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Mancha achada no meio do Sol poderia ou não ser um tardígrado?

Fotografia mostra detalhes do tardígrado, espécie considerada por cientistas a mais resistente do planeta - Eye Of Science/SPL
Fotografia mostra detalhes do tardígrado, espécie considerada por cientistas a mais resistente do planeta Imagem: Eye Of Science/SPL

Mirthyani Bezerra

Colaboração para Tilt

22/07/2020 04h00Atualizada em 22/07/2020 17h51

Sem tempo, irmão

  • Internautas atentos juraram ter visto uma mancha com forma de tardígrado no Sol
  • Esses animais são considerados quase imortais e sobreviveriam uma hecatombe
  • A manchinha nada mais era do que um defeito no sensor da Solar Orbiter
  • Há indícios de que os tardígrados já colonizaram até a Lua
  • Mas é impossível que eles sobrevivam às temperaturas solares

Quando a ESA (Agência Espacial Europeia) e a Nasa divulgaram imagens inéditas do Sol na semana passada, internautas atentos juraram ter visto uma manchinha com o formato bastante parecido com o de um tardígrado na superfície do astro. A observação gerou brincadeiras, já que esses pequenos animais são considerados quase imortais e que eles haviam conseguido colonizar o Sol.

Outros observadores questionaram se a presença do "pequeno urso d'água" seria possível no Sol. Afinal, o animal consegue viver 30 anos sem água e sem comida e poderá ser o único sobrevivente de uma hecatombe mundial.

O próprio David Berghmans, chefe do Centro de Análise de Dados de Influências Solares do Serviço Científico do Observatório Real da Bélgica, reconheceu em uma coletiva de imprensa que a mancha parecia com a de um tardígrado e que os pesquisadores verificaram que a figura "engatinhava" sobre algumas das imagens feitas pelo veículo Solar Orbiter.

Mancha negra no formato do corpo de um tardígrado apareceu nas imagens recentes do Sol, capturadas pela missão Solar Orbiter - Divulgação Solar Orbiter / ESA & NASA - Divulgação Solar Orbiter / ESA & NASA
Mancha negra no formato do corpo de um tardígrado apareceu nas imagens recentes do Sol, capturadas pela missão Solar Orbiter
Imagem: Divulgação Solar Orbiter / ESA & NASA

No Twitter, Jack Jenkins, pesquisador de pós-doutorado que estuda proeminências solares na Katholieke Universiteit Leuven, na Bélgica, foi um dos que notaram o "tardígrado" supostamente pegando carona no astro.

Mas, o fato é que a manchinha nada mais era do que um defeito no sensor. "No processamento futuro, quando otimizarmos ainda mais, isso será limpo e intercalado com pixels próximos. Mas, no momento, ainda está claramente visível", afirmou.

Será que os tardígrados sobreviveriam no Sol?

O animal microscópico de oito patas e com cerca de 0,5 milímetro de comprimento consegue sobreviver desde a água fervente até uma temperatura de quase ao zero absoluto. Ele pode viver na terra e até ficar adormecido por anos quando desidratado, ou viver na água.

Cientistas acreditam que mesmo que uma rocha espacial gigante caia no nosso planeta ou se a radiação de uma estrela explodindo ferver nossos oceanos, os seres humanos e a maioria das outras formas de vida desapareceriam, mas os tardígrados sobreviveriam.

Há indícios de que eles já colonizaram até a Lua, tendo sido transportados por um satélite israelense que quebrou ao pousar no satélite.

Apesar de bastante resilientes, os cientistas afirmam que eles não seriam capazes de sobreviver ao Sol, onde as temperaturas podem alcançar mais de 5.000 graus Celsius.