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Em um mundo de máscaras, desbloqueio por biometria facial vira problema

Usuários de iPhones sem Touch ID são os mais afetados por mudança de hábitos - Bruna Souza Cruz/UOL
Usuários de iPhones sem Touch ID são os mais afetados por mudança de hábitos Imagem: Bruna Souza Cruz/UOL

Rodrigo Trindade

De Tilt, em São Paulo

03/05/2020 12h16

Sem tempo, irmão

  • Sistemas de desbloqueio de celular por reconhecimento facial não funcionam com máscaras
  • Usuários mais afetados são os de iPhones com Face ID, que não têm outro tipo de desbloqueio por biometria
  • Apple tenta se adaptar, enquanto concorrência tem opções mais maleáveis para contornar o novo problema

Além do impacto negativo nas vendas, as fabricantes de smartphones se depararam com mais uma surpresa por consequência pandemia do novo coronavírus: sistemas de desbloqueio por biometria despreparados para reconhecer a versão mascarada de seus usuários.

Tudo bem, Samsung, Motorola, Huawei, Xiaomi e LG mantiveram o bom e velho sensor de digital em seus celulares mais modernos. Isso significa que os donos destes aparelhos não terão a mesma dor de cabeça de quem comprou um iPhone de última geração nos últimos três anos.

Afinal, desde o iPhone X, a Apple aposentou o desbloqueio por digital, chamado de Touch ID, em prol do Face ID. É com o rosto que você destrava a tela do celular, visualiza notificações com conteúdo oculto na tela bloqueada ou autoriza pagamentos feitos por meio do Apple Pay.

O sistema é rápido e eficiente, com bom funcionamento até em situações de pouca luz, levando vantagem em relação à biometria por reconhecimento facial de smartphones concorrentes. Porém, em um mundo onde usar máscaras que cobrem metade do rosto virou recomendação ou até obrigação, toda intuitividade e agilidade proporcionada pelo Face ID foi inutilizada.

Há até orientações (não oficiais) de como fazer com que o iPhone te reconheça mesmo quando você está de máscara, mas, ao testá-las, não obtivemos sucesso. Quando o recurso não funciona, o celular coloca passos a mais para que você insira sua senha e consiga acessar o que quer. Se isso ocorre uma vez, não é um problema. Porém, como a falha vira a regra quando o usuário está de máscara, o processo mostra sua fraqueza.

Pense: quantas vezes por dia você tira o celular do bolso e o desbloqueia? Seguindo as recomendações de distanciamento social e quase não saindo de casa, minha média é 84 vezes. O número era maior quando imperava a normalidade, com viagens de transporte público, idas a mercados, shoppings e parques.

Considere que essas mais de 80 mexidas no celular resultam em um reconhecimento biométrico em falso, solicitando sua senha. São minutos a mais do seu dia gastos com um procedimento que tinha virado coisa do passado, substituído pela conveniência do Face ID — ou o equivalente em celulares que não sejam da Apple.

Mudanças e soluções

A Apple está ciente do problema, tanto que trabalha em uma otimização do processo de introdução de senha. Segundo notou o blogueiro Guilherme Rambo, a terceira versão beta do iOS 13.5 faz com que o iPhone identifique quem pega o celular de máscara e já abre a tela para inserção da senha, sem pedir que você deslize para cima.

Excetuando o recém-lançado novo iPhone SE, que usa Touch ID, como todos os celulares da marca desde o iPhone X não têm outras maneiras de desbloqueio por biometria, acelerar a forma como você coloca sua senha é o melhor que a Apple pode fazer. Daqui para frente, a empresa pode olhar para seus concorrentes e introduzir alternativas que sirvam para quando o usuário vestir uma máscara.

A mais óbvia é incluir um sensor de digitais que não ocupe parte da tela do celular, como é no caso do novo iPhone SE. As alternativas mais confortáveis são um sensor na traseira — por que não no logo, como faz a Motorola? — ou sob a tela, como é o caso da linha Galaxy desde o S10. Também existe a possibilidade de colocá-lo na lateral do aparelho, mas desta maneira a usabilidade acaba prejudicada.

Para substituir o reconhecimento facial sem exigir leitura de digitais, o site Sam Mobile lembrou de um recurso apresentado pela Samsung que acabou esquecido: biometria de íris. A função do Galaxy S8 era intuitiva como o Face ID e não seria afetada pelo uso de máscaras. Só tem um enorme porém: era muito fácil de burlá-la. Bastava uma foto do usuário castrado e pronto: íris reconhecida, smartphone liberado para o uso de estranhos.

Criar um sistema semelhante a esse, só que seguro, parece o caminho mais prático de substituir o reconhecimento facial frustrado pelas máscaras. A maior lição, entretanto, é ter um plano B, perfeitamente atendido pela comprovada eficiência das digitais.