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Já dá para prever os riscos de ter um infarto ou derrame usando IA

Inteligência Artificial conseguiu detectar mais fácil os riscos das doenças - iStock
Inteligência Artificial conseguiu detectar mais fácil os riscos das doenças Imagem: iStock

Mirthyani Bezerra

Colaboração ao Tilt

17/02/2020 11h59

Sem tempo, irmão

  • Pesquisadores conseguiram usar IA para analisar mais rápido riscos de infarto e derrame
  • Eles conseguiram calcular o fluxo sanguíneo e comparar com valores-limite das doenças
  • Quem tinha o fluxo sanguíneo reduzido estava mais vulnerável
  • O diagnóstico imediato permite tratamento mais eficaz e adequado

Você aí conhece alguém que já teve um ataque do coração ou sofreu um derrame? Doenças cardiovasculares são bastante comuns e, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), são algumas das principais causas de morte no mundo. Já pensou se existisse uma ferramenta capaz de prever e determinar os riscos que cada um de nós possui de morrer por conta de uma dessas doenças?

Ao que tudo indica, essa tecnologia está bem próxima de existir. Pesquisadores britânicos e americanos descobriram como fazer essas previsões usando um sistema de inteligência artificial. O estudo, publicado na sexta-feira (14) na revista Circulation, reuniu os resultados de ressonâncias magnéticas cardiovasculares feitas em mais de mil pacientes no Hospital St Bartholomew e no Royal Free Hospital, ambos em Londres, usando uma nova técnica automatizada de inteligência artificial para analisar as imagens.

Com o sistema inteligente, os computadores conseguiram calcular o fluxo sanguíneo dos pacientes— a quantidade de sangue e a velocidade com que ele passa pelas nossas veias e artérias— na medida em que eles eram submetidos à ressonância, e passaram a associar os resultados a alguns indicadores limites ligados aos riscos de morte ou de problemas cardiovasculares.

A equipe descobriu que os pacientes com fluxo sanguíneo reduzido eram mais propensos a ter resultados adversos à saúde, incluindo morte, ataque cardíaco, derrame e insuficiência cardíaca. Quando esse processo é lento (pode ser resultado do entupimento parcial ou total das artérias), o coração acaba recebendo menos oxigênio, situação propícia para que as doenças afetem o paciente.

Durante o uso do sistema de inteligência artificial, os resultados eram entregues imediatamente aos médicos para que eles pudessem tomar as devidas providências entre os participantes do estudo. Até então esses cálculos com a probabilidade dos riscos ao paciente eram feitos manualmente, o que, muitas vezes, atrasava o diagnóstico e dificultava o início do tratamento.

"Este estudo demonstra o crescente potencial da tecnologia de imagem assistida por inteligência artificial para melhorar a detecção de doenças cardíacas e, assim, poder aproximar os médicos de uma abordagem de medicina de precisão para otimizar o atendimento ao paciente", afirmou Peter Kellman, do Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos EUA, que desenvolveu as técnicas automatizadas de inteligência artificial para analisar as imagens usadas no estudo.

Segundo a OMS, estima-se que 17,9 milhões de pessoas morreram em decorrência de doenças cardiovasculares em 2016, levantamento mais recente feito sobre o tema pela organização. Dessas mortes, 85% foram causadas por ataque cardíaco e derrame.

Para Jeremy Pearson, diretor médico associado da Fundação Britânica do Coração, que patrocinou a pesquisa, a pesquisa mostra o enorme potencial do uso da tecnologia para melhorar a maneira como prevemos o risco de uma pessoa sofrer de doenças cardíacas e circulatórias. "Esse avanço pode finalmente permitir que os médicos ofereçam aos pacientes com doenças cardíacas uma terapia mais personalizada e direcionada para evitar um futuro ataque cardíaco", disse.