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Espionagem e outras tretas: chegou a hora de apagar o TikTok?

Pixabay
Imagem: Pixabay

Mirthyani Bezerra

Colaboração para Tilt

21/07/2020 14h01Atualizada em 22/07/2020 20h16

A rede social TikTok, app queridinho da quarentena, está envolvido de novo em problemas, desde a proibição de uso na Índia à ameaça de banimento por parte dos EUA. Agora foi a vez do Anonymous, famosa rede de hackers, aconselhar usuários a deletá-lo dos seus smartphones.

No começo do mês, o Anonymous afirmou por meio do Twitter que a plataforma da empresa chinesa ByteDance é "essencialmente um malware [vírus] operado pelo governo da China que conduz uma operação de espionagem massiva".

O TikTok é um aplicativo de vídeos criativos que caiu no gosto principalmente de jovens, sendo considerado o app mais baixado da história em um trimestre, com mais de 2 bilhões de downloads.

A postagem do grupo hacker foi feita em cima de outro tuíte que traz uma lista, tirada supostamente do Reddit, com indícios que demonstram que o aplicativo teria acesso a vários dados do seu celular. O usuário que fez a lista afirma ter revirado o código do TikTok e descoberto do que ele seria capaz.

"Um cara no Reddit reverteu a engenharia #TikTok. Aqui está o que ele encontrou nos dados coletados de você. É muito pior do que apenas roubar o que está na sua área de transferência", diz o post em inglês.

A postagem diz que o TikTok é um serviço de coleta de dados que atua de maneira velada como rede social. O aplicativo teria acesso às seguintes informações:

  • Hardware do aparelho (tipo de CPU, número do telefone, identidades de hardware, dimensões de tela, uso da memória, espaço no disco, etc);
  • Aplicativos instalados, inclusive aqueles que já foram deletados pelo usuário;
  • Conectividade (IP, roteador, ponto de Wi Fi, etc.);
  • Se o telefone tem root ou jailbreak --isto é, se eles estão desbloqueados para modificações não permitidas pela fabricante do celular;
  • Localização em tempo real, ativada a cada 30 segundos.

Segundo o suposto usuário do Reddit, o TikTok tem diferentes formas de proteção para evitar que desenvolvedores entendam como o app funciona. Além disso, o comportamento dos algoritmos muda se o app perceber que está tendo seus códigos analisados.

"É válido que eu já tenha revertido os aplicativos do Instagram, Facebook, Reddit e Twitter. Eles não coletam nem de longe a mesma quantidade de dados que o TikTok coleta, e eles de maneira nenhuma estão tentando esconder o que exatamente está sendo enviado, como o TikTok está", diz o usuário. E completa: "É como comparar um copo d'água com o oceano, eles simplesmente não se comparam."

Como se trata de uma denúncia anônima, talvez seja o caso de esperar mais análises de especialistas de segurança para bater o martelo de que o TikTok é tão invasivo como dizem. Enquanto isso, alguns países já vinham trazendo um ar de insegurança sobre a plataforma nas últimas semanas.

Queda de braço com os EUA

O app também está sob tensões com o governo dos EUA e da Índia. O primeiro tem sugerido cautela aos usuários, insinuando que as informações deles poderiam estar indo parar nas mãos do governo chinês. Já a Índia baniu o aplicativo do seu território e a Casa Branca cogita seguir o exemplo.

Desde maio desse ano, no entanto, o TikTok tem o norte-americano Kevin Mayer como executivo-chefe, numa tentativa de mostrar que a plataforma da ByteDance apesar de ser chinesa é independente em relação ao país de origem. Mas, isso não parece ter dado muito certo ainda.

Mayer chegou a enviar uma carta ao governo indiano afirmando poder "confirmar que o governo chinês nunca pediu os dados TikTok de usuários indianos", mas até agora a proibição se mantém.

A birra governamental mais recente do app é na Austrália. Na segunda (20), o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse que o governo australiano está "dando uma boa olhada" no TikTok para tentar identificar riscos aos usuários, tanto sobre possíveis interferências estrangeiras quanto questões de privacidade de dados.

Falta de segurança para crianças

Em maio, organizações como o Center for Digital Democracy [Centro para a Democracia Digital] e a Campaign for a Commercial Free Childhood [Campanha por uma Infância Livre do Comércio] entraram com uma queixa na FTC (Federal Trade Comission, o equivalente ao Cade americano) alegando que o TikTok violou um decreto de consentimento e uma lei que protege a privacidade das crianças na internet.

A empresa não tirou do ar todos os vídeos feitos por crianças menores de 13 anos —algo acertado com a FTC em fevereiro de 2019. O TikTok também pagou uma multa de US$ 5,7 milhões (R$ 30,3 milhões) na ocasião.

De fato, o usuário do Reddit que teria vasculhado os códigos do TikTok diz ter encontrado vários vídeos de homens entre 40 e 50 anos fazendo duetos com meninas de oito a dez anos cantando músicas com conotação sexual. "Eu pessoalmente os vi e os reportei. (...) Esses vídeos são postados publicamente. O TikTok tem a funcionalidade de envio de mensagem direta", conta.

O que o TikTok afirma

Em nota, enviada a Tilt na quarta-feira (22), o TikTok afirmou que leva as reivindicações que chegam até eles a sério. A empresa disse ter realizado uma revisão completa sobre elas e chegou a conclusão de que "muitas delas são imprecisas ou refletem a análise de versões mais antigas do aplicativo que, em alguns casos, estão desatualizadas."

"Como parte de nossa abordagem geral à segurança, nossa equipe de segurança da informação executa um processo contínuo para verificar as vulnerabilidades de segurança e corrigi-las. Incluímos empresas de segurança de classe mundial nessas avaliações", acrescentou.

O TikTok destacou ainda que incentiva seus usuários a usar a versão mais recente do aplicativo.

Sobre a acusação de que a plataforma se trata de uma ferramenta do governo chinês, a empresa ressaltou que o app "é de propriedade de investidores globais e possui uma equipe de gerenciamento baseada em todo o mundo nos mercados em que o aplicativo está disponível."

"O TikTok não está disponível na China e não fornecemos dados do usuário do TikTok ao governo chinês e não o faríamos se solicitado", concluiu a nota.