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Como funcionam os vasos sanitários que cuidam do nosso xixi e cocô?

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt

27/08/2020 04h00

É bem provável que você tenha usado um vaso sanitário hoje, mas você já pensou sobre como eles funcionam? Afinal, o que faz a "mágica" que envolve apertar um botão e ver tudo que está ali dentro ir esgoto abaixo? A resposta envolve a hidrostática e o princípio dos vasos comunicantes.

A gente traduz. A hidrostática é a parte da física que estuda os fluidos em repouso. Já o princípio dos vasos comunicantes explica que, quando há reservatórios ligados entre si, todo fluido homogêneo em seu interior ficará equilibrado na mesma altura em todos os recipientes, independentemente do seu formato.

A tecnologia por trás das descargas
Imagem: Guilherme Zamarioli/ UOL

Apesar de só vermos uma "piscininha" no fundo de um vaso sanitário, ele tem uma tubulação em seu interior onde o líquido se mantém em equilíbrio, segundo o princípio dos vasos comunicantes.

A partir da água que enxergamos ao abrir a tampa do vaso, essa tubulação no interior do objeto faz duas curvas: uma para cima e, em seguida, uma para baixo. Esse é, basicamente, o trajeto que todo dejeto faz quando apertamos a descarga.

Mas se o compartimento de escoamento do vaso faz uma curva para cima antes de descer, como acontece aquele movimento de sucção quando apertamos a descarga?

Simples: ao acionarmos a descarga, o compartimento principal do vaso recebe uma quantidade de água considerável, que desequilibra o nível de água dentro da privada.

Seguindo o princípio dos vasos comunicantes, a água no encanamento também sobe, para compensar a "inundação" do compartimento principal. Só que, ao fazer isso, a água alcança a curva para baixo da tubulação e acaba sendo escoada em direção ao esgoto, criando um efeito de sifão.

Quando o sistema de descarga para de injetar água no interior do compartimento principal, uma quantidade de ar é sugada para a tubulação da parte interna da bacia, o que interrompe a sucção e finaliza a descarga.

Bacias sanitárias de aviões e ônibus funcionam do mesmo jeito?

Mais ou menos. Apesar de também haver o efeito de sucção, no caso de ônibus e aviões isso ocorre por vácuo, não pelo efeito sifão das bacias convencionais. Há uma diferença de pressão entre o tanque que armazena os dejetos e a bacia sanitária e, ao apertar a descarga, os dejetos são sugados para o reservatório.

Por que os sanitários não exalam o cheiro do sistema de esgoto?

A explicação para isso está no chamado "selo hídrico". Pode reparar que sempre há um pouco de água no fundo da bacia sanitária e, consequentemente, a tubulação em seu interior também mantém um pouco de líquido. Isso serve como uma barreira para evitar que o mau cheiro do esgoto e também insetos possam utilizar a tubulação interna do vaso como "rota de fuga".

Posso jogar papel higiênico na privada?

Segundo o item 3.3 da norma brasileira NBR-8160, que trata de sistemas prediais de esgoto sanitário, a bacia sanitária é destinada "a receber exclusivamente dejetos humanos". No entanto, tudo depende da construção do sistema de esgoto.

Nós já tratamos do assunto e, na ocasião, a Sabesp respondeu que "o papel higiênico pode ser jogado na privada quando não houver problemas com entupimento na rede interna, o que ocorre somente em redes domiciliares antigas e com traçado com muitas curvas. Em geral, em prédios, devido à maior pressão da água e os desníveis elevados, não há obstruções por este resíduo."

Ou seja: se você mora em um imóvel novo, em tese não teria problemas com isso. A questão é que, em termos ecológicos, isso pode não ser uma boa ideia, uma vez que para fazer o papel higiênico ir esgoto abaixo é preciso utilizar mais água na hora da descarga. Continue usando o lixo, portanto.

Fontes:
Rafael Castelo, professor do Departamento de Engenharia Civil da FEI
Helio Narchi, especialista em Hidráulica e professor de Engenharia Civil do Instituto Mauá de Tecnologia

Toda quinta, Tilt mostra que há tecnologia por trás de (quase) tudo que nos rodeia. Tem dúvida de algum objeto? Mande para a gente que vamos investigar.