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Rival do WhatsApp, Signal volta a funcionar após 24 horas instável

BigTunaOnline/Shutterstock
Imagem: BigTunaOnline/Shutterstock

Lucas Carvalho

De Tilt, em São Paulo

17/01/2021 12h31

Signal, o app de mensagens criptografadas que virou febre após uma onda de críticas à nova política de privacidade do WhatsApp, voltou a funcionar normalmente na noite do último sábado (16) após ficar instável por mais de 24 horas.

Em nota enviada a Tilt, o diretor executivo de operações Aruna Harder confirmou que a instabilidade se deu por conta do número excessivo de novos usuários. "Aprendemos muito desde ontem - e fizemos isso juntos", tuitou o app. "Obrigado aos milhões de novos usuários do Signal em todo o mundo por sua paciência."

Segundo Harder, a equipe do Signal vinha "adicionado novos servidores e capacidade extra em um ritmo recorde" para lidar com a enxurrada de novos usuários, mas o fluxo de downloads na sexta-feira (15) superou "as projeções mais otimistas". O app é recomendado por nomes influentes da tecnologia como Elon Musk, Edward Snowden e Brian Acton, um dos criadores do WhatsApp.

Em outro tuíte, o Signal deu um exemplo do crescimento repentino: em apenas um dia —no caso, a terça-feira (12)— o número total de downloads do app na Play Store foi de mais 100 milhões para mais de 500 milhões.

Durante o período de instabilidade, usuários não conseguiam enviar mensagens. Alguns recebiam alertas de erro dizendo "mensagem mal criptografada", o que levou muita gente a suspeitar que a segurança do app, que é seu principal chamariz, teria sido comprometida.

Os responsáveis pelo Signal garantem que a criptografia de ponta a ponta do mensageiro não foi afetada, e que aquele é um alerta de erro padrão para informar que algumas mensagens enviadas ou recebidas podem ter se perdido no meio do caminho durante a instabilidade dos servidores.

Novela com WhatsApp

O sucesso que levou o app ao topo da lista dos mais baixados do momento na App Store, loja de aplicativos do iOS, e no Google Play, do Android, foi o anúncio de que a política de privacidade do WhatsApp vai mudar, aparentemente facilitando o compartilhamento de dados entre a plataforma e o Facebook.

A mudança em questão afeta a maneira como empresas que usam o WhatsApp Business, versão corporativa do app, poderão gerenciar informações de clientes através do Facebook —o gigante azul é dono do mensageiro desde 2014.

Algumas empresas podem compartilhar dados de clientes do WhatsApp com suas contas corporativas no Facebook. Entre as informações coletadas estão nomes, números de telefone, aparelho utilizado, dados de transações e pagamentos e outras informações anônimas. O conteúdo das conversas, mensagens, fotos, vídeos e áudios não são compartilhados pois são criptografados de ponta a ponta —e isso continuará protegido e com acesso restrito a cada pessoa com perfil no app.

Esse compartilhamento já existe há cerca de quatro anos, mas, a princípio, as pessoas poderiam optar por fornecer esses dados às empresas que quisessem usá-los no Facebook ou não. O WhatsApp removeu essa garantia dos termos de uso. Agora, se você falar com uma empresa que compartilha esses dados, eles poderão ser compartilhados automaticamente. O público não tem mais poder de decisão sobre isso.

Cada pessoa será notificada dentro da própria conversa se a empresa com quem ela está falando optou por usar o Facebook para gerenciar e armazenar suas mensagens de WhatsApp. A plataforma argumenta que, se você não quiser que uma empresa compartilhe seus dados com o Facebook, basta não interagir com ela. Também diz que os usuários ainda podem bloquear facilmente uma empresa no WhatsApp se quiserem.

A repercussão negativa e a explosão de popularidade nos rivais Telegram e, principalmente, Signal, forçaram o WhatsApp a adiar o prazo para que usuários possam rever a política de privacidade, que antes entraria em vigor em 8 de fevereiro. Agora, os novos termos passam a vigorar em 15 de maio. A empresa quer usar o prazo extra para convencer usuários de que suas mensagens continuam protegidas mesmo com a integração com o Facebook.