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Bennu: por que "asteroide do apocalipse" ejeta partículas no espaço?

Modelo por computador do asteroide Bennu ejetando partículas - Reprodução/YouTube JPLraw
Modelo por computador do asteroide Bennu ejetando partículas Imagem: Reprodução/YouTube JPLraw

Felipe Oliveira

Colaboração para Tilt

10/09/2020 16h35

Desde que a possibilidade de o asteroide Bennu colidir com a Terra surgiu, a Nasa decidiu monitorá-lo mais de perto. Apelidado de "asteroide do apocalipse" por sua probabilidade de colidir com a Terra, o corpo celeste é observado de perto há cerca de um ano e meio pela sonda OSIRIS-REx, que entrou em sua órbita e detectou que ele está espalhando pequenos pedaços de rocha pelo espaço.

Segundo uma coleção de estudos da publicação científica Journal of Geophysical Research, divulgada no site do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, sigla em inglês para Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa, os cientistas estão começando a entender melhor esses eventos dinâmicos de ejeção de partículas.

Segundo os pesquisadores, os tamanhos das partículas correspondem ao que é esperado para o fraturamento térmico, nome dado ao fenômeno em que a superfície do asteroide é rapidamente aquecida e resfriada enquanto gira.

Além disso, os locais de ejeção correspondem aos locais de impacto de meteoritos que atingem o asteroide enquanto ele orbita o Sol. De acordo com os cientistas, uma combinação desses fenômenos pode ser a responsável pelo lançamento de partículas.

Mas, a Nasa aponta que são necessárias "mais observações" para se chegar a uma resposta definitiva.

A atividade de ejeção de partículas chamou a atenção da equipe da OSIRIS-REx porque, de acordo com a Nasa, normalmente os cometas são considerados ativos, e não os asteroides. Os cometas são compostos de gelo, rocha e poeira e, à medida que esse gelo é aquecido pelo Sol, o vapor formado na superfície, poeira e pedaços do núcleo do cometa são ejetados no espaço.

Já os asteroides são compostos principalmente de rocha e poeira (podendo conter uma quantidade menor de gelo). Agora, o Bennu mostrou que algumas dessas rochas espaciais também podem ser "surpreendentemente vivas".

"Pensamos que a superfície coberta por rochas de Bennu era a descoberta do curinga no asteroide, mas esses eventos de partículas definitivamente nos surpreenderam. Passamos o ano passado investigando a superfície ativa de Bennu, e isso nos deu uma oportunidade notável de expandir nosso conhecimento de como os asteroides ativos se comportam", afirmou ao site da Nasa Dante Lauretta, o principal investigador da OSIRIS-REx e professor da Universidade do Arizona.

Um estudo liderado pelo cientista sênior do JPL, Steve Chesley, descobriu que essas partículas são pedaços de rocha com cerca de 7 milímetros e que são puxados de volta ao Bennu pela fraca gravidade do asteroide. Mas em alguns casos, os detritos acabam ricocheteando de volta para o espaço após colidir com a sua superfície.

A pesquisa ainda mostra que outros pedaços de rocha demoravam mais para retornar a Bennu, permanecendo em órbita por até 16 revoluções (nome dado ao movimento de um objeto celestial ao redor de outro objeto). Por fim, Chesley e seus colaboradores ainda perceberam que algumas partículas eram ejetadas com tanta força que escapavam completamente dos arredores do Bennu.

Embora as partículas sejam perigosas para a OSIRIS-REx, já que podem atingir a espaçonave, elas também serviram como estimativas do campo gravitacional do Bennu. De acordo com a Nasa, muitas partículas orbitavam o asteroide muito mais perto do que seria seguro para a sonda e, portanto, suas trajetórias eram altamente sensíveis à gravidade irregular do corpo celeste.

"As partículas foram um presente inesperado para a ciência da gravidade em Bennu, uma vez que nos permitiram ver pequenas variações no campo gravitacional do asteroide que não saberíamos de outra forma", disse Chesley.

Em média, apenas uma ou duas partículas são ejetadas por dia pelo asteroide e, como estão em um ambiente de gravidade muito baixa, a maioria se move lentamente.

A sonda OSIRIS-REx tentará pousar brevemente no asteroide em 20 de outubro para recolher material da superfície. De acordo com a agência espacial americana, pode até incluir partículas que foram ejetadas antes de cair de volta à superfície.

Se tudo correr como planejado, a espaçonave retornará à Terra em setembro de 2023 com um pouco de material de Bennu para os cientistas estudarem seus mistérios um pouco mais.