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Covid-19: Uber Eats testa farmácia no app e isenta taxas de entregas

Uber Eats irá isentar taxas de restaurantes e quer impulsionar estabelecimentos independentes - Joel Carillet/Getty Images
Uber Eats irá isentar taxas de restaurantes e quer impulsionar estabelecimentos independentes Imagem: Joel Carillet/Getty Images

Gabriel Francisco Ribeiro

De Tilt, em São Paulo

20/03/2020 12h40

Sem tempo, irmão

  • Uber Eats implanta medidas para ajudar principalmente pequenos restaurantes
  • Estabelecimentos independentes serão isentos de taxa de entrega no app
  • Entregadores serão pagos se contraírem doença e podem fazer entrega sem contato
  • Uber Eats ainda começou a testar a entrada de farmácias dentro da plataforma

O Uber Eats, braço da Uber voltado a entregas de comida, está se adaptando ao mundo em meio ao coronavírus. O aplicativo está testando colocar farmácias na plataforma para facilitar o acesso a medicamentos e ainda isentará restaurantes médios e independentes da taxa de entrega.

Com a necessidade das pessoas ficarem em casa e praticarem o distanciamento social, os restaurantes sofrerão um grande impacto com a Covid-19. Muitos deles têm visto nos aplicativos de entrega uma solução para passar por essa crise sem ter que fechar as portas.

O Uber Eats não fala em crescimento do aplicativo em locais já com quarentena imposta, como alguns países da Europa, e diz apenas querer "ajudar as comunidades". Mesmo assim, é natural que esse braço da Uber seja reforçado em um momento em que as corridas no app principal serão bem reduzidas - já houve queda de 70% em cidades com medidas rígidas como Seattle.

Veja as medidas tomadas pelo Uber Eats:

Isenção de taxas

As primeiras medidas já adotadas pelo aplicativo são voltadas aos restaurantes. A promessa da plataforma é dar incentivos aos restaurantes pequenos e médios, que podem ser mais afetados pela pandemia.

Desde a noite da última quinta (19), os usuários já receberam notificações do app orientando para que as pessoas apoiem a comunidade e façam pedidos de restaurantes locais. A taxa de entrega será grátis para esses estabelecimentos.

"Temos 60% dos restaurantes independentes que vão ser muito impactados com as pessoas não indo comer nos lugares. Então todos os pedidos desses restaurantes pequenos e médios serão entregues de graça. Entregas de graça geram um boom na plataforma. Nós testamos no Brasil e vimos aumento de 45% nos pedidos dos restaurantes. A Uber vai cobrir os custos da entrega", disse ao Tilt Eduardo Donnelly, diretor geral do Uber Eats na América Latina.

O Uber Eats ainda fará um marketing gratuito dentro do aplicativo e em plataformas como email para aumentar a visibilidade dos pequenos restaurantes. Além disso, todos os restaurantes da plataforma serão isentos da taxa de retirada para pedidos em que o usuário opte por ir buscar pessoalmente.

Estratégias parecidas de apoiar estabelecimentos também têm sido feitas por outros apps. O iFood, por exemplo, prometeu destinar R$ 50 milhões do seu faturamento para um fundo de apoio a restaurantes, principalmente os independentes. O app também vai devolver o valor da entrega por retirada nos estabelecimentos, como o Uber Eats. Isso só funcionará, contudo, a partir do dia 2 de abril.

Já o Zé Delivery, de entregas de bebidas, tem oferecido incentivos para que pequenos bares e comércios locais entrem na plataforma.

Pagamento no dia

Uma outra novidade do Uber Eats para restaurantes será a possibilidade de receber o pagamento das entregas a cada dia para melhorar o fluxo de caixa dos estabelecimentos. Antes, esses pagamentos eram feitos semanalmente.

"Os restaurantes nos falaram que o volume dentro da loja diminuiu muito e por causa do distanciamento as pessoas vão menos para o restaurante, então eles querem ajuda. Agora o dinheiro para eles é muito importante, tem inventário e funcionários. Mudamos temporariamente de semanal para diário o pagamento", afirmou Donnelly.

Da mesma forma, o iFood também anunciou uma mudança e passará a realizar seus pagamentos aos restaurantes semanalmente.

Entregas sem contato

Os entregadores também serão afetados por medidas tomadas pelos aplicativos. Na base da informalidade e "linha de frente" nesse momento de distanciamento social, eles serão orientados a deixar pedidos nas portas dos clientes para evitar o contato social.

"O entregador acaba precisando estar na rua e por isso estamos agora abrindo a possibilidade da entrega sem contato. Eles pegam a comida e entregam na porta sem entrar em contato com o usuário que pediu e isso permite o distanciamento", conta Donnelly.

O iFood tem feito estratégia parecida, em que a entrega pode ser combinada por mensagem com o entregador para evitar o contato social.

Os entregadores que forem acometidos pelo coronavírus ainda serão pagos por 14 dias pelo Uber Eats, assim como ocorrerá com os motoristas da Uber. Estratégia semelhante tem sido adotada pela 99 e 99 Food, que dará assistência financeira para motoristas e entregadores. Já o iFood criou um fundo de R$ 1 milhão para entregadores que precisem ficar de quarentena,

O Uber Eats diz ainda ter reforçado comunicados para que restaurantes trabalhem a prevenção ao empacotar os pedidos.

Teste de farmácias

Diferentemente do Rappi, que "entrega de tudo", o Uber Eats é apenas focado em alimentos. Isso, contudo, pode mudar em breve. A plataforma tem testado colocar farmácias no aplicativo para facilitar o deslocamento de medicamentos para quem precisa.

"Nós estamos testando duas coisas no Brasil: farmácias e também lojas de conveniência. Queremos facilitar o acesso do consumidor aos itens delas. Estamos trabalhando com esses locais para construir isso e é parte da nossa estratégia", apontou Donnelly.

Por enquanto, existem apenas testes pilotos disso no Brasil e no exterior, sem um prazo para ser integrado de vez à plataforma.

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