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Futuro do Sistema Solar? Astrônomos acham planeta orbitando estrela morta

Ilustração mostra o planeta WD 1856 b orbitando uma estrela morta - Goddard Space Flight Center/Nasa
Ilustração mostra o planeta WD 1856 b orbitando uma estrela morta Imagem: Goddard Space Flight Center/Nasa

Mirthyani Bezerra

Colaboração para Tilt

17/09/2020 12h03

Astrônomos descobriram um planeta do tamanho de Júpiter orbitando perto dos restos mortais fumegantes de uma estrela anã branca. É a primeira vez que um exoplaneta intacto foi descoberto nessa situação, de acordo com uma pesquisa publicada na quarta (16) na revista Nature.

A descoberta é importante porque, segundo os pesquisadores, lança luz sobre como será o destino do nosso Sistema Solar quando o Sol envelhecer e se tornar uma anã branca, o que deve acontecer daqui a mais ou menos 5 bilhões de anos. Além disso, sugere que planetas muito distantes podem acabar na zona habitável da anã branca e, potencialmente, abrigar vida, mesmo após a morte de sua estrela-mãe.

"Um exemplo anterior de um sistema semelhante, onde um objeto foi visto passando na frente de uma anã branca, mostrou apenas um campo de destroços de um asteroide em desintegração", disse Andrew Vanderburg, professor assistente da Universidade de Wisconsin-Madison, que liderou a pesquisa. Ele classificou a descoberta como surpreendente.

O planeta, chamado de WD 1586 b, é dez vezes maior do que sua estrela-mãe, conhecida como WD 1856 + 534, e foi detectado pelo satélite Tess (Satélite de Levantamento de Trânsito de Exoplanetas), da Nasa, agência espacial estadunidense. A anã branca está a apenas 82 anos-luz da Terra.

Siyi Xu, astrônomo assistente do Observatório Gemini, disse que, como não havia fragmentos discerníveis do planeta ao redor da estrela, os pesquisadores concluíram que ele estava intacto. "Tivemos evidências indiretas de que existem planetas ao redor das anãs brancas e é incrível finalmente encontrar um planeta como este", disse Xu, em um comunicado do NOIRLab da NSF (Fundação Nacional de Ciência dos EUA, da sigla em inglês).

Como o WD 1586 b foi parar lá?

A resposta para essa pergunta ainda é um mistério para os astrônomos. A hipótese mais provável é que o planeta tenha orbitado longe da estrela e, de alguma forma, viajado para perto dela depois que ela se tornou uma anã branca.

Depois de queimar seus estoques de hidrogênio, uma estrela como o Sol entra em agonia, primeiro se tornando uma gigante vermelha incandescente que queima e engolfa os planetas próximos —quando o mesmo processo acontecer com o nosso Sol, é provável que ele "engula" Vênus, Mercúrio e, possivelmente, a Terra.

Em seguida, a estrela entra em colapso, reduzindo-se ao seu núcleo queimado. Aí, o astro se transforma em uma anã branca, um corpo extremamente denso e com brilho fraco, resultante das sobras de energia térmica. A anã branca vai desaparecendo lentamente ao longo de bilhões de anos.

"Agora que sabemos que os planetas podem sobreviver à jornada sem serem quebrados pela gravidade da anã branca podemos procurar outros planetas menores", diz Vanderburg, da Universidade de Wisconsin-Madison.