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É cultural? Formamos pessoas para trabalhos que não vão mais existir

De Tilt, em São Paulo

04/04/2020 04h00

A era das big techs, da inteligência artificial e da inovação já chegou e assim como aconteceu com a popularização da internet quem não se adaptar irá ficar para trás. Isso vale para pessoas, empresas e países. Será que alguns empregos e empreendimentos já têm a hora para acabar? Longe do saudosismo de profissões ou métodos antigos, a tecnologia precisa de manutenção constante para continuar existindo e de longo prazo para poder dar certo.

No quinto episódio do podcast "Deu Tilt", o colunista do canal de ciência e tecnologia do UOL Ricardo Cavallini, o Cava, entrevista o engenheiro eletrônico e PHD em computação Silvio Meira, que por 12 anos foi cientista-chefe do centro de estudos e sistemas avançados do recife (CESAR) e é fundador e presidente do Porto Digital de Recife, um dos principais parques tecnológicos e ambientes de inovação do Brasil

Meira foi direto em apontar uma relação entre geração de empregos e tecnologia. Ele ressaltou que vivemos um problema profundo, cultural e filosófico e que sem um debate amplo será difícil ao menos saber quais problemas estamos realmente atacando (ouça a partir de 06:17).

"Será que o novo emprego que é gerado através do processo de transformação digital e indústria 4.0, 5.0, 6.0 é o emprego que existia antes? Será que estamos formando pessoas para trabalhos que não existem mais? Para empregos que não vão mais existir? Será que estamos dando uma falsa segurança a elas? Pior ainda, será que estamos estimulando toda uma geração a empreender coisas que não têm futuro?", provocou o engenheiro eletrônico.

Quando o assunto foi o investimento e dinheiro no Brasil, Cava perguntou a Silvio o que o país pode fazer com pouca grana no campo da tecnologia, que elencou que a diferença entre a barbárie e a civilização é a manutenção (a partir de 22:04).

"Ou a gente usa uma parte do pouco do dinheiro que a gente tem para manter o que a gente já criou, ou a gente vai estar permanentemente jogando fora o que já criou e tendo que fazer de novo. Então, a primeira coisa para fazer é manter o que existe", pontou Meira.

Meira ainda ressaltou a importância das políticas públicas que fizeram com que o parque tecnológico Porto Digital existisse e fez questão de relembrar o quanto projetos como esse só podem ser pensados em longo prazo (a partir de 37:14).

"Quando essa política pública chamada Porto Digital começou ali em 2000, você contava nos dedos as pessoas que tinham a expectativa de que ela desse certo [...] Foram precisos 20 anos para mostrar que é possível. Mas não significa que deu certo ainda, o tempo de maturação de um parque tecnológico ou de um ecossistema de inovação como é mais apropriado a gente denominar o Porto Digital, é de 20 a 40 anos[...] Resultados de curto prazo não existem. Quando aparentemente são de curto prazo é porque tem uma quantidade imensa de trabalho de longo prazo que foi feita", alertou Silvio.

Silvio Meira detém as ordens nacionais do Mérito Científico [1999], do Rio Branco [2001] e a medalha do conhecimento do Mdic [2008]. É autor do livro 'Novos negócios inovadores de crescimento empreendedor no Brasil', pela Casa da Palavra.

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Plano Nacional de IoT

Consulta pública para Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial

Governo lançou 9 laboratórios de IA

Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)

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E-Ciber (Estratégia Nacional de Segurança Cibernética)