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Criminosos podem comprar dados de RG por R$ 2,60 em fóruns da internet

z_wei/iStock
Imagem: z_wei/iStock

Felipe Oliveira

Colaboração para Tilt

05/12/2020 14h48

Você sabe o preço que um criminoso paga para obter seu CPF, RG ou até mesmo dados de passaporte? Levantamento realizado pela empresa de segurança Kaspersky aponta que é possível comprar dados de RGs por apenas US$ 0,50 (R$ 2,58, na cotação atual) em fóruns clandestinos no mercado internacional.

Os dados foram publicados pela Kaspersky no relatório "Doxing, roubo, revelação. Onde seus dados pessoais vão parar?" e resultam de uma investigação realizada em dez fóruns e mercados clandestinos online. As informações são bem atuais e revelam detalhes do mercado de dados roubados do terceiro trimestre de 2020.

Agora, se o criminoso estiver disposto a investir um pouco mais, com US$ 6 (R$ 30,86) ele consegue ter acesso a passaportes escaneados e até mesmo a detalhes de cartão de crédito. O "cardápio" dos golpistas traz ainda a possibilidade de adquirir até mesmo selfies feitas com os documentos ou prontuários médicos.

Anúncio para venda de dados - Kaspersky/Divulgação - Kaspersky/Divulgação
Anúncio para venda de dados
Imagem: Kaspersky/Divulgação

Mas o "produto" mais caro vendido nesses fóruns é o acesso não autorizado a emails ou contas de redes sociais, que chegam a custar R$ 4.100. Isso porque o aumento de segurança nesses serviços dificultou a prática para os cibercriminosos.

Riscos para os usuários

Tomar cuidado com o tipo de informação que coloca na internet é fundamental para se proteger. De acordo com levantamento da Kaspersky, mais de 30% dos brasileiros se consideram comuns demais para serem hackeados. Contudo, os interesses dos criminosos nos dados são diversos e não ficam restritos a pessoas famosas.

Além de poderem comercializar os dados obtidos de maneira ilegal, os golpistas podem praticar o chamado "doxing", que é quando as informações são utilizadas para constranger, agredir ou até mesmo colocar uma vítima em perigo.

"Algumas pessoas têm maior probabilidade de serem vítimas, como jornalistas, influenciadores digitais, ativistas, advogados, profissionais da indústria do sexo e policiais. Para as mulheres, pode representar ainda ameaças e abusos verbais. Para os policiais, também significa perigo direto para sua segurança física. O doxing pode levar as pessoas a abandonar os seus empregos", diz Fabio Assolini, analista de segurança sênior da Kaspersky no Brasil.

Os dados pessoais ainda podem ser usados para extorsão, aplicação de golpes e esquemas de phishing. "Peço que todos reavaliem seus hábitos online, tendo como referência os riscos que a informação vazada pode representar em sua vida", avalia Fabio Assolini.

Confira o "cardápio" dos golpistas:

Carteira de identidade - R$ 2,60 a R$ 51
Segundo a Kaspersky, os golpistas podem utilizar esse tipo de informação para golpes como inscrições em apps de serviços para obter informações que serão usadas em golpes futuros.

Anúncio para venda de passaporte - Kaspersky/Divulgação - Kaspersky/Divulgação
Anúncio para venda de passaporte
Imagem: Kaspersky/Divulgação

Passaportes digitalizados - R$ 30 a R$ 77
Esses documentos podem ser usados para identificação em plataformas internacionais, como bolsas de criptomoedas. Além disso, o passaporte pode substituir documentos com fotos. Ou seja, golpistas podem tentar receber serviços financeiros ou um empréstimo com o documento da vítima.

Serviços de assinatura - R$ 2,58 a R$ 41
Permite o acesso a plataformas populares de conteúdo, streaming ou games.

Carteira de habilitação - R$ 25 a R$ 128
Podem ser usados para aluguel de automóveis em diversos países ou ainda fraude em seguros.

Prontuários médicos - R$ 5 a R$ 154
A Kaspersky afirma que esses são dados muito procurados, já que permitem uma variedade de atividades fraudulentas, como a obtenção de serviços de seguro de saúde ou compra de medicamentos sob prescrição.

Detalhes do cartão de crédito - R$ 30 a R$ 102
Os bandidos conseguem encontrar nos fóruns clandestinos informações completas do cartão de crédito, incluindo nome, número e código CVV, que podem ser usadas para saque ou compras online.