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Brasileiro é finalista de concurso mundial que une arte e nanotecnologia

Imagem "Big Ones Little Ones", criada a partir de tungstato de zinco - Divulgação
Imagem "Big Ones Little Ones", criada a partir de tungstato de zinco Imagem: Divulgação

Renata Baptista

De Tilt, no Recife

13/11/2020 04h04

A beleza de estruturas microscópicas observadas em laboratórios científicos está dominando também o mundo das artes. Trata-se da nanoarte, uma expressão artística que combina nanotecnologia e ciência com o propósito de revelar as mais diferentes formas de um universo invisível a olho nu. E o Brasil está fazendo bonito nesse terreno.

Três imagens produzidas pelo pesquisador Ricardo Tranquilin foram selecionadas como finalistas do concurso internacional "NanoArtography 2020", promovido pelo Instituto A. J. Nanomaterials da Universidade Drexel, dos Estados Unidos. As imagens vencedoras serão escolhidas por meio de votação popular, disponível na página do Facebook da competição, até esta sexta-feira (13).

Na nanoarte, estruturas observadas com técnicas de microscopia eletrônica ou por sonda de varredura são colorizadas em computador.

Tranquilin, pesquisador do CDMF (Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais) da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), criou as obras "Big Ones Little Ones", "Star Fruit" e "Perfect Balance". Todas criadas a partir de elementos químicos.

Segundo o cientista, o fato de se tratar de imagens científicas aguça a curiosidade das pessoas, levando-as a querer saber qual o composto químico ou material que gerou aquela estrutura, e outras informações, como suas aplicações, por exemplo.

As imagens finalistas

Starfruit, criada por Ricardo Tranquilin - Divulgação - Divulgação
"Star Fruit" foi feita a partir de trióxido de tungstênio
Imagem: Divulgação

Na imagem "Big Ones Little Ones", capturada em março de 2019, o material apresentado é o tungstato de zinco.

"Star Fruit", feita em junho, usou o trióxido de tungstênio. "Eu fiz a imagem pensando em carambolas, mas outra pessoa pode visualizar qualquer outra coisa que venha à mente", explica o pesquisador.

Já "Perfect Balance", de dezembro de 2019, foi criada a partir de uma mistura de óxido de manganês com sódio, níquel e magnésio.

Nanoarte: imagem intitulada Perfect Balance, criada por Ricardo Tranquilin  - Divulgação - Divulgação
Uma mistura de óxido de manganês com sódio, níquel e magnésio compõe "Perfect Balance"
Imagem: Divulgação

"Quanto mais detalhes a imagem possui, mais tempo passamos para colorir. Às vezes algumas horas são suficientes. Mas em outros casos é necessário mais de um dia", explica o pesquisador.

Tranquilin destaca que com a amostra ainda em preto e branco é possível prever se a imagem tem chances de se tornar uma bela nanoarte. "Em outras situações, precisamos retomar a análise [das estruturas microscópicas] para conseguir extrair alguma coisa que nos passou despercebido", afirma.

O pesquisador já é um veterano em concursos de nanoarte. No NanoArtography, obteve o 3º lugar em 2016, uma menção honrosa em 2018 e o 2º lugar em 2019. Ele obteve ainda outras premiações em concursos nacionais e internacionais.

"Os prêmios são o reconhecimento de que estamos no caminho certo. Mas o mais importante é utilizar esses concursos para difundir as pesquisas realizadas aqui no Brasil. Com a divulgação através dessas imagens, podemos chamar a atenção para os diferentes caminhos da ciência, apresentando os centros de pesquisa para um público que está fora das universidades", conclui o pesquisador-artista.