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Sem tempo, irmão? Saiba como funcionam os carregadores rápidos de celular

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt

17/12/2020 04h00

Quem aqui nunca ficou em desespero ao ver que, na metade do dia, o seu celular estava prestes a ficar sem bateria? Nestes casos, ter um carregador à mão é fundamental. Melhor ainda se for daqueles modelos que carregam o celular rapidamente e que, felizmente, são cada vez mais comuns. Mas você sabe o que faz um carregador do tipo ser muito mais rápido do que um modelo convencional?

Um carregador rápido entrega uma grande quantidade de carga elétrica para a bateria em pouco tempo. De forma simples, isso ocorre com aparelhos com maior potência —medida em watts— que entregam mais energia à bateria em um determinado intervalo de tempo.

Carregadores mais antigos e convencionais, que usavam a especificação básica do USB, têm potência de 2,5 W, trabalham com tensão de 5 volts e mandam uma corrente de apenas 0,5 ampère para a bateria. Carregadores rápidos trabalham com potências bem maiores. Isso varia entre fabricantes, com a Apple usando carregadores de 20 W, a Samsung com modelos de 25 W e marcas como a Huawei indo além, com 40 W.

Por tabela, a tensão e a corrente de trabalho desses modelos é maior. Mas não adianta um carregador ter uma potência maior e fornecer mais energia para a bateria se o celular não tiver controladores capazes de gerenciar essa entrega.

Esse controlador se chama BMS (sistema de gerenciamento de bateria, na sigla em inglês) e controla os processos de carga e descarga do telefone. O intuito, aqui, é evitar sobrecargas que possam danificar os componentes envolvidos.

Por fim, o quão rápido uma bateria será carregada também depende do padrão utilizado pelo aparelho. Alguns famosos são o USB Power Delivery —que suporta até 100 W— e o Qualcomm Quick Charge, que em suas últimas versões é compatível com a tecnologia USB Power Delivery e suporta até 27 W de potência.

Carregadores rápidos podem danificar o celular?

Depende. O que geralmente abrevia a vida de uma bateria de celular é a alta temperatura. Carregadores feitos de acordo com as especificações dos fabricantes funcionam para evitar que o processo gere excesso de calor.

Outro "truque" usado pelos aparelhos rápidos é dividir o carregamento em duas fases: até chegar próximo ou um pouco além da metade da bateria, a corrente de recarga é maior.

A partir desse ponto, no entanto, o carregador precisaria aplicar uma tensão alta na bateria para manter a elevada corrente, o que pode estressar e potencialmente danificar a bateria. Por isso a tensão e corrente são reduzidas na segunda fase, e o tempo gasto do meio para o fim do carregamento é maior.

O que se deve evitar quando se usa um carregador rápido?

Não há nenhuma recomendação específica para o uso de carregadores rápidos que não se apliquem a carregadores comuns. Ou seja, o que vale para um, vale para o outro.

Aqui é importante ressaltar que deve-se evitar ao máximo usar acessórios de procedência duvidosa —especialmente no caso dos carregadores rápidos, por trabalharem com mais energia— já que eles podem sobrecarregar o aparelho e causar acidentes. E também o ideal é evitar usar o celular enquanto ele carrega, já que o processo de carregamento em paralelo com o uso pode fazer com que ele esquente demais.

Fontes:

Carlos Fernando Teodósio, coordenador do curso de Engenharia Eletrônica e de Computação da Politécnica/UFRJ;
Walter Pereira, professor do departamento de Engenharia Elétrica da FEI;
Fábio Raia, professor de Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica da Universidade Presbiteriana Mackenzie

Toda quinta, Tilt mostra que há tecnologia por trás de (quase) tudo que nos rodeia. Tem dúvida de algum objeto? Mande para a gente que vamos investigar.