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Um segundo muda tudo! Como equipes da F1 analisam dados em alta velocidade

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt

30/01/2020 04h00

Sabemos que a aerodinâmica e qualidade dos motores dos carros de Fórmula 1 é impecável. Mas não é só mecânica: sabia que, para ganhar alguns décimos de segundo na pista, os veículos da Ferrari, McLaren, Williams e afins empregam muita análise de dados?

Tanto para o desenvolvimento do carro quanto para a tomada de decisões na pista, os dados são fundamentais. Para isso, os carros geram e transmitem informações o tempo todo. Mas essa é só a primeira parte de um processo que envolve pessoas de várias partes do mundo, que trabalham em tempo real e em perfeita sincronia.

Tecnologia por trás do carro da Fórmula 1
Imagem: Guilherme Zamarioli/UOL

Para obter dados, as equipes de Fórmula 1 contam com duas fontes principais: as informações recolhidas de temporadas passadas e as que são geradas pelo carro durante todas as atividades de pista. Os carros são equipados com sensores, que coletam dados sobre diversas variáveis.

Quem os coleta é a ECU (Electronic Control Unit, ou Unidade Eletrônica de Controle), uma espécie de computador instalado em cada carro. Depois transmite tudo para uma central instalada nos boxes de cada equipe. A configuração exata pode variar —o que é tratado como segredo de estado pelas equipes - mas de maneira geral o trabalho envolve um servidor de dados e engenheiros.

Em cada corrida, apenas uma pequena parte dos envolvidos na escuderia coleta e analisa dados, porque as regras da Fórmula 1 limitam o número de analistas que podem estar nos boxes. A maior parte dessas pessoas fica nas fábricas de cada equipe. Lá, além de mais servidores de dados e supercomputadores, há engenheiros que trabalham em tempo real com a equipe de pista.

Comunicação eficiente e sincronia são fundamentais, uma vez que, normalmente, milhares de quilômetros separam as equipes de fábrica daqueles que estão nos autódromos durante um final de semana de corrida.

Vamos dar um exemplo: um piloto se envolve em uma colisão e tem um pedaço da asa dianteira quebrado. Diante do fato, as equipes de fábrica e de pista recebem e analisam os dados do carro para saber se o dano impacta o desempenho.

Paralelamente são realizadas simulações para definir se o melhor a fazer é levar o carro para o box e trocar a peça quebrada por uma nova ou deixá-lo na pista; se há a necessidade de mudança de estratégia para compensar o tempo perdido; e se o piloto precisa fazer algum ajuste para garantir o melhor desempenho. Ah, o mais importante: comunicar tudo isso para uma pessoa que está pilotando um carro a mais de 300 km/h.

É um procedimento complexo que, incrivelmente, é realizado em um tempo inferior ao que você levou para ler a explicação acima. E tudo isso sob a pressão de uma competição acirrada na qual qualquer segundo pode ser a diferença entre vitória e derrota.

Qual é a quantidade de dados gerada por um carro de Fórmula 1?

É um número que varia, mas considerando uma corrida de cerca de duas horas de duração, na qual os carros percorrem por volta de 300 km, é coletado um volume de cerca de 400 GB de dados.

Esses dados servem apenas para definir estratégias?

Não. Com a análise dos dados é possível saber desde aspectos relacionados à pilotagem até o estado de componentes do carro, antevendo uma possível quebra de motor a tempo de tomar ações para evitar a falha. Além disso, com os dados coletados é possível criar modelos completos de desempenho, o que ajuda a visualizar pontos positivos e negativos do carro e dá um norte para que o pessoal de fábrica faça alterações no carro ou criem componentes novos.

Por fim, eles servem de base para a criação de modelos digitais dos carros —que são usados nos simuladores de pilotagem— e também dão parâmetros para a criação e desenvolvimento dos carros que correrão a próxima temporada da categoria.

Como os dados são transmitidos?

Ao "saírem" dos carros, as informações contam com a ajuda de uma infraestrutura instalada nos autódromos para evitar "pontos cegos" de comunicação, além de links de alta velocidade entre boxes e equipes de fábrica. Tudo para que as informações sejam coletadas para análise em tempo real, sem atraso.

Fontes:

Zoe Chilton, chefe de parcerias técnicas da equipe Aston Martin Red Bull Racing de Fórmula 1
Luis Banhara, diretor-geral da Citrix Brasil
Alejandro Couce, vice-presidente da Tibco para a América Latina e Caribe

Toda quinta, Tilt mostra que há tecnologia por trás de (quase) tudo que nos rodeia. Tem dúvida de algum objeto? Mande para a gente que vamos investigar.

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