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Brasileiro "pai" da estrutura dos maiores serviços do Google é premiado

O brasileiro Luiz André Barroso, vice-presidente de engenharia do Google - Divulgação
O brasileiro Luiz André Barroso, vice-presidente de engenharia do Google Imagem: Divulgação

Gabriel Joppert

Colaboração para Tilt

07/06/2020 15h21

Sem tempo, irmão

  • Primeiro brasileiro a receber o prêmio é pioneiro do design de informática
  • Eckert-Mauchly prestigia desde 1979 a excelência na arquitetura de sistemas
  • Boa parte da arquitetura da internet atual foi possível graças às ideias de Barroso

A IEEE Computer Society e a ACM (sigla em inglês para Associação para Maquinaria da Computação) anunciaram na quarta-feira (3) que o brasileiro Luiz André Barroso é o vencedor de 2020 do prêmio Eckert-Mauchly, que reconhece as maiores contribuições para a arquitetura de computadores e sistemas digitais.

Atualmente Barroso é vice-presidente de engenharia do Google. Sua equipe é responsável pela espinha dorsal dos principais serviços online da empresa.

A comissão do prêmio Eckert-Mauchly louvou o pioneirismo de Barroso ao transformar a ideia de "warehouse-scale computing" — em tradução livre, "computação em escala de armazém", ou seja, peças gigantescas de hardware, computadores e enormes centros de processamento de dados.

O brasileiro é a grande referência no design de hardware e software deste tipo de sistema em ultra-escala. Isso não é pouca coisa, já que permitiu que a computação em nuvem, motores de busca de páginas web e outros serviços complexos de internet virassem coisas comuns.

Barroso é o principal líder técnico no desenvolvimento da infraestrutura de informática do Google por boa parte dos últimos 20 anos. Ideias introduzidas por ele e sua equipe também estão presentes nas arquiteturas dos hardwares que sustentam a internet como um todo.

E isso não é bom só para o Google —a indústria dos "hyperscale data centers" (centros de dados em hiperescala) deverá, até 2022, movimentar mais de US$ 80 bilhões por ano.

Hardware mais eficiente

Bacharel e mestre em engenharia elétrica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutorado em engenharia da computação pela Universidade do Sul da Califórnia, Barroso repensou todos os aspectos dos centros de processamento de dados e do design de seus sistemas.

A ideia de se projetar um único computador massivo com milhares de CPUs em redes de banda larga e com sistemas especializados de armazenamento permitiu a eficiência e o escalonamento necessários para os serviços de internet.

Mas, para criar designs com hardwares baratos e alto poder de processamento em sistemas distribuídos, Barroso e sua equipe deram um passo além —ou, melhor um passo atrás. Eles desenharam e projetaram o hardware desde o princípio, usando componentes e peças comuns para criar servidores mais adequados ao que precisavam.

Esta busca por eficiência computacional e de custos também se deu no âmbito energético: os sistemas criados por Barroso e sua equipe permitiram que servidores gastassem muito menos energia quando em repouso. Isso foi descrito em um artigo de Barroso em coautoria com Urs Hözle.

Os hipercomputadores de Barroso fizeram dele uma referência na indústria. Se você já usou Google Earth, Google Maps ou qualquer outro serviço em nuvem do Google, você também já "trocou ideias" com as criações dele. Seu site pessoal traz links para palestras recentes do engenheiro, além de uma área sobre suas fotografias da vida selvagem.

Com a premiação, considerada a mais prestigiosa da arquitetura de sistemas digitais, Barroso se une a um grupo seleto cujas ideias moldaram o uso da tecnologia em nossos tempos.

Entre os premiados nos últimos anos estão Charles P. Thacker, que contribuiu na Xerox com sistemas de mouse/ponteiro sobre tela; Daniel Siewiorek, com décadas de contribuições na área da interação homem-computador; e Susan J. Eggers, que se dedica ao paralelismo na computação (ganhos de performance pela realização de cálculos simultâneos).