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Briga na sala: LG quer esconder a TV, e Samsung ostentar; quem ganha?

Qual será o futuro da televisão na sala da sua casa?  - Arte UOL
Qual será o futuro da televisão na sala da sua casa? Imagem: Arte UOL

Fabiana Uchinaka e Gabriel Francisco Ribeiro*

De Tilt, em Seul (Coreia do Sul) e Las Vegas (Estados Unidos)

13/02/2020 04h00

Sem tempo, irmão

  • Samsung e LG adotam estratégias opostas para fisgar consumidor na "TV do futuro"
  • Samsung exalta a TV como centro do ambiente e até objeto de decoração...
  • ...enquanto a LG tem tecnologia que esconde a TV e permite novos usos do ambiente
  • Fabricantes são das duas maiores no setor, além de rivalizarem na Coreia do Sul

As primeiras pistas começaram a surgir no ano passado. A LG finalmente mostrou a primeira tela "enrolável". Depois veio a Samsung com a "The Wall", uma tela totalmente modular, e o trio da linha estilo de vida (The Frame, The Seriff e The Sero), que transforma a TV em obra de arte, móvel de design ou celular gigante, respectivamente. As fabricantes sul-coreanas, líderes do mercado, consolidam um novo caminho para os aparelhos que nos alimentam de séries, filmes, novelas e grandes partidas.

Sim, a resolução 8K e as funções com inteligência artificial chegaram com força total e são a grande aposta tanto da Samsung quanto da LG. Mas também há uma clara tentativa de repensar o retângulo preto no meio da sala. Você vai assistir à Netflix com oito vezes mais definição muito antes do que imagina, e aí cabe a você escolher: numa tela camuflada ao ambiente, num móvel de design (como era antigamente) ou escondida no teto?

Por que ostentar a TV?

"Uma TV dobrável ou 'enrolável' não é o caminho que perseguimos. Queremos integrar a TV ao ambiente, e não escondê-la ou tirá-la da sala. Se depender de mim, coloco telas em tudo". É assim que Jong-hee Han, presidente da divisão de telas da Samsung, define sua visão sobre o futuro das televisões. Telas em tudo quanto é lugar - e até quase sem bordas, como mostrado na CES 2020.

A estratégia da Samsung realmente é clara: colocar a televisão no centro da sua vida e jamais escondê-la - na verdade, até indo além, e deixando o objeto mais ainda no centro de tudo. Isso começou já em 2018 com o lançamento das primeiras Qleds com a função "Modo Ambiente" - dessa maneira, a Samsung iniciava o apelo pelo fim da "tela preta", tornando a televisão um objeto atrativo para o ambiente até quando desligada.

Divulgação/Samsung
Imagem: Divulgação/Samsung

Ela não parou por aí. A 'The Frame' veio para superar tudo em termos de design e de como a televisão pode ser repensada. O modelo tem um design especial para parecer que é uma obra de arte na sua casa - seja pendurada com uma moldura de madeira dos lados ou apoiada em um tripé. E, de fato, é capaz de exibir obras de arte: há uma vasta coleção interna de obras que podem ser colocadas na tela da televisão.

Da 'The Frame' a Samsung passou para uma escolha ousada. Com a 'The Sero' ("Sero" significa "vertical", em coreano), você pode alternar entre a tela na horizontal ou na vertical, como acontece com um smartphone. Após lançamento inicial na Coreia do Sul, no ano passado, agora o modelo voltado para os "millennials" será vendido no mundo todo. A ideia aqui é que a tela fique num suporte moderno e tenha outros recursos de exibição para quando não está em uso.

"Daqui a cinco ou dez anos, os millenials com certeza vão mudar a usabilidade da TV. Isso que dizer nuvem, acessórios e IoT [internet das coisas]. Vários competidores estão entrando no mercado, por isso vamos ficar no segmento premium e no lifestyle, criando a demanda por 8K, MicroLed e telas maiores de 75 polegadas, com melhores acessórios", explicou Yedi Jangm, diretor de planejamento da mesma divisão.

O modelo 'The Sero' rendeu boas vendas na Coreia do Sul e chega neste ano ao Brasil, segundo a Samsung confirmou ao Tilt. Ele ainda rende opiniões divergentes, mas certamente tem seu nicho: enquete no Instagram de Tilt aponta para 62% de rejeição e 38% de aprovação. Mas revolucionária mesmo é a gigante 'The Wall'.

The Wall é apresentada em versão 8k de 292 polegadas - Divulgação/Samsung
The Wall é apresentada em versão 8k de 292 polegadas
Imagem: Divulgação/Samsung

Com a The Wall, o usuário ganha uma parede 8K modulável, que pode ser programada para funcionar como um telão de até 256 polegadas (7,4 metros na diagonal), como múltiplas telas ou como uma mistura de função decorativa com parte da tela transmitindo um programa, por exemplo. A tela aqui é a MicroLed, um tipo totalmente novo de Led.

Esse modelo já está à venda e é a televisão mais impressionante do momento - a imagem parece ser 3D de tanta qualidade que rola internamente. Ela, contudo, conta com alguns problemas, como o fato da tela emitir muito calor - imagina a conta de luz disso também, né?

