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Bafômetros podem tornar testes de covid-19 mais rápidos e acessíveis

Alternativa do bafômetro pode causar menos desconforto do que os testes RT-PCR - iStock
Alternativa do bafômetro pode causar menos desconforto do que os testes RT-PCR Imagem: iStock

Thiago Varella

Colaboração para Tilt

16/09/2020 10h20

O teste para detectar se uma pessoa está infectada com o novo coronavírus é um pouco invasivo, para dizer o mínimo. No chamado teste de RT-PCR, é preciso usar um cotonete grande, chamado swab, para coletar secreção do nariz ou da garganta. Quando digo coletar, entenda que o tal cotonete vai cutucar o fundo do seu nariz. Haja desconforto.

Mas, se depender dos cientistas das universidade de Ohio State e Northeastern, ambas nos Estados Unidos, um teste muito mais simples vai poder ser empregado no futuro. Esses pesquisadores querem usar um bafômetro para detectar a presença do novo coronavírus no organismo. As informações são da revista Wired.

Se a gente for pensar bem, faz sentido, já que uma pessoa infectada despeja vírus no ambiente só de falar ou respirar. Segundo Perena Gouma, professora de engenharia da Universidade de Ohio State, ao contrário do RT-PCR, um bafômetro não precisa de reagentes ou de processamento laboratorial. Isso significa que o resultado do teste sairia muito mais rapidamente. É quase instantâneo, como o bafômetro que detecta álcool no organismo e é usado por policiais no mundo todo.

"Esse tipo de teste não é invasivo e você pode implantá-lo em qualquer lugar, a qualquer hora", afirmou Gouma à revista Wired.

Não é de hoje que a professora estuda o uso do bafômetro pela medicina. Em 2017, ela criou um dispositivo para detectar gripe. Agora, Gouma criou um protótipo de bafômetro que usa sensores de cerâmica para detectar compostos orgânicos voláteis na respiração de uma pessoa.

A professora acredita que esses compostos podem agir como biomarcadores para covid-19. Como o trabalho ainda não foi publicado em nenhum periódico científico, Gouma não diz quais moléculas gasosas seu aparelho procura para detectar o novo coronavírus.

Segundo Gouma, o resultado sai em apenas 15 segundos e pode ser lido no próprio aparelho. Ou seja, a vantagem de não ser invasivo nem é a maior do bafômetro. A grande mudança é poder monitorar uma pessoa doente diariamente para saber se ela ainda tem o vírus no organismo.

Além disso, um bafômetro é um aparelho muito simples de ser operado e, por isso, poderia ser usado em qualquer espaço público. Esqueça os termômetros de febre. Um bafômetro seria muito mais útil e preciso para evitar a entrada de uma pessoa doente em um supermercado, uma escola ou um estádio de futebol.

O bafômetro da equipe de Gouma na Universidade de Ohio State já recebeu uma bolsa da Fundação Nacional de Ciência em junho e testes estão sendo feitos em um hospital universitário e em outros locais na cidade de Columbus.

Pesquisadores da Universidade Northeastern também desenvolveram um bafômetro para detectar o novo coronavírus. Nian Sun, professor de engenharia da instituição, estava trabalhando em um protótipo para detectar câncer de pulmão quando resolveu mudar o foco da sua pesquisa para a covid-19.

Seu aparelho traz sensores que contêm microcavidades impressas que correspondem exatamente à forma e ao tamanho das proteínas salientes da superfície do vírus SARS-CoV-2. Por isso, Sun considera a chance de seu bafômetro apontar falsos positivos é improvável, já que os sensores não ativariam com nenhum outro tipo de vírus.

Esse bafômetro é ainda mais rápido e traz o resultado em apenas um ou dois segundos. E, como o desenvolvido pela Universidade de Ohio State, também é portátil e simples de ser usado.

Sun está aguardando a aprovação de um comitê de revisão para testar seu bafômetro em um hospital de Massachusetts.

Claro que todas essas pesquisas parecem ser muito promissoras. Mas ainda é preciso um certo tempo até que um desses bafômetros passe a ser usado em escala comercial. Os aparelhos vão precisar de aprovação da FDA, a agência estatal que regula fármacos e alimentos nos EUA, e de uma empresa que consiga fabricá-los em grande escala.