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Como estudantes ajudaram em descoberta inédita sobre buracos negros

Pesquisadores observam o Rexis, espectrômetro de raios X usado na sonda Osiris-Rex - Divulgação/Nasa
Pesquisadores observam o Rexis, espectrômetro de raios X usado na sonda Osiris-Rex Imagem: Divulgação/Nasa

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

05/03/2020 12h53Atualizada em 05/03/2020 14h27

Sem tempo, irmão

  • Buraco negro foi visto na constelação Columba, a 30 mil anos-luz de distância
  • As imagens foram captadas pelo Rexis, instrumento de leitura de raios X na sonda Osiris-Rex
  • É a primeira vez que um buraco negro é percebido a partir de uma sonda no espaço
  • Esse aparelho é controlado por estudantes e pesquisadores da MIT e de Harvard
  • Iniciativa Rexis está preparando cientistas e engenheiros para operar instrumentos de naves

Pela primeira vez na história, a Nasa detectou um buraco negro a partir de uma sonda no espaço sideral. E isso aconteceu sem querer. Enquanto realizava observações das bordas do asteroide Bennu, a missão Osiris-Rex registrou o forte brilho de um buraco negro na constelação Columba (ou pomba), a 30 mil anos-luz de distância.

E quem percebeu foi uma iniciativa formada por estudantes. As imagens foram captadas pelo instrumento Rexis (Regolith X-Ray Imaging Spectrometer), um espectrômetro de imagens de raio X que está a bordo da sonda. Ele foi proposto, desenvolvido e é operado por alunos e pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e da Univerisade de Harvard.

O buraco negro em questão é o Maxi J0637-043, recém descoberto pelo telescópio japonês Maxi e também identificado pelo Nicer (sigla para Explorador de Composição do Interior de Estrelas de Nêutrons), ambos a bordo da ISS (Estação Espacial Internacional), na órbita terrestre.

O Rexis, por sua vez, detectou a atividade radioativa a partir do espaço interplanetário, a milhões de quilômetros de distância da Terra. E isso é inédito.

Explosões brilhantes de raios X, como a registrada no buraco negro, só conseguem ser observadas do espaço, já que a atmosfera terrestre protege nosso planeta da radiação.

Essas emissões acontecem quando um buraco negro puxa matéria de uma estrela normal ao seu redor. Assim que essa matéria se move em espiral para o centro do buraco, uma enorme quantidade de energia é liberada, principalmente na forma de raios X.

O registro casualmente aconteceu no dia 11 de novembro do ano passado e foi divulgado esta semana pela Nasa. "Ficamos intrigados pois não havia nenhum objeto catalogado naquela posição no espaço", disse Branden Allen, pesquisador de Harvard e supervisor dos estudantes. Ele foi o primeiro a perceber a anomalia nas imagens, no comunicado da agência espacial.

"Detectar explosões de raio X é um momento de muito orgulho para a equipe do Rexis. Significa que nosso instrumento está com o desempenho previsto, atingindo os altos padrões da Nasa", disse Madeline Lambert, estudante do MIT que desenhou as sequências de comando do instrumento.

Do tamanho de uma caixa de sapatos, o Rexis foi projetado para medir os raios X que o asteroide Bennu emite em resposta à radiação solar. Raios X são uma forma de radiação eletromagnética, como a luz visível, mas com energia muito mais alta.

Um dos principais objetivos do Rexis é preparar a nova geração de cientistas, engenheiros e gerentes de projetos para o desenvolvimento e a operação de instrumentos para naves espaciais. Cerca de 100 estudantes de graduação e pós-graduação trabalharam no projeto desde a concepção da missão.

"A maior lição, no fim das contas, é sempre estar aberto a descobrir o inesperado", concluiu o professor Richard Binzel, do MIT.

Lançada em setembro de 2016, a Osiris-Rex viajou mais de dois anos até o asteroide Bennu E agora está o mais perto que já chegou dele. Na quarta (4), a sonda fez um sobrevoo a apenas 250 metros de sua superfície, para fazer imagens de alta definição e encontrar o melhor ponto para coleta de amostras do solo —e, possivelmente, de material orgânico e vestígios de água. As coletas devem acontecer até a metade deste ano.

O objetivo da missão é estudar a composição e comportamento do asteroide, para compreender melhor a origem do Sistema Solar e da vida na Terra. E também prever uma possível colisão com nosso planeta. Ela deve orbitar Bennu até março de 2021 e, então, iniciar seu regresso, devendo chegar aqui com as amostras em 2023.

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