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Terra foi visitada por alienígenas em 2017, afirma professor de Harvard

O astrônomo Avi Loeb - Divulgação/Harvard
O astrônomo Avi Loeb Imagem: Divulgação/Harvard

Colaboração para Tilt, em São Paulo

18/01/2021 16h04

O objeto misterioso que passou pelo Sistema Solar em 2017, chamado pelos cientistas de Oumuamua, pode ter sido uma evidência de vida alienígena fora da Terra, garante um professor da Universidade de Harvard.

Avi Loeb, professor Harvard, acredita que o dispositivo em formato de charuto pode na verdade ser lixo espacial lançado por extraterrestres no nosso sistema solar.

A maioria dos cientistas acredita que o Oumuamua foi um asteroide ou um cometa vindo de outro sistema estelar distante.

Mas em uma entrevista para a Salon, o astrônomo de 59 anos reforçou sua opinião, dizendo que o objeto pode ter sido uma astronave.

"No começo os astrônomos assumiram que era um cometa, porque esses são os objetos menos influenciados por estrelas, disse ele à Salon. "O problema é que não havia cauda cometária."

Loeb escreveu até um livro sobre o assunto: Extraterrestrial: The First Sign of Intelligent Life Beyond Earth (em tradução livre "Extraterrestre: Os Primeiros Sinais de uma Vida Inteligente Longe da Terra"), que será publicado neste mês.

Na entrevista à Salon, ele explicou a razão pela qual o Oumuamua pode ter sido uma prova que existe vida fora da Terra.

Segundo Loeb, havia uma força adicional empurrando o objeto, que ele chamou de "impulso excessivo", parecido com o funcionamento das nossas próprias tecnologias espaciais.

"Algumas pessoas dizem: 'OK, não é um cometa, talvez seja apenas uma pedra'. O problema é que seis meses depois descobrimos que havia uma força excessiva somada à força da gravidade agindo sobre ele", disse, Loeb.

"Geralmente essa força vem do efeito de propulsão que uma cauda cometária tem, mas não havia cauda. Então a pergunta é: o que produziu esse impulso extra?", pergunta.

Loeb destacou que outro objeto espacial descoberto ano passado exibiu um "impulso extra" similar.

Chamado de 2020-SO, o objeto descoberto era apenas um propulsor de foguetes usado por uma missão lunar que deu errado, a Surveyor II, lançada em 1966.

Loeb diz que, por conta da 2020-SO ser artificial e não ter cauda cometária, ela "fornece evidências" de que podemos diferenciar uma pedra interestelar de um objeto artificial que é empurrado pela luz do Sol.

"Para mim, isto demonstra que "Oumuamua pode ter sido artificial, definitivamente não criado por nós, já que só permaneceu poucos meses perto da gente. Nós não conseguiríamos perseguí-lo nem com nossos melhores foguetes", disse ele à Salon.

Loeb ainda acrescentou que ele estava "no espectro mais brilhante de objetos que podemos observar no sistema solar".

Detectado em 2017, o Oumuamua foi o primeiro objeto interestelar a ser registrado dentro do nosso sistema solar, e dada sua trajetória, alguns astrônomos notaram que ele não estava preso à força gravitacional do Sol.

Embora nenhuma foto clara tenha sido tirada do Oumuamua, observatórios astronômicos coletaram informações sobre o objeto, e os dados contradiziam as explicações de que seria um simples cometa.

"O que aconteceria se um homem das cavernas visse um celular? Loeb pergunta em seu livro. "Ele que sempre vê rochas por toda parte, acharia que aquilo também era uma rocha brilhante".

Ele diz que astrônomos começaram a olhar para as dimensões do objeto, e para o fato de que ele refletia a luz solar com a mesma intensidade a cada oito horas, sugerindo que era o tempo necessário para completar sua rotação.

Loeb diz que nenhum objeto espacial conhecido se assemelha a isso.

Entretanto, a visão de que a vida fora da Terra existe ainda é vista como tabu na comunidade científica.

"Algumas pessoas não querem discutir a possibilidade que exista outras civilizações lá fora", completou Loeb.

Encontro será chocante

Avi Loeb já havia projetado um encontro chocante entre a humanidade e os extraterrestres, que entrará para história como um dos momentos mais marcantes.

Em uma entrevista concedida ao jornal alemão Der Spigel em 2019, Loeb disse: "Será chocante, porque nós temos vieses de nossas próprias experiências, imaginamos que outros seres são similares a nós. Mas talvez eles sejam radicalmente diferentes."

Ele ainda argumentou que pensar em civilizações distantes não é especulação. Para sustentar sua lógica, o astrofísico citou o que ele chama de "princípio da modéstia cósmica".

"Sabemos que existimos, então pelo menos um tipo de vida desenvolveu tecnologias avançadas. E sabemos que há condições semelhantes às da Terra em um quarto de todos os sistemas planetários em torno de outras estrelas. Por que, então, não haveria seres inteligentes em outros lugares? Nós, humanos, costumamos pensar que somos especiais, mas a história mostrou repetidas vezes que isso é uma ilusão", afirmou.

O cientista recordou da crença que a Terra era o centro do Universo, desbancada com a descoberta de que ela girava em torno do Sol, "que gira em torno do centro da nossa galáxia, que é apenas uma em bilhões de outras no Universo".

"Se há outros seres inteligentes por aí, há uma chance de eles serem muito mais avançados tecnologicamente do que nós", disse Loeb.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, Avi Loeb é professor de Harvard e não presidente do setor de Astronomia da universidade. O texto foi corrigido.