Há ainda a 'The Serif'. A abordagem dela é voltar para o tempo em que a TV era um móvel de decoração. O modelo foi criado para ficar numa moldura de metal branco desenhada por designers franceses premiados, e que pode ganhar pé pretos. A tela tem funções parecidas com a 'The Frame' e serve para exibir imagens bonitas quando a TV não está sendo usada.

Por que esconder a TV?

Bom, todos os modelos da Samsung são interessantes, mas não revolucionam de jeito nenhum a televisão em um ponto: ela continua sendo um objeto grande dentro da sala, praticamente imóvel e de difícil manejo se quiser ser transportado de um lugar para o outro. E é exatamente nisso que a LG muda a televisão.

Em 2018, ela apresentou pela primeira vez, meio na surdina, um protótipo de uma televisão enrolável, que se enrola como um jornal em uma base. No ano seguinte ela foi apresentada oficialmente e em 2020 ganhou uma nova versão, cuja base fica no teto e a TV desce de cima para baixo. Esse segundo modelo é um protótipo apresentado na CES 2020 e a LG ainda não sabe se de fato colocará ele à venda, esperando resposta de consumidores.

TV enrolável da LG agora vem em versão em que desce do teto - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
TV enrolável da LG agora vem em versão em que desce do teto
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Só tem um problema: a tal da TV enrolável ainda não foi para as lojas. Ela foi prometida pela empresa para vendas ainda em 2019, o que não se confirmou, e a promessa agora é que ela seja de fato vendida em 2020. Sendo assim, ainda não temos nem sequer ideia do preço que vai custar um negócio desse.

"A enrolável vai ser comercializada em 2020, primeiro nos Estados Unidos e Coreia do Sul. Não sabemos ainda se vai para o Brasil", apontou Igor Krauniski, gerente de produtos de TV da LG do Brasil.

Os benefícios de uma televisão como essa são claros. Ela funciona em uma pequena base (seja no móvel ou no teto), onde a televisão pode ser enrolada ou desenrolada. Sendo assim, ela não permanece mais como um objeto grande e imóvel na sala - o espaço antes ocupado por ela poderia ser preenchido por outro elementos enquanto ela não está sendo usada.

Além disso, o equipamento deve ganhar benefícios claros de mobilidade. Não é possível saber o peso dessa base com a TV enrolada, mas mesmo que seja grande é mais fácil transportar só uma base do que uma televisão inteira nos padrões atuais, né?

Apesar de seguir outro caminho em relação à grande rival com a TV enrolável, a LG não abandona também o modelo tradicional de televisões. Isso ficou claro na CES com equipamentos até bem semelhantes aos da competidora.

A marca, por exemplo, mostrou na feira de tecnologia um televisor bem parecido com o 'The Frame' da Samsung, com molduras digitais sendo criadas nas bordas da tela para parecer com obra de arte. Além disso, a LG também mostrou seu protótipo de televisão com MicroLed, mostrando ser capaz de alcançar a tecnologia.

O melhor está por dentro

Bom, tudo isso é bacana em termos de design. Mas o melhor mesmo está por dentro dos televisores, com novidades que turbinam e muito a tecnologia por trás do processamento de imagens e áudios.

Para começo de conversa, ambas as marcas exaltam bastante a capacidade de seus respectivos processadores de imagens. Esses equipamentos praticamente passam a ser tão importantes em aparelhos de TV como são em celulares, capazes de melhorar automaticamente a imagem e fazer o melhoramento para 8K de conteúdos que não foram criados nessa resolução - por falar nisso, as duas marcas brigam forte pela coroa do "8K real".

Na briga Qled x Oled, a LG sempre se destacou pela Oled ter um "preto mais preto" e contraste melhor de cores, mas viu a tecnologia concorrente se aproximar. Por outro lado, a marca passou a refutar os argumentos de que o "burn-in" era mais provável em seus televisores, algo que a Qled historicamente se sobressaía.

A LG ainda trouxe aos seus televisores um novo modo chamado "filmmaker", feito em parceria com diretores de Hollywood e que faz com que filmes sejam mostrados em televisões da mesma forma como eles foram pensados por grandes diretores de cinema. A marca também apontou que seus produtos passam corrigir o pixelamento que costuma rolar em legendas.

Na Samsung, a TV ganhou uma rede neural para fazer o processamento e melhoramento de imagens internamente, sem depender de algoritmos. Além disso, o som está cada vez melhor: agora a TV é capaz de seguir o som pela tela por meio de alto-falantes na traseira - fica semelhante ao som que sai de fato da tela, visto em TVs da Sony. Há ainda sistemas inteligentes que detectam se há um equipamento no ambiente fazendo barulho (como um liquidificador) para realçar certos tipos de sons, como falas, pegando a frequência oposta do ruído.

Uma outra tecnologia bacana da Samsung é uma que faz equipamentos "burros" virarem "inteligentes": por meio de infravermelho, novos televisores da empresa poderão interagir com outros equipamentos da casa que não são inteligentes - como ar-condicionado, ventilador e outros. Será possível ligar, desligar, aumentar temperatura, mudar velocidade...

*Os repórter viajaram a convite da Samsung e LG, respectivamente

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