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Mianmar sofre cortes de internet após golpe militar e prisão de políticos

Manifestante segura foto de Aung San Suu Kyi em protesto na embaixada de Mianmar em Bangcoc  - Lilian Suwanrumpha/AFP
Manifestante segura foto de Aung San Suu Kyi em protesto na embaixada de Mianmar em Bangcoc Imagem: Lilian Suwanrumpha/AFP

Bruna Souza Cruz

De Tilt*, em São Paulo

01/02/2021 17h20

A internet em Mianmar começou a sofrer cortes após o exército assumir o controle político do país nesta segunda-feira (1º). O país foi declarado em estado de emergência. Membros do governo, o até então presidente WinMyint e Aung San Suu Kyi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, foram presos.

As interrupções na conexão do país começaram por volta das 3h (horário local) da manhã desta segunda, segundo a organização não governamental de direitos digitais NetBlocks, que monitora interrupções e quedas de internet. Calcula-se até o momento cerca de 30 pessoas detidas. Entre elas provavelmente estão ativistas, artistas e escritores, de acordo com a agência de notícias EFE.

Nas primeiras horas da queda, o nível de conectividade no país chegou a 75%. Perto das 8h, os acessos à rede registraram cerca de 50%. De acordo com o levantamento, o corte afetou vários serviços estatais.

"[As] descobertas preliminares [indicam] um mecanismo centralmente ordenado de interrupção visando o celular e alguns serviços de linha fixa, progredindo ao longo do tempo", descreveu a organização no Twitter.

Algumas horas mais tarde, a NetBlocks divulgou que a internet havia sido parcialmente estabelecida, voltando a alcançar o índice de 75%.

A jornalista Aye Min Thant, que já trabalhou na agência de notícias Reuters, publicou alguns relatos em seu perfil no Twitter. "A internet está entrando e saindo. Meu cartão SIM não funciona mais", contou.

"Também descobri que fui desconectada do Signal, Telegram etc. durante a noite. Não consigo fazer login novamente porque não consigo obter um código de verificação devido ao desligamento do serviço de celular", acrescentou.

Um levantamento recente mostrou que ao longo de 2020 houve 93 grandes apagões de internet distribuídos em 21 países (e Mianmar é um deles). O fator agravante é que a suspensão no serviço foi adotada pelos próprios governos. Ao todo, segundo a empresa de segurança digital Top10VPN, responsável pelo estudo, foram 27.165 horas sem conexão e 268 milhões de pessoas afetadas pelo mundo.

As medidas restritivas representaram uma alta de 49% em comparação a 2019. Os bloqueios na internet fazem parte de estratégias de governos autoritários para limitar o fluxo de informação no país e reprimir a liberdade da população. A vasta maioria das interrupções aconteceu em resposta a protestos ou a momentos de agitação civil, como épocas de eleições.

Controle de Mianmar

O vice-presidente de Mianmar, Myint Swe, assumiu a presidência interina. Ele deu todos os poderes ao chefe das Forças Armadas, Min Aung Hlaing, de acordo com a "Myawaddy News", emissora controlada pelos militares.

A justificativa do golpe é a acusação de que as eleições realizadas no país em novembro de 2020 foram fraudadas. O argumento é de que a Comissão Eleitoral foi "incapaz de resolver o problema".

* Com reportagem de Marcella Duarte