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Qual é a relação dos anéis das árvores com as estrelas supernovas?

Science Photo Library
Imagem: Science Photo Library

Gabriel Joppert

Colaboração para Tilt

29/11/2020 04h00

Sem tempo, irmão

  • Explosão de supernovas ocorridas há milhares de anos tem efeito na Terra
  • Um estudo mostrou que anéis de árvores guardam marcas dessas explosões
  • Cientistas observaram o aumento do caborno-14 nelas, com picos súbitos, sem explicação
  • Esse aumento pode estar associado a explosões de supernovas "perto" de nós

Imagine se, da noite para o dia, surgisse no céu um novo corpo celeste, mais luminoso que todas as estrelas noturnas e visível até mesmo durante o dia. Esse novo ponto de luz no céu ficaria lá brilhando quase tanto quanto a Lua, e por alguns meses. Por mais que pareça incomum, esse fenômeno acontece com certa frequência no Universo. Seu nome é supernova.

É uma explosão violenta que ocorre quando algumas estrelas de grande massa chegam ao fim de suas vidas. Para se ter uma ideia, uma estrela em supernova pode liberar em alguns meses a mesma energia que o Sol em toda sua existência. Se uma supernova explodisse no lugar errado —próximo demais da Terra— poderia ser o fim da vida por aqui.

Uma nova pesquisa do geólogo Robert Brakenridge, da Universidade de Colorado Boulder (EUA), no entanto, descobriu que mesmo supernovas distantes podem deixar rastros em nosso planeta, expondo-nos a radiação, danificando a camada de ozônio e possivelmente afetando nosso clima.

O estudo partiu da observação de anéis de troncos de árvores e dos níveis de carbono-14 encontrados neles. O carbono-14 (ou radiocarbono) é um isótopo levemente radioativo do carbono que existe em pequena quantidade na Terra e se forma quando raios cósmicos atingem nossa atmosfera, o que ocorre constantemente.

As árvores absorvem dióxido de carbono, e parte dele é carbono-14. O que se observa normalmente nos anéis das árvores é um aumento gradual desse isótopo. Às vezes, verificam-se nelas picos súbitos do elemento, algo ainda sem explicação.

"Só há de fato duas possibilidades: erupções solares ou supernovas, e acho que a hipótese das supernovas foi dispensada muito facilmente", afirmou Brakenridge.

Ele comparou os registros de anéis de árvores com as supernovas ocorridas mais ou menos próximas ao nosso planeta nos últimos 40 mil anos. Esses eventos são identificáveis pelos rastros que deixam: as nebulosas, nuvens de poeira e gases no espaço.

A observação indica que as explosões estelares poderiam ter gerado ao menos quatro perturbações climáticas na Terra no período observado, sendo que as oito supernovas que ocorreram mais perto de nós pareciam estar associadas aos tais picos inexplicados nas medições de radiocarbono.

Uma dessas é uma estrela na constelação Vela, que explodiu em supernova cerca de 13 mil anos atrás. Pouco tempo depois, os níveis de carbono-14 na Terra aumentaram em 3%, uma cifra considerada impressionante.

Apesar disso, os resultados ainda são inconclusivos porque a datação das supernovas têm uma margem de erro que pode chegar a 1.500 anos. Ainda assim, Brakenridge conseguiu provar que os efeitos previstos e modelados estão presentes. Ele acredita que a questão merece maior atenção da comunidade científica.

"As supernovas são eventos extremos, e seus potenciais efeitos parecem equivaler aos registros nos anéis das árvores", explicou.