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Nova moda é mandar SWAT na casa de ricões; chefão do Instagram foi afetado

Trotes envolvendo a SWAT tem tirado sono de executivos da tecnologia - Mario Tama/Getty Images/AFP
Trotes envolvendo a SWAT tem tirado sono de executivos da tecnologia Imagem: Mario Tama/Getty Images/AFP

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

24/01/2020 18h12

Sem tempo, irmão

  • Nova moda nos EUA é mandar SWAT para casa de executivos bilionários
  • Ação ganhou até nome próprio nas redes sociais: "swatting"
  • Chefão do Instagram foi um dos afetados, após trote que rolou no fim de 2019
  • Outros executivos de Facebook e Instagram também passaram por isso

"Swatting". Esta nova gíria acaba de surgir na Internet. Autoexplicativa, quer dizer, basicamente, fazer com que a equipe da SWAT invada a casa de alguém. Em geral, executivos importantes das grandes empresas de tecnologia, segundo o jornal The New York Times.

Para fazer o "swatting", pessoas ligam para e polícia com falsas denúncias de algum tipo de crime violento está acontecendo dentro de uma residência. Dependendo da quantidade de ligações e da gravidade dos relatos, é convocada a famosa SWAT (Special Weapons And Tactics ou "Armas e Táticas Especiais"), a força policial unificada dos Estados Unidos, uma espécie de Bope ou Rota.

Uma das primeiras vítimas do plano foi Adam Mosseri, executivo do Facebook e CEO do Instagram. Em novembro do ano passado, diversos telefonemas para a polícia diziam que reféns estavam sendo mantidos nas duas casas dele, em São Francisco e Nova York. Algumas das ligações pareciam vir de dentro das próprias casas, como se fossem os reféns pedindo socorro.

Rapidamente, policiais fizeram barricadas nas ruas e acionaram a SWAT. Foram horas de tensão. Quando entraram nas casas, surpresa: nenhum sinal de pânico ou de reféns. A polícia percebeu, então, ter sido vítima de uma onda de trotes.

Mosseri foi apenas um dos muitos executivos envolvidos em "swatting" nos últimos meses. Os incidentes são mais comuns em regiões com grande presença de empresas de tecnologias e seus chefões bilionários, como Seattle e a Baía de São Francisco, onde fica o Vale do Silício.

Outro importante funcionário do Facebook, cujo nome não foi revelado, também teve sua casa em Palo Alto, California, cercada pela SWAT em 2019. Diversas ligações para a polícia diziam que ele iria machucar a própria família e se matar. Mais uma vez, nada encontrado.

Mas como são escolhidos os alvos? A resposta é óbvia: em fóruns da Internet. Seja em sites públicos ou na deep web,, são expostos detalhes pessoais de diversos executivos importantes, incluindo telefone, endereço, dados da família e até escola dos filhos.

Os participantes, então, coordenam o ataque e discutem qual tática será utilizada - por exemplo, sistemas que podem clonar um número de telefone para fazer a polícia acreditar que a ligação vem de dentro da casa em questão.

Os ataques muitas vezes visam funcionários do Facebook ou Instagram. Em geral, é uma espécie de vingança, quando os usuários são banidos dessas redes sociais. O "swatting" teria surgido no mundo dos games online, principalmente entre jogadores de Call of Duty, como maneira de aterrorizar seu rival de jogo na vida real.

Mas a brincadeira não é inocente como pode parecer. Chamar uma força policial altamente armada para a casa de alguém é crime nos EUA e pode resultar em fatalidades. No ano passado, Andrew Finch, morador do Kansas, foi baleado e morreu ao abrir a porta de sua casa - o autor das chamadas de emergência foi encontrado e condenado a 20 anos de prisão.

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