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Lave as mãos! Experimento de TV com luz negra mostra como vírus se espalha

Com tinta fluorescente e luz escura, emissora mostrou como mãos podem espalhar um vírus - NHK/Reprodução
Com tinta fluorescente e luz escura, emissora mostrou como mãos podem espalhar um vírus Imagem: NHK/Reprodução

Felipe Oliveira

Colaboração para Tilt

14/05/2020 19h14

Sem tempo, irmão

  • Experimento de TV japonesa mostrou como contato manual pode espalhar doenças
  • Em 30 minutos, todas pessoas de local tinha resquícios de "vírus" nas mãos
  • Exercício mostra risco de abertura de locais como academias e salões de beleza

Um experimento conduzido pela emissora pública de televisão do Japão NHK mostrou a rapidez com que o novo coronavírus pode se espalhar em um ambiente fechado. O experimento foi realizado para mostrar como teria ocorrido a disseminação da infecção em navios de cruzeiro, onde muitos locais são compartilhados.

Para realizar o vídeo, a emissora colocou dez pessoas em um restaurante, e uma delas recebeu uma tinta fluorescente nas mãos. A intenção era simular que essa pessoa estava contaminada, tossiu nas mãos e começou a tocar nos objetos antes de higienizá-las.

Após 30 minutos de circulação normal das pessoas no local, apagou-se a luz e, para a surpresa geral, todas as pessoas possuíam resquícios da tinta fluorescente nas mãos. Além disso, o "vírus" estava sobre as tampas dos recipientes do buffet, os pegadores de comida, as jarras de suco, copos, entre outros objetos.

De acordo com o médico infectologista Éder Gatti, do Hospital Emílio Ribas, a experiência pode representar a realidade de disseminação do coronavírus.

"O vídeo é interessante porque é feito em um ambiente onde as pessoas se servem utilizando o mesmo pegador de alimentos. Ele mostra como esses objetos podem dispersar os vírus, uma vez que há o compartilhamento de contato", analisa.

De acordo com o médico, o momento atual exige que algumas medidas sejam realizadas. Em refeitórios de hospitais, por exemplo, uma única pessoa está servindo todos os funcionários.

"A colher, a escumadeira, os pegadores não ficam mais disponíveis para que cada um se sirva, ou seja, uma única pessoa serve a todos. Hoje, essa é a atitude correta", explica.

Para a infectologista do Hospital da Unicamp Raquel Stucchi, além de mostrar a maneira que o coronavírus se espalha, o vídeo ressalta a importância de se higienizar as mãos.

"A mão é o veículo mais importante de transmissão. Se tivermos alguma contaminação nas mãos e elas não forem bem higienizadas, podemos transmitir para outras pessoas. Se o primeiro rapaz tivesse higienizado as mãos antes de tocar nos objetos, nada disso teria acontecido. Essa é a mensagem mais importante desse vídeo", aponta.

Higienizar superfícies

Além da importância de lavar as mãos, o infectologista do Emílio Ribas destaca que esse experimento mostra a importância de se higienizar as superfícies de contato. De acordo com ele, é necessário redobrar os cuidados quando se está em locais compartilhados.

"Temos situações de pessoas que estão em asilos, casas de repouso de grande permanência, frequentam transporte público, etc. Locais onde as superfícies são tocadas por muitas pessoas, é necessário redobrar o cuidado. Caneta, mouse, teclado, outros objetos que eventualmente a gente faça o compartilhamento podem ter o mesmo papel. Esse vídeo mostra a necessidade de higienizar as superfícies", destacou.

Eder Gatti também aponta que o experimento é um forte argumento contra abertura de academias. No dia 11 de maio, o presidente Jair Bolsonaro incluiu academia e salão de beleza entre os serviços essenciais durante a pandemia.

"Esse vídeo também pode ser utilizado como argumento contrário à recomendação de se abrir academias ou colocá-las como serviço essencial, como foi recentemente apontado pelo Presidente da República. A academia é um local onde compartilhamos objetos e equipamentos, onde as pessoas colocam as mãos nos objetos. A pessoa fica nesse local por bastante tempo e é difícil evitar levar a mão ao rosto", finaliza.