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Dupla de djs Tropkillaz rebola em 1º clipe brasileiro que usa deepfake

Zegon (esq) e Laudz (dir.) formam o Tropkillaz; novo clipe "Oooh (I Like It)!" usa deepfake  - Reprodução
Zegon (esq) e Laudz (dir.) formam o Tropkillaz; novo clipe "Oooh (I Like It)!" usa deepfake Imagem: Reprodução

Guilherme Tagiaroli

De Tilt, em São Paulo

23/01/2021 12h55

Os deepfakes são vídeos em que se usa inteligência artificial para colocar o rosto de alguém em determinada cena. Já ouvimos falar de aplicações disso no humor e até em vídeos pornô.

Agora, temos o primeiro videoclipe musical brasileiro que faz uso da técnica. No caso, trata-se de "Oooh (I Like It)!", do Tropkillaz, dupla formada pelos djs e produtores André Laudz (Laudz) e Zé Gonzales (Zegon).

Lançado nesta sexta-feira (22), o videoclipe mostra a dupla em situações inusitadas. Na maioria das vezes, seus rostos foram incluídos em apresentações do Soul Train (programa de TV dos EUA da década de 1970, que contava com apresentações de grupos de música negra) e em vídeos de dança e ginástica antigos.

O curioso é que a música do Tropkillaz usa um sample (um trecho) da música "I like it", do grupo norte-americano DeBarge, que fez sucesso na década de 1980, o que, de alguma forma, dialoga com o visual e a temática do videoclipe.

"Oooh (I Like It)!" foi dirigido por Marco Loschiavo, e a parte de deep fake foi criada pelo programador Leandro "Na Pratica" e o diretor de arte Fernando 3D - que, inclusive, trabalha com Bruno Sartori, famoso pelos seus deepfakes do presidente Jair Bolsonaro.

Em comunicado, os idealizadores ressaltam que o videoclipe foi todo feito remotamente, cada um em seu escritório, e que foi um desafio colocar o rosto de Laudz e Zegon nas diferentes cenas. "Precisamos montar um software de automação que treina e aplica em massa os rotos dos cantores nesses vídeos antigos. Sem isso, seria impossível concluir o clipe em prazo aceitável", afirmou Leandro "Na Pratica".

De forma resumida, a criação de um vídeo de deepfake exige a coleta de centenas de fotos e vídeos do rosto de uma pessoa para treinar uma inteligência artificial. Após esta fase de "aprendizado", um sistema tenta adaptar esta face a um vídeo já existente.

Ainda que este videoclipe musical do Tropkillaz seja o primeiro que se tem notícia aqui no Brasil, lá fora há alguns outros exemplos.

O produtor norte-americano Diplo, que já trabalhou com o Tropkillaz, também já apareceu em um videoclipe que usava deepfake. Em "Nice to meet ya", o rosto dele e do cantor irlandês Niall Horan aparecem no corpo de um homem dançando.

O uso não fica só restrito à música eletrônica. A banda de rock The Strokes também usou deepfake no videoclipe "Bad Decisions". O interessante é que no caso deles a técnica tinha como objetivo rejuvenescer os membros do grupo. Então, foram usadas imagens antigas deles para parecer que eles tinham 20 e poucos anos, quando na verdade os membros já estão na casa dos 40 anos de idade.

Deepfake para o mal

Apesar do uso bem-humorado ou de cunho artístico dos vídeos mencionados acima, a técnica de deepfake já foi usada para difamar pessoas.

Uma das formas mais comuns é incluir a imagem de alguém em uma cena de filme pornográfico. No Reino Unido, por exemplo, a poetisa Helen Mort foi alvo de vídeos falsos criados a partir de imagens contidas em suas redes sociais. Nem celebridades fogem a isso. Em 2017, por exemplo, descobriram vídeos de deepfake criados a partir de imagens da atriz Gal Gadot.

O uso dos deepfakes para o mal chamou tanto a atenção de grandes plataformas que no ano passado o Facebook, por exemplo, anunciou que removeria vídeos do tipo antes das eleições presidenciais nos EUA. Na época, especialistas estavam preocupados que a técnica fosse usada para espalhar desinformação política.