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Fiscais das ruas: radares de velocidade são mesmo precisos?

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt

19/11/2020 04h00

Você gosta de dirigir? Leva jeito para a coisa? Independentemente da sua resposta, quem costuma andar de carro, moto ou caminhão por aí provavelmente já se distraiu e acabou sendo flagrado por um radar. É uma situação que passa longe de ser incomum: considerando a cidade de São Paulo, detentora da maior frota de veículos do país, foram mais de 4,3 milhões de multas por excesso de velocidade em 2019.

Quem flagra os motoristas mais apressadinhos são os radares, que podem tanto ser do tipo móvel quanto os equipamentos fixos (que, ao pé da letra, não podem sequer ser chamados de radar, como veremos a seguir). Mas você sabe como esses aparelhos funcionam?

Radares móveis:

Vamos começar pelos radares móveis, aqueles que geralmente são operados por um agente de trânsito (ou ficam em tripés, com um agente por perto). Tecnicamente, apenas esse tipo de equipamento pode ser chamado de radar, que é uma sigla para Radio Detection and Ranging (Detecção e Telemetria por Rádio Frequência, em tradução livre).

O seu funcionamento, de fato, se vale do mesmo princípio dos radares usados na aviação e consiste na emissão de ondas eletromagnéticas que atravessam o ar e, ao atingirem um objeto, refletem e retornam para o aparelho. Ao serem recebidas de volta, as ondas podem gerar dois tipos de informações: o tempo transcorrido entre a emissão e a recepção e a diferença de frequência.

O tempo é uma referência para calcular a distância do objeto, já que a velocidade de propagação das ondas eletromagnéticas no ar pode ser considerada constante. Já a diferença de frequência é o chamado Efeito Doppler, que está relacionado à velocidade do objeto em relação ao dispositivo.

Cruzando ambas as informações, o aparelho é capaz de determinar a velocidade do objeto para o qual ele está sendo apontado.

Radares fixos:

Os chamados radares fixos, na verdade, são câmeras conjugadas com sensores instalados no asfalto, chamados de laços indutivos. Nesse caso, calcula-se o tempo decorrido entre o acionamento do primeiro e do segundo sensor instalado na pista e, se o cálculo apontar que o veículo trafegava acima da velocidade permitida, a câmera é disparada.

Por fim, há dispositivos que utilizam câmeras de vídeo e processam as imagens captadas para definir se os carros filmados estão dentro ou acima do limite de velocidade.

Radares podem ser usados em qualquer lugar?

Não. No caso dos aparelhos móveis, é preciso que o objeto que é alvo da fiscalização esteja trafegando em linha reta. Já os aparelhos fixos, em tese, poderiam ser instalados em curvas. Isso, porém, não é feito por questões de segurança, pois poderia motivar que motoristas, ao virem o aparelho, acabem freando bruscamente em uma curva e se acidentem.

Radares são realmente precisos?

Sim, mas isso também depende de aparelhos calibrados corretamente. No caso dos radares móveis, eles podem ser afetados por múltiplas reflexões na pista e também pelas condições meteorológicas. De qualquer maneira, para evitar discrepâncias, considera-se uma tolerância de 10% em relação à velocidade aferida para garantir que os motoristas autuados, de fato, estão acima do limite de velocidade.

Como os radares fotográficos enviam as fotos?

Nos aparelhos mais modernos, as informações capturadas são criptografadas e enviadas pela rede de telefonia celular ou por outra rede específica. Nos modelos mais antigos, as fotos eram armazenadas no próprio dispositivo para coleta posterior.

Como radares móveis captam a velocidade de um só veículo apenas em uma via movimentada?

Eles usam antenas extremamente direcionadas para evitar captar outros objetos por engano. Com isso, o radar vai captar o objeto exato para o qual está apontado.

E durante a noite, como as fotos são tiradas?

Nos aparelhos de fiscalização fixos mais modernos há câmeras capazes de fazer captação de imagens por infravermelho, o que elimina a necessidade de iluminação.

Fontes:

Luiz Vicente Figueira de Mello Filho, especialista em mobilidade urbana e professor de engenharia mecânica e de tráfego da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas

Renato Giacomini, professor e coordenador do departamento de Engenharia

Toda quinta, Tilt mostra que há tecnologia por trás de (quase) tudo que nos rodeia. Tem dúvida de algum objeto? Mande para a gente que vamos investigar.