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Cadê a chama? Como funcionam os fogões por indução

Rodrigo Lara

Colaboração para o Tilt

09/07/2020 04h01Atualizada em 09/07/2020 17h22

Você provavelmente já viu, em algum programa de TV, pessoas cozinhando sobre um tipo de placa de vidro. O aparelho é um fogão por indução, que traz como recurso mais impressionante algo até então considerado essencial no preparo de muitos alimentos: o fogo.

Isso só é possível porque eles fazem uma interpretação própria do conceito de indução elétrica, descoberto pelos físicos Hans Christian Oersted e Léon Foucault —tema posteriormente estudado também pelo inventor croata Nikola Tesla.

fogão por indução
Imagem: Guilherme Zamarioli/UOL

Quando são alimentados pela rede elétrica, os fogões por indução funcionam como transformadores. A energia chega a um circuito chamado oscilador, que produz uma corrente alternada de 24 KHz. Essa corrente, por sua vez, é aplicada a uma bobina composta por diversos fios enrolados, que ficam abaixo do vidro que sustentará a panela, e cria ao redor dela um campo eletromagnético.

Quando o fogão é ligado, esse circuito magnético se fecha e uma grande quantidade de corrente passa a circular pela panela. Em seguida, o encontro dessa corrente com metal da panela gera perdas de energia que se transformam em calor.

O controle de temperatura é feito aumentando ou diminuindo a intensidade do campo magnético gerado pela bobina. Aqui, a relação é direta: quanto mais forte o campo magnético, mais ele será absorvido pela panela. Se a intensidade da corrente é maior, isso significa temperaturas mais elevadas.

É possível usar qualquer tipo de panela nesses fogões?

Não. Via de regra, o material da panela a ser usada precisa ser capaz de conduzir eletricidade, o que já exclui as feitas totalmente de cerâmica.

Por outro lado, materiais que conduzem muito bem a eletricidade, com alumínio ou cobre, tendem a não se dar muito bem com esse tipo de tecnologia. Neles, a corrente induzida acaba "blindando" o material e não permite a penetração dos campos elétrico e magnético.

Já metais como ferro e aço inox são os que melhor funcionam com esses fogões, pois conduzem eletricidade ao mesmo tempo em que oferecem resistência suficiente para aquecerem.

Além disso, eles têm permeabilidade magnética elevada, o que permite desviar as linhas do campo magnético, fazendo com que elas circulem preferencialmente pela estrutura do recipiente.

Por isso, uma boa forma de saber se a panela funciona ou não nesse tipo de fogão é aproximar um imã dela e ver se ele "gruda".

"Ah, mas eu vi panelas de cerâmica e alumínio que funcionam em fogões por indução". Neste caso, essas panelas possuem um fundo especial, o que as torna capazes de serem aquecidas nesse tipo de material.

Fogões por indução podem queimar a mão?

Não. Um fogão por indução, quando ligado, não produz calor. Você pode colocar a mão sobre ele e nada acontecerá.

Isso, porém, não se aplica se o fogão tiver sido usado recentemente —afinal, uma panela quente estava sobre o vidro— ou, ainda, se você tiver um anel de ferro ou aço inox em um dedo da sua mão.

A panela sobre um fogão de indução pode dar choque?

A resposta é não, porque a panela age como uma bobina de espiral única, fazendo com que o conjunto fogão por indução/panela funcione como um transformador elétrico redutor de tensão.

Como essa tensão é baixa, é insuficiente para superar a resistência elétrica do corpo humano, que é o que causaria o choque.

Um fogão por indução é melhor do que um convencional?

Isso é algo subjetivo. Em termos técnicos e de aproveitamento de energia, sim, um fogão por indução é melhor do que o convencional. Além disso, ele faz com que a panela esquente mais rápido do que em um fogão a gás, além de permitir um controle mais preciso da temperatura de cozimento.

O lado ruim é que eles são consideravelmente mais caros do que um fogão convencional. E também é preciso considerar que usá-los implica em ter um consumo maior de energia elétrica.

Fontes:
Leandro Russovski Tessler, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (IFGW-Unicamp)
Eduardo Pouzada, professor de Engenharia Eletrônica do Instituto Mauá de Tecnologia

Toda quinta, Tilt mostra que há tecnologia por trás de (quase) tudo que nos rodeia. Tem dúvida de algum objeto? Mande para a gente que vamos investigar.