PUBLICIDADE
Topo

Planeta Nove ou buraco negro? Estudo solucionará mistério do Sistema Solar

Conceito artístico de um planeta hipotético orbitando longe do Sol  - Caltech/R. Hurt (IPAC)
Conceito artístico de um planeta hipotético orbitando longe do Sol Imagem: Caltech/R. Hurt (IPAC)

Mirthyani Bezerra

Colaboração para Tilt

13/07/2020 15h23

Astrônomos criaram um jeito de descobrir se a massa que existe na extremidade do nosso Sistema Solar é de fato a comprovação de um "Planeta Nove", com massa até dez vezes maior que a Terra —para a alegria de quem sente falta de Plutão— ou se é um buraco negro do tamanho de uma toranja.

A ideia de um possível nono planeta no Sistema Solar é uma dúvida antiga da astronomia. Para desvendar o mistério, cientistas da Universidade de Harvard, nos EUA, e da BHI (Iniciativa Buraco Negro, sigla em inglês) estão à frente da missão LSST (Levantamento Legado de Espaço e Tempo, sigla em inglês), que vai usar os dados coletados pelo telescópio do Observatório Vera C. Rubin, ainda em construção no Chile.

A pesquisa deve verificar a existência das chamadas "explosões de acréscimo", que acontecem quando buracos negros engolem cometas ou outros objetos pequenos. Por isso, a presença delas poderia provar se o "Planeta Nove" é ou não buraco negro.

Um artigo sobre a empreitada foi aceito pelo The Astrophysical Journal Letters. A previsão é de que dentro de um ano de pesquisa os astrônomos já tenham a resposta para a dúvida, de acordo com o texto.

Segundo os pesquisadores, a descoberta terá um significado científico sem precedentes porque, além de resolver a incógnita que tem intrigado astrônomos há anos, isso abriria espaço para outras descobertas.

"A periferia do sistema solar é o nosso quintal. Encontrar o Planeta Nove é como descobrir um primo morando no galpão atrás de sua casa que você nunca conheceu", disse Loeb. "Isso imediatamente levantaria questões: por que ele está lá? Como conseguiu suas propriedades? Isso moldou a história do Sistema Solar? Há mais coisas como ele?"

O método do estudo será encontrar buracos negros observando as chamas resultantes do impacto de pequenos objetos na nuvem de Oort —região extrema do Sistema Solar cheia de objetos trans-netunianos, que seria uma espécie de "berçário" de cometas.

O telescópio chileno fará uma varredura sobre o nosso Sistema Solar repetidamente, o que dará para os cientistas uma riqueza de dados nunca antes vista. São esses dados que vão permitir que os astrônomos envolvidos na LSST investiguem a natureza misteriosa da energia que emana dessa região do espaço.

"Nas proximidades de um buraco negro, os pequenos corpos que se aproximam dele derretem como resultado do aquecimento do acúmulo de gás do meio interestelar no buraco negro", explicou um dos autores da pesquisa Amir Siraj, estudante de astronomia de Harvard.

Depois que derretem, os pequenos corpos se agitam e se acumulam sob a influência do buraco negro. Esse acréscimo causa emissão de radiação, que são flashes capazes de iluminar brevemente a imensidão escura distante do Sol.

"Como os buracos negros são intrinsecamente escuros, a radiação que a matéria emite em direção à 'boca' do buraco negro é a única maneira de iluminar esse ambiente escuro", disse o coautor Avi Loeb, presidente do departamento de astronomia de Harvard.