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Estudo mapeia número surpreendente de planetas que poderiam abrigar vida

O sistema planetário Trappist-1 possui três planetas em sua zona habitável, enquanto nosso sistema possui apenas um. - Nasa/JPL-Caltech
O sistema planetário Trappist-1 possui três planetas em sua zona habitável, enquanto nosso sistema possui apenas um. Imagem: Nasa/JPL-Caltech

Mirthyani Bezerra

Colaboração para Tilt

31/07/2020 11h24Atualizada em 31/07/2020 16h05

O nosso Sistema Solar possui apenas um planeta habitável: a Terra. Mas um novo estudo mostrou que outros sistemas parecidos com o nosso podem ter não só um planeta com vida, mas sete. E mais: a culpa de estarmos sozinhos pode ser de Júpiter.

A descoberta foi divulgada essa semana na revista "Astronomical Journal". O artigo publicado pela equipe liderada pelo astrobiólogo Stephen Kane, da Universidade da Califórnia (EUA), baseia suas observações no conceito conhecido como "zona habitável", que é a área ao redor de uma estrela em que um planeta teria condições de ter água líquida e, assim, vida como nós a conhecemos.

Foi estudando um sistema próximo do Solar, chamado de Trappist-1, que os pesquisadores descobriram três planetas como a Terra orbitando na zona habitável. Kane conta que isso o fez pensar que o número de planetas habitáveis orbitando ao redor de estrelas poderia ser muito maior e que "não parecia justo" que a nossa estrela, o Sol, tivesse apenas um.

A equipe do astrobiólogo desenvolveu um sistema que simula planetas de vários tamanhos orbitando estrelas, criando um algoritmo que representa as forças gravitacionais entre esses planetas e como eles interagem entre si.

Segundo os cálculos, os pesquisadores descobriram que algumas estrelas conseguiam ter até sete planetas como a Terra orbitando ao redor delas na sua zona habitável, e que seguindo a mesma lógica, o Sol deveria ter outros seis planetas habitáveis e não apenas a Terra.

Então por que será que estamos sozinhos no Sistema Solar? Stephen Kane suspeita que a culpa seja de Júpiter porque ele tem uma massa duas vezes e meia maior do que a de todos os outros planetas do sistema solar juntos.

"Isso tem um grande efeito na habitabilidade do nosso Sistema Solar, porque Júpiter é massivo e perturba outras órbitas [de outros planetas]", disse Kane.

É importante ressaltar que nem todo o sistema possui planetas em suas zonas habitáveis. Apenas algumas estrelas possuem as condições necessárias para tê-los.

O próximo passo da pesquisa é procurar estrelas menores cercadas unicamente por planetas menores. Elas serão os principais alvos de telescópios da Nasa, como o do Observatório Habitacional de Exoplanetas do Laboratório de Propulsão a Jato, para a captação de imagens diretas.

No estudo, a equipe de Kane identificou que uma estrela, a Beta CVn, relativamente próxima a nós, a 27 anos-luz de distância. Por não ter um planeta semelhante a Júpiter, ela foi incluída como uma das estrelas a serem analisadas pelos telescópios em busca de planetas na sua zona habitável.

Estudos futuros também envolverão a criação de novos modelos que examinam a química atmosférica de planetas de zonas habitáveis em outros sistemas estelares.

Projetos como esses oferecem mais do que novos caminhos na busca pela vida no espaço sideral. Eles também oferecem aos cientistas uma visão das forças que podem, um dia, mudar a vida como nós conhecemos aqui na Terra.

"Embora saibamos que a Terra tem sido habitável durante a maior parte de sua história, ainda há muitas questões sobre como essas condições favoráveis evoluíram com o tempo e os fatores específicos por trás dessas mudanças", disse Kane.

Segundo ele, é medindo as propriedades dos exoplanetas, cujos caminhos evolutivos podem ser semelhantes aos nossos, que podemos ter ideia do seu passado e do que o futuro lhes (e nos) reserva. A partir daí será possível saber o que devemos fazer para manter a nossa habitabilidade.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi informado no texto, a Trappist-1 é um sistema planetário, e não uma galáxia. O texto foi corrigido.