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Governo escolhe Amazon para parceria com Serpro e negocia também com Huawei

Centro de Dados do Serpro, em Brasília - Divulgação
Centro de Dados do Serpro, em Brasília Imagem: Divulgação

Helton Simões Gomes

De Tilt, em São Paulo

02/06/2020 13h31

O Serpro vai começar a oferecer seus serviços digitais na plataforma de computação em nuvem da Amazon, a Amazon Web Services (AWS), uma das maiores empresas do mundo neste segmento.

A iniciativa anunciada nesta terça-feira (2) pretende deixar mais dinâmico o funcionamento da maior estatal de tecnologia do Brasil. O Serpro oferece importantes sistemas ao governo federal, como o processamento do Imposto de Renda, e está na lista da privatização do Ministério da Economia.

O Serpro também está negociando se unir a Google, Huawei, IBM, Microsoft e Oracle nos mesmos moldes do acordo estipulado com a AWS. A estatal abriu um chamamento público, que foi atendido por estas empresas para formar seu projeto "multinuvem", diz Caio Mario Paes de Andrade, presidente do Serpro.

Este tipo de arranjo permite tanto a oferta de armazenamento em servidores públicos, caso do Serpro, quanto privados, como o da Amazon.

Segundo Antonino dos Santos Guerra, diretor de operações do Serpro, a parceria com a Amazon vai se manifestar quando a estatal atender novos clientes. Já há cerca de 100 candidatos em potencial.

Estes órgãos públicos e empresas poderão escolher se seus sistemas rodarão na nuvem do Serpro —chamada de Estaleiro— ou na da AWS.

A escolha deverá levar em conta a possibilidade técnica dos sistemas (muitos deles rodam em linguagens antigas) e as barreiras regulatórias (alguns dados não podem ser processados ou guardados fora dos servidores do governo).

A vantagem, diz a multinacional, é que a capacidade de prestação de serviços pode ser escalada de forma mais ágil, já que a ampliação de armazenamento e de processamento é facilmente contratada em ferramentas como a da AWS.

"A empresa estatal não é muito rápida para adquirir soluções. E, quando surge a demanda, os processos têm de seguir a lei. Mas o momento de transformação digital não permite essa espera", comenta Guerra.

Essa parceira não é só importante para o Brasil, mas para a região. Irá acelerar a transformação digital. Isso permite que o governo continue desenvolvendo como uma startup
Jeffrey Kratz, diretor para Setor Público da AWS para América Latina, Canadá e Caribe

Os executivos das duas empresas evitaram anunciar qual seria o primeiro fruto da parceria. O presidente do Serpro, no entanto, disse que alguns projetos em andamento já podem ser migrados para a solução da Amazon. Sem dar detalhes, citou como exemplo sistemas do Ibama, da Anvisa e do Ministério da Infraestrutura.

Privatização

Até o fim do ano passado, a expectativa do governo era que a estatal fosse privatizada ainda em 2020. Formalmente, o Serpro foi incluído no Programa Nacional de Desestatização em janeiro deste ano. Devido à pandemia, as vendas de empresas públicas foram adiadas.

Para os executivos do Serpro, as parcerias com empresas não é para transferir algumas de suas funções para a iniciativa privada de forma antecipada, mas, sim, uma forma de aumentar a eficiência da companhia.

Nossa missão é ficar mais eficiente, fazer a companhia ficar mais competitiva e fazê-la ficar mais misturada com o mercado. Se a escolha do acionista [governo federal] for privatizar o Serpro, é obvio que vai ser melhor para o Serpro estar participando dessa história inteira. Vai ter maior probabilidade de fazer um bom IPO. Este é o melhor caminho de todos os pontos de vista
Caio Mario Paes de Andrade, presidente do Serpro