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A ajuda vem de cima! Inglaterra testa colete a jato para atender vítimas

Colete propulsor foi testado em parque nacional no Reino Unido  - Reprodução/YouTube
Colete propulsor foi testado em parque nacional no Reino Unido Imagem: Reprodução/YouTube

Mirthyani Bezerra

Colaboração para Tilt

29/09/2020 15h13

Imagina um acidente de trânsito em uma rodovia engarrafada em São Paulo, com feridos precisando de atendimento rápido. Em vez de o helicóptero Águia, da Polícia Militar de São Paulo, são os socorristas que sobrevoam os carros para chegar mais rápido ao local do acidente. Mas calma: ainda que seja uma realidade bem distante para o Brasil, a tecnologia já existe e está em testes no Reino Unido.

No começo do mês, a Gravity Industries e Gnaas (Great North Air Ambulance Service, instituição de caridade que opera um serviço de emergência de helicóptero no norte da Inglaterra) fizeram uma operação para testar um colete propulsor com 1.050 cavalos de potência, capaz de fazer voos de cinco a dez minutos de duração, o suficiente para realização de operações de resgate, na opinião da empresa e da entidade.

Os testes foram feitos no Lake District National Park, no noroeste da Inglaterra. Durante a manobra, o fundador da Gravity e também piloto chefe de teste, Richard Browning, voou do fundo do vale para um local de simulação de um acidente com vítimas. Se a pé, ele levaria 25 minutos para conseguir chegar ao destino, com o colete propulsor a façanha durou 90 segundos.

O colete propulsor é composto por cinco minimotores a jato, sendo dois deles integrados em unidades presas às mãos do piloto-socorrista e um embutido em uma mochila. Dois tipos de combustível podem ser usados para fazer a máquina levantar voo: Jet A1 ou diesel. O equipamento pesa 27 quilos e chega à velocidade de até 136 km/h.

Colete propulsor  - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O parque nacional foi escolhido para o teste porque, além de atrair cerca de 15 milhões de pessoas a cada ano, segundo a Gravity, é um terreno selvagem e traiçoeiro. Os incidentes na área normalmente requerem a perícia médica do Great North Air Ambulance Service.

No local, em vez quilômetros de engarrafamento (como no exemplo dado no começo desse texto), são os picos e vales do parque que muitas vezes dificultam o acesso do helicóptero de resgate. O veículo não consegue pousar com segurança perto da vítima, exigindo dos socorristas que se aproximem muitas vezes a pé.

Segundo a empresa, o resultado demonstrou uma gama de possibilidades na área de resposta a emergências. O diretor de operações e paramédicos do Gnaas, Andy Mawson, concordou: "Em uma época em que na área da saúde estamos exaustos por causa da covid-19 e seus efeitos, é importante ainda ultrapassar limites", disse em comunicado.

Ainda segundo Mawson, o helicóptero da entidade continuará sendo uma parte vital da resposta de emergência no parque nacional, assim como as equipes de resgate de montanha. "Mas trata-se de complementar esses recursos com algo completamente novo", disse.