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Tem até helicóptero! Por que EUA, China e Emirados vão a Marte neste mês

Visão de uma região de Marte cheia de crateras fotografada pela Agência Espacial Europeia  - NYT
Visão de uma região de Marte cheia de crateras fotografada pela Agência Espacial Europeia Imagem: NYT

Mirthyani Bezerra

Colaboração para Tilt

08/07/2020 04h00Atualizada em 08/07/2020 11h29

Sem tempo, irmão

  • O alinhamento da Terra e de Marte previsto para julho facilita missões
  • Hope Mars será a primeira missão interplanetária liderada por uma nação árabe-islâmica
  • China quer investigar a composição das rochas e trazer amostrar para Terra
  • Os chineses querem virar protagonistas nas viagens espaciais
  • EUA vai lançar um helicóptero para sobrevoar o céu de Marte

O alinhamento da Terra e de Marte previsto para acontecer durante o mês de julho vai tornar missões ao Planeta Vermelho mais fáceis —ou com menos riscos de fracasso, já que mandar uma espaçonave para lá não é uma tarefa fácil.

Três países vão aproveitar essa janela, que acontece a cada 26 meses, para lançar missões a Marte: Estados Unidos, China e, o novato, Emirados Árabes Unidos.

Os emiradenses serão os primeiros. Eles planejam lançar a missão Hope Mars no dia 14 de julho. Ela é a primeira missão interplanetária liderada por uma nação árabe-islâmica. A espaçonave deve pousar em terreno marciano em 2021 e terá duração de dois anos.

O objetivo é estudar a atmosfera, o tempo e o clima em Marte. Os resultados ajudarão a entender como Marte deixou de ser um planeta cálido e úmido para se tornar frio e deserto, como é hoje. A missão tem parceria com três universidades norte-americanas: Universidade do Colorado Boulder, Universidade Estadual do Arizona e Universidade da Califórnia em Berkeley.

China quer protagonizar

A China, por sua vez, marcou seu lançamento para o dia 23 de julho. Intitulada de Tianwen-1, a missão também será um marco para o país asiático por se tratar da primeira viagem 100% chinesa rumo a Marte. Ela será composta de um orbitador, um pousador e uma sonda de 240 kg, do tamanho de um carro de golfe.

O orbitador tem uma câmera de alta resolução, um magnetômetro e um espectrômetro mineral, que vai investigar a composição das rochas. O veículo também é composto por uma estação meteorológica, um detector de campo magnético e um radar de penetração no solo, que pode detectar o gelo abaixo da superfície a uma profundidade de cerca de 100 metros.

O sucesso da missão tem sido visto como a entrada da China no universo das explorações interplanetárias. As autoridades espaciais chinesas querem lançar em 2030 uma missão para trazer amostras marcianas.

Mas essa já é a missão do Perseverance, projeto capitaneado pelos EUA e por países da Europa. A sonda tem um pouco mais de uma tonelada e deve ser lançada no dia 30 de julho a bordo do foguete Atlas 5, da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida. A previsão é que ela pouse em Marte também em 2021.

Perseverance vai procurar sinais que indiquem a existência de vida em Marte no passado. O campo de trabalho será uma cratera de 45 km de largura onde existiu um lago e um delta há bilhões de anos. A sonda também tem como missão trazer amostras do solo marciano para serem estudadas aqui na Terra.

Como se não bastasse, um helicóptero será lançado pela primeira vez no céu de Marte. Chamado de Ingenuity, ele fará o primeiro voo de exploração de área fora da Terra. Se a missão for um êxito, a Nasa pretende incorporar helicópteros em missões futuras.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi informado no texto, a sonda Perseverance tem um pouco mais de uma tonelada, e não mais de um quilo. O texto foi corrigido.