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Deu Tilt #2: Impressora 3D nos dará novos órgãos e, quem sabe, vida eterna

De Tilt, em São Paulo

14/03/2020 04h00

Falta pouco para termos órgãos feitos em impressora 3D. Quer trocar de pele? Imprimir pode ser o futuro. "A pele é o primeiro órgão que teremos [com a técnica]", acredita Janaina Dernowsek, CEO da BioEdTech e da Bio.inn, especialista em impressão de tecidos.

Ao lado do colunista Ricardo Cavallini, o Cava, e de Bruno Aragão Rocha, médico radiologista do time de inovação do Grupo Fleury, ela comenta o impacto de novas tecnologias na medicina, no segundo episódio do nosso podcast de ciência e tecnologia, o "Deu Tilt" (ouça no arquivo acima o programa).

"Nós utilizamos a tecnologia de bioimpressão de tecidos para reproduzir e recapitular algumas funções biológicas", explicou Dernowsek. "Você imprime uma pele humana sintética exatamente igual a uma pele humana e usa para testar cosméticos, tratamentos contra o câncer ou reproduzir tumores, por exemplo. Isso já está sendo testado mundialmente." (a partir de 26:01 no programa acima)

Um dos objetivos, diz a especialista, é chegar a uma droga específica para cada paciente, que forneça um tratamento personalizado. E, dentro de algumas décadas, é bem provável que os órgãos passem a ser impressos e transplantados. "A ideia é realmente reproduzir o órgão inteiro, a funcionalidade inteira sistêmica, para poder transplantar e diminuir a lista de espera dos transplantes." (a partir de 28:00)

O humorista Carioca (Márvio Lúcio) perguntou: É possível fazer um fígado novo para o Zeca Pagodinho? A especialista ressaltou que isso ainda não é uma realidade. "Mas os esforços estão acelerados, não só no Brasil, mas no mundo todo". Existe dois desafios principais: o tecnológico, de produzir a peça numa escala perfeita, e o químico, de alcançar materiais compatíveis. (a partir de 28:36)

"Nós precisamos de materiais que sejam fáceis de manipular para passar por um bico de extrusão, por exemplo. Esses materiais na biologia, na biotecnologia, são as células, as proteínas e polímeros compatíveis, biopolímeros, biocerâmicas e até materiais particulados que tenha uma função de otimizar essa nossa biotina [células vivas, como a célula-tronco]." (a partir de 29:24)

Já existem, no entanto, vários materiais verificados, que não causam rejeição, tecidos impressos —"a gente pode até chamar de aglomerados de células" — e a expressão de algumas funções, inclusive a vascularização.

E o cérebro, vamos ter um dia? "Acredito que sim, porém a memória envolvida acredito que não", disse a especialista. (a partir de 37:54)

Mas, pela ordem, deveremos ter antes pele, córnea, traqueia, uretra, cartilagem, glândulas... provavelmente então teremos fígado e rim. (a partir de 39:00)

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Referências citadas: