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Astronautas da Nasa já voltaram à Terra; veja como foi a chegada

Marcella Duarte*

Colaboração para Tilt

02/08/2020 16h00

Os astronautas norte-americanos Robert Behnken e Douglas Hurley estão de volta à Terra, após dois meses vivendo na ISS (Estação Espacial Internacional).

A cápsula Crew Dragon "Endeavour", da SpaceX, pousou às 15h48 (horário de Brasília) com sucesso no Oceano Atlântico, no Golfo do México, costa da Flórida. Os astronautas foram resgatados em alto-mar por barcos e levados de helicóptero para terra firme.

Esta foi a primeira vez que astronautas pousaram no mar desde 1975, no retorno da missão Apollo-Soyuz, uma parceria entre Estados Unidos e União Soviética.

Agora, Behnken e Hurley terão de se reacostumar com a vida em Terra firme: enjoos e náuseas são alguns dos sintomas após muito tempo vivendo "sem peso", na microgravidade da órbita terrestre.

02.ago.2020 - Os astronautas norte-americanos Robert Behnken e Douglas Hurley estão de volta à Terra, após dois meses vivendo na Estação Espacial Internacional (ISS) - Divulgação Nasa - Divulgação Nasa
Os astronautas Robert Behnken (esq.) e Douglas Hurley (dir.) momentos antes de deixarem a Crew Dragon
Imagem: Divulgação Nasa

Os dois saíram do nosso planeta há 64 dias, no dia 30 de maio, em um lançamento histórico, com o foguete Falcon 9, também da SpaceX.

Foi a primeira vez que uma companhia privada levou humanos para o espaço— e os trouxe de volta em segurança. E a primeira vez em nove anos (desde a aposentadoria do Ônibus Espacial) que astronautas partiram de solo norte-americano.

Com este feito, a Nasa agora pode iniciar seu projeto comercial na ISS, incluindo voos regulares para experimentos privados e até para turismo. Era esse o objetivo principal da missão, chamada Demo-2: demonstrar a capacidade da cápsula Dragon em transportar equipes com segurança entre a Terra e o espaço.

Durante a estadia na estação, Behnken e Hurley realizaram trabalhos científicos e de manutenção, incluindo quatro "spacewalks"— caminhadas espaciais por fora da ISS, para fazer reparos em equipamentos e sistemas.

Riscos da reentrada

A reentrada na atmosfera terrestre era o ponto mais crítico da missão. A Crew Dragon enfrentou altíssimas velocidades, temperaturas, forças e oscilações elétricas ao retornar para a Terra.

Primeiro, foi preciso encontrar o ângulo correto para a trajetória. Se fosse muito agudo, a força-G poderia ser fatal para os astronautas e/ou o atrito com o ar poderia fazer a cápsula explodir. Se fosse muito raso, ela poderia catastroficamente "quicar" na atmosfera e voltar sem controle ao espaço.

Com pequenas ignições de seus dois motores para corrigir a rota, a Crew Dragon entrou em nossa atmosfera superior a aproximadamente 27.000km/h (7,5 km/s). Isso é mais de vinte vezes a velocidade do som e gerou uma enorme onda de choque e calor ao redor dela.

Na fase mais extrema da reentrada, a temperatura ultrapassou 2.000°C. É por isso que vimos a cápsula incandescente. Uma espécie de escudo térmico, feito do novo material PICA-X, da SpaceX, protegeu a Dragon - o escudo em si ficou carbonizado.

Outro grande risco era a perda de conexão devido a instabilidades elétricas. Com o calor extremo, uma brilhante camada de plasma (uma espécie de nuvem eletrificada) recobriu a nave, podendo bloquear ou atenuar sinais de rádio. O maior problema não era simplesmente perder a comunicação com os astronautas, mas sim impossibilitar a navegação e controle remoto da cápsula.

Por alguns minutos, um pequeno e esperado blackout tornou impossível o contato com Behnken e Hurley— se algo desse errado nesse tempo, estava completamente nas mãos deles.

Por fim, o último momento do pouso foi na hora da abertura dos paraquedas enquanto descia em direção ao mar, no Golfo do México.

Crew-1

Os custos da exploração espacial são reduzidos com o uso de foguetes reutilizáveis, como o Falcon 9, e com o "aluguel" de vagas nos lançamentos e de espaço na Estação Espacial Internacional para experimentos privados.

Uma nova missão tripulada da Nasa, em parceira com a SpaceX, deve levar mais quatro astronautas à ISS em setembro: Michael Hopkins, Victor Glover e Shannon Walker, dos Estados Unidos, e Soichi Noguchi, do Japão.

A Crew-1 vai inaugurar oficialmente o programa comercial da agência, que prevê o pagamento de US$ 2,6 bilhões (R$ 13,56 bilhões) à companhia de Elon Musk, por no mínimo seis lançamentos.

Também há planos de turismo espacial, incluindo voos de gravidade zero, caminhadas espaciais, um hotel de luxo na ISS e futuras viagens à Lua.

*Colaborou Bruna Souza Cruz