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Ouça misteriosa onda de rádio espacial que novamente chegou à Te­­rra

Ilustração com sugestão de uma rápida rajada de rádio atingindo a Terra, com cores significando diferentes comprimentos de onda - Jingchuan Yu, Planetário de Pequim
Ilustração com sugestão de uma rápida rajada de rádio atingindo a Terra, com cores significando diferentes comprimentos de onda Imagem: Jingchuan Yu, Planetário de Pequim

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

27/08/2020 16h36

Confirmando as previsões, a misteriosa rajada rápida de rádio (FRB, do inglês fast radio burst) está sendo registrada novamente —e deve voltar em cerca de 160 dias.

FRBs são pulsos de rádio super-rápidos, variando entre uma fração de um milissegundo a poucos milissegundos. Ainda não se sabe por que eles existem. Esta foi a segunda rajada de rádio com um padrão identificável e repetitivo já descoberta no espaço. A primeira, chamada FRB 180916.J0158+65, foi detectada em fevereiro.

Em junho deste ano, astrônomos detectaram que a rajada, vinda de algum lugar do espaço profundo, havia despertado e estava se repetindo em um padrão regular.

Na época, um estudo publicado pela Royal Astronomical Society, baseado em dados acumulados ao longo de cinco anos, informou que o evento se repetia a cada 157 dias: 90 dias ativos, emitindo pulsos, e 67 dormentes. A fonte da rajada, nomeada FRB 121102, era uma galáxia anã a mais de três bilhões de anos-luz da Terra.

­E ela retornou bem no cronograma previsto. Uma nova pesquisa confirmou que a FRB 121102 está enviando ondas de rádio repetitivas, e ajustou os cálculos de sua periodicidade: ciclos de 161 dias, com margem de cinco dias para mais ou menos. Assim, os cientistas poderão prever sua atividade e estudar melhor sua origem.

De acordo com a equipe, a rajada está ativa desde o dia 9 de julho, e continuará sendo captada até 14 de outubro. Depois, adormecerá. Ressurgirá entre 17 de dezembro e 24 de março do ano que vem. E assim por diante.

Ouça a FRB 121102 aqui:

Poderia ser algum tipo de comunicação alienígena? Provavelmente, não. Os ruídos devem ser ecos de campos magnéticos fortíssimos, como os ao redor de um buraco negro —que bom que estamos bem longe dela.

Kaustubh Rajwade, professor que conduziu os primeiros estudos na Universidade de Manchester, Inglaterra, acredita tratar-se de uma estrela de nêutrons ou de um pulsar. "Baseado nas curtas durações e altas luminosidades das rajadas, um bom palpite seria uma estrela de nêutrons, com um campo magnético muito alto, que está orbitando outro objeto."