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Aula pelo WhatsApp e Skype: italiana diz como coronavírus mudou sua rotina

Pessoas usam máscaras para se proteger do Coronavírus na cidade de Milão, na Itália - Josi Donelli/TheNews2/Estadão Conteúdo
Pessoas usam máscaras para se proteger do Coronavírus na cidade de Milão, na Itália Imagem: Josi Donelli/TheNews2/Estadão Conteúdo

Bruna Souza Cruz

De Tilt, em São Paulo

12/03/2020 04h00

As últimas semanas têm sido cheias de incertezas e dias de adaptação para quem vive na Itália, principalmente na região da Lombardia, norte do país. O estado de quarentena foi ampliado e todas as escolas foram fechadas diante do crescimento do novo coronavírus (Sars-cov-2). Para não saírem ainda mais prejudicados, professores e alunos agora tentam juntos se acostumar com uma nova realidade: a de aulas 100% online.

A italiana Vanessa Bertaina, 35, é uma das profissionais que passam por essa fase de adaptação forçada. Ela trabalha como professora de inglês em Savigliano, na região de Piemonte, no norte da Itália. Há cerca de uma semana começou a conversar com seus alunos, com idades entre 14 e 18 anos, apenas pela internet, já que não pode sair de casa.

A solução encontrada pela professora foi então usar grupos no WhatsApp, Telegram e videochamadas pelo Skype para manter a rotina escolar dos estudantes.

A tecnologia está ajudando todos a se sentirem unidos e menos solitários de um lado. Fiquei bastante surpresa ao receber tanto interesse e resposta dos alunos. No final do dia, eles perdem a escola, mas eles têm a possibilidade de manter contato com outros por meio de seus telefones. Isso lhes dá uma sensação de segurança e confiança em relação a toda a situação
Vanessa Bertaina

Professora italiana Vanessa agora dá aulas 100% virtuais já que precisa evitar sair de casa - Arquivo pessoal
Professora italiana Vanessa agora dá aulas 100% virtuais já que precisa evitar sair de casa
Imagem: Arquivo pessoal

Por outro lado, a professora também tem observado que muitos professores italianos não estão acostumados ao uso da tecnologia na sala de aula. Por isso, ela acredita que alguns vão enfrentar bastante dificuldade em manter suas aulas 100% virtuais.

"Estamos usando mais tecnologia [após o crescimento da doença]. O problema é que as instituições ainda são bastante antiquadas. Muitos professores acham realmente difícil o seu uso. Então, cabe a nós, professores mais jovens, encontrar métodos alternativos. E todos estamos tentando dar o nosso melhor", destacou Bertaina. "Pessoalmente, acho que todo o processo de ensino precisa mudar e se adaptar à tecnologia. Eu acho que as coisas vão mostrar o quão importante ela é."

Bertaina também explica que, apesar de as instituições de ensino trabalharem com softwares de aulas online, a maioria é desenvolvida para funcionar em computadores. É uma realidade que complica a adesão de alunos às aulas virtuais, já que eles usam muito mais o celular do que qualquer outra coisa.

"Os estudantes hoje em dia nem sabem usar um computador. Eles têm celulares. Então, eu uso mesmo o Telegram e o Skype. Os alunos estão mais familiarizados com esses programas do que com outros", explicou Bertaina.

"No começo, eu estava fornecendo mais material para trabalhar [lição de casa]. No início, o bloqueio deveria durar mais ou menos uma semana. Mas depois mudei para aulas em vídeo. Não em tempo real, porque seria injusto com as famílias. Elas estão se esforçando ao máximo para cuidar de seus filhos e eu não posso monopolizar o tempo deles assim. Mas a tecnologia está ajudando", acrescentou.

Diante do problema enfrentado pelo novo coronavírus, o governo italiano lançou um projeto de "solidariedade digital", que une empresas que estão interessadas em oferecer seus serviços gratuitamente para a população durante o período de quarentena. Algumas companhias de educação aderiram e já estão oferecendo cursos e aulas virtuais.

O coronavírus pelo mundo

Nesta quarta-feira (11), a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou pandemia do novo coronavírus. Até o último balanço, a Covid-19, doença respiratória causada por ele, infectou mais de 118 mil pessoas no mundo e 4.291 mortes. O maior número de infecções aconteceu na China, país onde os primeiros casos surgiram.

A Itália é o segundo país com o maior índice de infectados. Até terça, ela havia registrado mais de 10,1 mil casos e 632 mortes. Na segunda-feira (9), o governo italiano decretou estado de quarentena para todo o país e passou a restringir a entrada e saída de pessoas na região pelo menos até 3 de abril.

A recomendação e de que a população fique em casa. O deslocamento entre cidades está proibido, salvo exceções, que precisam ser justificadas mediante a apresentação de documento oficial que explique a necessidade. Quem não cumprir, pode levar multa.

Veja algumas das restrições impostas com o novo decreto italiano:

  • Reuniões públicas ficam proibidas;
  • Escolas, universidades e museus ficam fechados;
  • Discotecas e bingos não podem abrir;
  • Lojas, supermercados e outros estabelecimentos comerciais podem abrir, mas os frequentadores devem respeitar a distância mínima de um metro de distância entre eles;
  • Missas, casamentos e funerais estão proibidos;
  • Bares e restaurantes deverão fechar após 18h.

O Brasil tem mais de 37 casos confirmados, 876 suspeitos e 880 descartados.

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