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Alerta de impacto! Como seria se um grande asteroide acertasse a Lua?

Estúdio Rebimboca/UOL
Imagem: Estúdio Rebimboca/UOL

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt

19/01/2021 04h00

Se você já teve a oportunidade de olhar em direção à Lua cheia com um telescópio, certamente notou que o nosso satélite é crivado de crateras. Não, não é "acne espacial", mas sim marcas de impactos de asteroides das mais diversas proporções. Mas como seria se um objeto de grandes proporções (e uma ótima mira) acabasse colidindo por lá?

Nenhuma dessas colisões, ao menos até onde sabemos, afetou a Lua de forma mais drástica. Isso porque o tamanho do satélite, diminuto em termos astronômicos, torna uma ocorrência do tipo muito rara. O que não nos impede de imaginar um pouco.

Questão de tamanho

Para que, de fato, a colisão com um asteroide pudesse causar impactos notáveis na Lua, esse corpo teria que ter em torno de 3.400 km de diâmetro. Ou seja: ter um tamanho próximo ao do satélite.

Em uma situação hipotética onde isso ocorresse, bem, as coisas ficariam complicadas. Primeiro: a lua seria despedaçada, mesmo que a sua crosta —de 40 a 70 km de espessura— seja mais grossa do que a da Terra.

Esses pedaços, por sua vez, seriam atraídos pela gravidade da Terra e poderiam, em algum momento, cair por aqui. E, acredite: esse seria apenas o primeiro de vários problemas que nós, na Terra, enfrentaríamos.

Bagunça geral

Além de uma possível chuva de pedras de variadas proporções —algumas até com potencial para causar eventos de extinção—, a ausência da Lua trariam efeitos nada agradáveis para o nosso planeta.

Nós já falamos um pouco sobre isso, mas não custa lembrar. Sem Lua, não temos a sua influência gravitacional sobre a Terra e, por tabela, adeus marés.

Isso teria como resultado o enfraquecimento das correntes oceânicas e depois um acúmulo maior de água na região dos polos terrestres.

Outro ponto no qual a Lua influencia o comportamento da Terra envolve o eixo de rotação do nosso planeta. A Terra rotaciona em um plano inclinado em relação ao da sua órbita ao redor do Sol (23,5 graus, para ser mais exato). E quem mantém isso funcionando é a Lua.

Em um cenário sem o satélite, essa inclinação iria variar no decorrer do tempo, deixando o clima no planeta mais instável. Em longo prazo, estima-se que a Terra deixaria de ficar inclinada, o que nos levaria a ter dias extremamente longos e variações climáticas ainda mais extremas.

Sem proteção natural

As diversas marcas de impactos na superfície da Lua são, na verdade, um registro histórico. Por não ter uma atmosfera, não há o processo de erosão promovido pelo vento como na Terra. Como resultado, todos os impactos e marcas provocadas na superfície do nosso satélite acabam sendo permanentes —a não ser, claro, que outro objeto caia no local ou, ainda, algo ou alguém mexa no local.

Essa falta de atmosfera também faz com que qualquer impacto ocorra de maneira direta, independentemente do tamanho do objeto a cair na Lua. Na Terra, por exemplo, o atrito com a atmosfera faz com que asteroides, lixo espacial e qualquer outro tipo de objeto entre em um processo de incineração —e, muitas vezes, queimem antes de chegar ao solo.

Nascida de um impacto

A própria Lua nasceu de um impacto, segundo as teorias mais recentes. Isso teria ocorrido entre 50 e 100 milhões de anos após a formação dos planetas, quando a Terra era uma bola de magma —provavelmente ainda incandescente— e sofreu uma colisão com um planetoide chamado Theia.

Theia, no caso, não seria um asteroide, mas um corpo de tamanho similar ao de Marte, com cerca de metade do diâmetro da Terra e 10% da sua massa. A pancada foi tão forte que os dois corpos se fragmentaram parcialmente, dando origem à Terra como conhecemos hoje e à Lua.

Fonte:
Roberto D. Dias da Costa, professor do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP)