PUBLICIDADE
Topo

App


"Não parei, mas apoio": o que dizem entregadores que trabalharam na greve

Gabriel Francisco Ribeiro e Márcio Padrão

De Tilt, em São Paulo

01/07/2020 19h54

A greve dos entregadores ocorrida nesta quarta (1º) teve uma adesão considerável, mas não chegou a paralisar totalmente os atendimentos nos aplicativos de delivery. Como em toda categoria, houve alguns profissionais que decidiram trabalhar por diversas razões, ainda que tenham apoiado os ideais do movimento.

A reportagem teve contato com alguns entregadores que "furaram" a greve em São Paulo, tanto em conversas pelas ruas na zona sul quanto em pedidos por aplicativo.

Não posso parar, não tem jeito. Tenho filho para criar. Acho que a greve pode ajudar, hoje tenho visto menos pessoas e o app está tocando mais. Gosto de fazer meus horários e ser autônomo, mas os aplicativos precisam melhorar o pagamento, só não penso em parar porque não fiz a meta
Alyson Barbosa, entregador de São Paulo

O pessoal está certo em parar. Tem muito bloqueio em apps, cliente faz sacanagem e te bloqueiam, isso aconteceu até comigo. A taxa também é o principal motivo. Trabalhei pouco tempo neles. Prefiro ser registrado, app não passa segurança nenhuma
Diego Salles, entregador fixo do restaurante Seu Sushi, em São Paulo

Sou a favor sim da paralisação, já que o aplicativo não dá nenhum suporte para o entregador. Se a gente se acidenta, não tem respaldo nenhum. Não comemos direito e é bem corrido. Tinha dias que trazia marmita e ia comer 10h 11h para não estragar. É bem corrido
Entregador não identificado

Não fui porque geralmente tem um monte de gente que está lá [na paralisação] e nem sabe por que nem o que estão reivindicando. Acho que [os apps] fazem uma exploração com as taxas. Trabalhei [como entregador] na Porto Seguro por 18 anos, mas nem posso falar tanto do iFood porque com ele estou conseguindo sustentar minha família. Mas a greve é justa, lógico
Entregador não identificado

Um entregador de um pedido por app feito pela reportagem, que não se identificou, apontou não poder parar por precisar da renda, mas concorda com as reivindicações da greve.

Apenas um dos entregadores ouvidos pela reportagem demonstrou pouco envolvimento com os motivos da greve. Lucas, que não passou o sobrenome, carregava uma mochila da Uber Eats nas costas e a bicicleta na mão em uma ladeira da Saúde.

Estou sabendo da greve, mas tenho filhos para criar e contas para pagar. Trabalho todos os dias das 10h às 15h e das 18h à 0h, ganho cerca de R$ 80 em um dia. Não tenho muitos motivos para reclamar dos apps
Lucas, entregador