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Células-tronco vão ao espaço para virar tecidos e facilitar transplantes

Parte dos 250 tubos de ensaio com células-tronco humanas, prontos para serem alteradas para tecido semelhante a órgão na Estação Espacial Internacional - Julian Raatschen/Airbus
Parte dos 250 tubos de ensaio com células-tronco humanas, prontos para serem alteradas para tecido semelhante a órgão na Estação Espacial Internacional Imagem: Julian Raatschen/Airbus

Felipe Oliveira

Colaboração para Tilt

09/03/2020 16h20

A missão Space X CRS-20 chega à Estação Espacial Internacional nesta segunda-feira (9) levando 250 tubos de ensaio com células-tronco humanas. Elas foram condicionadas para se desenvolver como ossos, cartilagens e outros órgãos durante o mês que ficarão no espaço.

O experimento em tecidos humanos com ausência de gravidade pode trazer grandes avanços para os transplantes. O professor Oliver Ullrich e a doutora Cora Thiel, ambos do laboratório especial da Universidade de Zurique e coautores da pesquisa, esperam usar a "leveza como uma ferramenta".

A ideia é que a baixa gravidade a bordo da Estação Espacial Internacional permita que as células recém-formadas se organizem em tecidos tridimensionais, sem uma matriz adicional ou outras estruturas auxiliares.

O experimento será realizado em um laboratório móvel da empresa americana Space Tango. O módulo consiste em um sistema fechado e estéril, no qual as células tronco podem proliferar e se diferenciar à temperatura constante.

"Forças físicas como a gravidade parecem críticas na diferenciação celular e organização da formação e regeneração de tecidos. Como as células exibem crescimento irrestrito espacialmente e podem se agrupar em agregados 3D complexos em microgravidade, a órbita baixa da Terra pode possibilitar a fabricação de estruturas de tecidos humanos", diz a empresa.

Caso o experimento seja bem sucedido, no futuro poderemos gerar tecidos, como cartilagens ou células-hepáticas, a partir de células-tronco colhidas de pacientes. Além disso, o estudo pode reduzir o número de experimentos com animais.

"O tecido humano autólogo produzido artificialmente pode ser usado para determinar qual combinação de medicamentos é a mais adequada para o paciente em questão", disse à publicação o professor Oliver Ullrich.

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