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Nasa vai transmitir pouso no misterioso asteroide Bennu; veja como assistir

Ilustração mostra sonda Osiris-REx se aproximando do asteroide Bennu - Nasa
Ilustração mostra sonda Osiris-REx se aproximando do asteroide Bennu Imagem: Nasa

Bruna Souza Cruz

De Tilt*, em São Paulo

17/10/2020 11h28

A Nasa, agência espacial norte-americana, transmitirá ao vivo o pouso da sonda Osiris-REx na superfície do misterioso Bennu, um dos asteroides mais estudados pela astronomia recente. A data para a descida da nave está marcada para esta terça-feira (20).

A transmissão da Nasa começará a ser feita a partir das 18h (horário de Brasília) e a aterrissagem está prevista para 19h12 (horário de Brasília). Durante a missão, amostras do asteroide serão coletadas e trazidas para a Terra. A tentativa de coleta também será exibida ao vivo.

Segundo a Nasa, Bennu contém material do início do sistema solar e pode conter os precursores moleculares da vida e dos oceanos da Terra.

A sonda Osiris-Rex, que tem o tamanho aproximado de uma van de 15 passageiros, orbita o Bennu há quase dois anos. Com todo esse tempo de coleta de dados, os pesquisadores conseguiram criar um mapa 3D de seu terreno. Inclusive, você pode fazer um tour virtual para ter um gostinho de como é o asteroide.

Bennu tem quase a mesma altura do prédio Empire State Building (381 metros), que fica em Nova York (EUA), de acordo com a Nasa.

O apelido do Bennu é "asteroide do apocalipse". O termo surgiu pela probabilidade, ainda que remota, de um dia ele vir a se chocar com a Terra. A Nasa diz que a chance é de uma em 2.700.

Como assistir

A Nasa fará a sua transmissão pelas redes sociais, pelo site da agência e pelo canal dela no YouTube.

Descobertas recentes sobre Bennu

No último dia 9, um artigo científico foi divulgado com novas descobertas sobre Bennu. Os pesquisadores observaram a presença de "veios de carbonato" (material orgânico portador de carbono) espalhados na superfície do asteroide.

Algumas dessas veias têm um metro de comprimento e vários centímetros de espessura. A descoberta é uma evidência de que a água já fluiu livremente sobre as rochas do Bennu, segundo os astrônomos.

Os resultados também chamarem a atenção dos pesquisadores pelo fato de as características dos veios de carbonato serem parecidas com as do material que ajudou a formar a Terra.

Essas descobertas indicam que minerais hidratados e material orgânico provavelmente estarão presentes na amostra que será coletada pela Osiris-Rex. Por conta disso, os cientistas também acreditam que Bennu pode ter abrigado vida em algum momento de sua história.

Outras descobertas

A equipe descobriu também que algumas regiões do asteroide foram expostas a intemperismo espacial, como bombardeio por raios cósmicos e vento solar, por mais tempo do que outras. Isso sugere que eventos de impacto expuseram materiais do asteroide em momentos diferentes.

A região da cratera Nightingale, por exemplo, onde a sonda vai coletar amostras da superfície, teria sido exposta ao ambiente espacial hostil apenas recentemente. Por isso o material que será coletado lá deve dar uma visão mais clara sobre como eram as coisas no início do Sistema Solar, período estimado da formação do Bennu.

Além disso, outro estudo descobriu que existem dois tipos de rochas no asteroide: umas mais fortes e menos porosas; e outras mais fracas e mais porosas. As mais fortes são aquelas que têm "veios de carbonato", sugerindo que a interação com a água pode, em última análise, produzir rochas mais fortes à medida que o líquido penetra nos buracos.

Mas ambos os tipos de rochas são mais fracos do que o esperado. Suspeita-se que as rochas escuras do asteroide (o tipo mais fraco, mais poroso e mais comum) não sobreviveriam a uma jornada pela atmosfera da Terra. Os cientistas acham que as amostras coletadas pela sonda trarão respostas, já que este tipo de material não está atualmente representado nas coleções de meteoritos.

Os cientistas ainda devem confirmar porque Bennu ejeta partículas no espaço e como elas estão sendo expulsas do asteroide. Mas estudos apontam que a maneira como essas partículas "voam" para cima e para baixo é uma ferramenta útil para dar uma espiada no interior do corpo celeste.

*Com Mirthyani Bezerra