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Sua carteira vai para o museu porque será trocada por sua impressão digital

Marcel Lisboa/UOL
Imagem: Marcel Lisboa/UOL

Thiago Varella

Colaboração para Tilt

11/01/2021 04h00

Cada vez mais, a carteira está se tornando peça de museu. Em pouquíssimo tempo, não andaremos mais com nossos documentos, cartões e dinheiro no bolso; praticamente tudo isso já pode ser substituído pelo celular. Mas e se não precisarmos nem mesmo do telefone? E se bastar um simples toque de um dedo para pagar uma compra ou dar nossas informações ao guarda de trânsito? Isso também vai ser possível em pouco tempo.

Pesquisadores da Universidade de Perdue, nos Estados Unidos, já desenvolveram um protótipo que, basicamente, transforma o nosso próprio corpo no link entre seu cartão de crédito e o leitor. Ao tocar na superfície da maquininha, você paga a compra simplesmente porque seu dedo é capaz de transmitir informação. Para que isso aconteça, basta usar o protótipo no pulso, como um relógio.

Pagamento é apenas uma das inúmeras possibilidades de uso dessa tecnologia. Com o corpo servindo para enviar informação, é possível mandar uma foto com o toque de um dedo. É como se nosso corpo fosse uma "internet" para onde diferentes aparelhos como celulares ou até mesmo bombas de insulina podem enviar informações.

Corpo transmissor de dados

Quem já levou um choque sabe bem que nosso corpo é capaz de conduzir eletricidade. Da mesma maneira, somos capazes de transmitir dados.

"Assim como um fio, o corpo humano, a pele e as nossas mãos permitem a condução de eletricidade, que se for adequadamente modulada, permite que se transmitam dados através desta corrente elétrica", explica Fernando Santos Osório, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP (Universidade de São Paulo).

Nós, leigos, podemos não estar por dentro, mas segundo Osório, o uso do corpo humano para transmitir informações por meio de pulsos elétricos não é novidade. Já existem estudos e publicações sobre o assunto há cerca de dez anos.

De fato, já existem carros no mercado que abrem a porta quando o motorista encosta as mãos na maçaneta enquanto as chaves do veículo estão no bolso. Mas usar esse tipo de tecnologia para pagamentos e tornar seus documentos obsoletos é a próxima etapa.

Como fica a segurança

Os pesquisadores de Perdue afirmam que a tecnologia usada no protótipo é muito segura. Mais até do que outros gadgets que usam outras transmissões de dados sem fio como RFID (Identificação por Radiofrequência, em inglês), NFC (Comunicação por Campo de Proximidade) ou mesmo Bluetooth.

Isso acontece porque, da maneira como foi feito, o protótipo mantém os sinais confinados dentro do corpo, acoplando-os em uma "faixa eletro-quasistática", que é muito mais baixa no espectro eletromagnético do que a comunicação Bluetooth, por exemplo.

Para que haja transferência de dados, é necessário tocar no sensor com a mão. Para o professor Osório, o problema desse tipo de tecnologia seria o roubo do protótipo —ou seja, do gadget que fica no pulso da pessoa.

"Este aparelho, se roubado, é como um cartão com chip. É claro que a necessidade de se tocar o sensor, de certa forma, reduz bastante a chance de roubo de dados, como aconteceu com os chips no lugar da tarja magnética dos cartões, que era muito mais facilmente clonada", disse.

Mesmo assim, Osório afirma que a combinação de biometria e transmissão de dados é uma grande ideia para ser explorada, já que, se alguém roubar o aparelho que fica no pulso, teoricamente não vai conseguir fazer nenhuma transação, já que é necessário também o corpo da pessoa.

"Eu sou eu, e eu estou repassando os dados. Se alguém roubar o meu dispositivo, não poderá fazer transações porque não sou eu. Seria necessário o bracelete que transmite os dados e a autenticação de que sou eu verdadeiramente dando a autorização", explicou.

Para Leonardo Rebitte, executivo-chefe da empresa Combate a Fraude, especializada em soluções antifraude, o uso do corpo para transferência de informação deve revolucionar a segurança.

"Não tem muito o que fazer. Não dá para, exagerando um pouco, cortar o dedo da pessoa ou a mão. O corpo precisa estar vivo para funcionar", disse.

"O aparelho da Universidade de Perdue consegue guardar dentro da pulseira toda a informação necessária. Está tudo encapsulado ali. É muito seguro", completou.