parte de um seleto (e pequeno) grupo de países que conseguiram enviar uma missão a Marte. A sonda Hope ("Amal", em árabe; "Esperança", em português) chegou ao Planeta Vermelho às 12h43 (horário de Brasília) desta terça-feira (9) e promete trazer uma visão sem precedentes da atmosfera de Marte.

Além dos Emirados Árabes Unidos, apenas EUA, Índia e a antiga União Soviética, além da Agência Espacial Europeia, colocaram com sucesso sondas ao redor de Marte. Para conseguir tal feito, o país do Oriente Médio trabalhou por seis anos para construir a espaçonave.

Com custo estimado em US$ 200 milhões, a missão Emirates Mars, como foi batizada, irá apenas orbitar o planeta e terá como objetivo "estudar a dinâmica da atmosfera marciana em escala global e em escalas de tempo diurnas e sazonais", segundo o site oficial da agência.

Depois da Hope, Marte receberá ainda mais duas sondas nos próximos dias. Seguem-se, nesta quarta (10), a chinesa Tianwen-1 (Astronomia 1) e no dia 18 de fevereiro a norte-americana Perserverance (Perseverança). As três sondas, duas das quais levam rovers (veículos exploratórios), têm missões muito diferentes, mas com um objetivo comum: conhecer melhor o planeta.

A astronomia explica por que tantas naves estão chegando na mesma época ao Planeta Vermelho. As sondas foram lançadas há cerca de sete meses, período em que a distância entre a Terra e Marte era a menor nos próximos dois anos e, agora, o mês de fevereiro é finalmente o momento de colocá-las no local para onde foram programadas.

Fase crítica

Após uma viagem que durou pouco mais de seis meses, a espaçonave dos Emirados Árabes Unidos chegou ao momento mais difícil da missão: a inserção à órbita de Marte. Sarah Al-Amiri, presidente da agência espacial dos Emirados Árabes Unidos e líder científica da missão, afirmou que "a equipe se preparou o melhor que pode para chegar à órbita de Marte".

Quase metade do combustível da Hope será gasto para atingir a velocidade necessária para a inserção. Os propulsores principais da espaçonave serão disparados por cerca de 27 minutos para reduzir a velocidade de cerca de 121 mil km/h para aproximadamente 18 mil km/h. Isso é necessário para que a gravidade do planeta coloque a espaçonave em órbita.

Um erro cometido nessa fase da missão pode impedir a espaçonave de entrar em órbita ou até mesmo causar uma colisão com o planeta, como ocorreu com a missão Mars Climate Orbiter, da Nasa, em 1999.

"Este é um evento altamente praticado, altamente simulado e altamente analisado", disse Pete Withnell, gerente do programa, em entrevista ao site Space News. "Não consigo imaginar estar mais bem preparado do que estamos agora. Temos muita sorte de ter uma espaçonave muito saudável e tudo parece muito bom no momento. Eu estou otimista".

Imagens completas

Para obter imagens mais completas de Marte, a sonda irá se alinhar de maneira diferente das outras seis que já estão no planeta. Até agora, todas as espaçonaves que se encontram ao redor de Marte se alinham com sua rotação de uma forma que só é possível observar uma área da superfície do planeta em uma hora específica do dia.

Já a Hope contornará a linha do Equador daquele planeta, o que permitirá aos cientistas uma imagem completa do planeta a cada nove dias, incluindo cada ponto da superfície a cada hora do dia. "Pela primeira vez, o mundo receberá uma visão holística da atmosfera", afirmou em coletiva de imprensa Sarah Al-Amiri, presidente da agência espacial dos Emirados Árabes Unidos e líder científica da missão.

A nave Hope foi projetada com três instrumentos para estudar a atmosfera de lá: dois vão analisá-la em luz infravermelha e ultravioleta, e um gerador de imagens fará fotos visíveis em cores.

A missão ainda deve verificar os mecanismos por trás do transporte ascendente de energia e partículas e, em consequência disso, compreender como o planeta perdeu parte de sua atmosfera.

* Com informações da Agência Brasil e AFP