Topo

Nasa desiste de sonda toupeira em Marte após solo ficar duro demais

Desde o ano passado, a sonda mole tem tentado escavar a superfície do planeta para medir sua temperatura interna. No entanto, uma tendência inesperada da areia não dava fricção o suficiente para a operação - NASA/JPL-Caltech
Desde o ano passado, a sonda mole tem tentado escavar a superfície do planeta para medir sua temperatura interna. No entanto, uma tendência inesperada da areia não dava fricção o suficiente para a operação Imagem: NASA/JPL-Caltech

Marcos Bonfim

Colaboração para Tilt

15/01/2021 15h56

Sem tempo, irmão

  • Sonda tinha que fazer escavação no planeta para medir temperatura interna
  • Lançado em 28 fevereiro de 2019, equipamento não conseguiu vencer as condições de solo marciano
  • A missão InSight continua ativa e busca obter informações sobre abalos sísmicos e o núcleo rico em ferro no planeta

A Nasa anunciou o fim da sonda de calor construída pelo DLR (Centro Aeroespacial Alemão) e implantada em Marte na missão InSight. Apelidada de Mole (toupeira, em inglês), o instrumento tinha o objetivo de escavar o planeta vermelho, chegando a uma profundidade de até cinco metros, e medir a temperatura interna, contribuindo com informações sobre a evolução e a geologia de Marte.

Lançada em 28 fevereiro de 2019, a Mole não conseguiu avançar. Encontrou uma inesperada resistência no solo marciano, que tende a ficar mais denso. Isso impediu a geração do atrito necessário para a sonda golpear a área a uma profundidade adequada.

A última tentativa foi no sábado (9), quando o time da missão usou uma espécie de concha no braço robótico da InSight para raspar o solo na sonda e restringi-lo, com o objetivo de proporcionar maior fricção. Após a Mole ter realizado 500 golpes sem nenhum progresso, a equipe encerrou os trabalhos e decretou o fim da operação.

"Demos tudo o que tínhamos, mas Marte e nossa toupeira heroica continuam incompatíveis", afirmou Tilman Spohn, do DLR. "Felizmente, aprendemos muita coisa que beneficiará futuras missões que tentarão cavar no subsolo".

Aprendizados

Esse tipo de exploração foi a primeira do gênero, se propondo a escavar a superfície do planeta vermelho. Ao entender esses ambientes, os astronautas, no futuro, terão melhores conhecimentos sobre como cavar o solo para retirar água em forma de gelo; e os cientistas terão a capacidade de compreender o potencial para a vida microbiana.

Apesar de não conseguir alcançar os objetivos finais, a experiência Mole —criada do zero e a partir de imagens feitas do solo gerado por missões anteriores— oferece grandes aprendizados, de acordo com a Nasa. Além de aprender sobre o solo neste local, os engenheiros ganharam uma grande experiência operando o braço robótico a milhões de quilômetros de distância.

A missão continua

Apesar do fim da "Mole", a missão continua desbravando o território com os seus outros instrumentos. O Seis (Experiência Sísmica para Estrutura Interna, em tradução livre) está medindo abalos sísmicos e outros eventos; e o instrumento Rise (Experiência de Rotação e Estrutura Interna) trabalha para descobrir o tamanho do núcleo rico em ferro no planeta. A estação meteorológica do módulo terrestre também está em operação.

A sonda InSight foi lançada há pouco mais de três anos, em maio de 2018, e pousou em Marte em 26 de novembro de 2018. A missão, segundo as últimas informações da Nasa, deve ser mantida até dezembro de 2022.