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O que fazem os objetos que a Nasa levará na 1ª viagem comercial à Lua

Nasa quer colocar humanos na Lua de novo até 2024 - NASA
Nasa quer colocar humanos na Lua de novo até 2024 Imagem: NASA

Felipe Oliveira

Colaboração para Tilt

23/01/2020 14h19

A Nasa anunciou as cargas que serão levadas à Lua na primeira viagem comercial da agência ao satélite - ou seja, com veículos criados por companhias que a agência selecionou para seu programa. Serão 16 objetos para serem utilizados em experiências científicas e demonstrações de tecnologia que serão lançados a bordo das duas primeiras entregas da iniciativa Commercial Lunar Payload Services (CLPS), em 2021.

O CLPS é um projeto desenvolvido junto ao Programa Artemis, que visa levar a primeira mulher e o próximo homem à Lua até 2024.

As cargas são do tamanho de uma caixa de sapatos e pesam entre 1 kg e 15 kg. Um dos objetos trata-se de um sensor em laser que será capaz de fornecer com precisão os dados durante a descida e pouso na Lua. Além disso, a agência enviará um sistema que irá vasculhar por água e gelo na superfície lunar.

Os objetos serão enviados em dois voos realizados pelas empresas norte-americanas Astrobotic Technology e Intuitive Machines. A Astrobotic lançará a sonda Peregrine com 11 cargas a partir de um foguete da United Launch Alliance, enquanto a Intuitive Machines enviará cinco cargas por meio da sonda Nova-C, que partirá em um foguete SpaceX Falcon 9.

"Esta etapa permite que nossos parceiros comerciais concluam o importante trabalho de integração técnica necessária para transportar as cargas úteis e nos aproxima um passo do lançamento e do desembarque das investigações que nos ajudarão a entender melhor a Lua antes de enviar a primeira mulher e o próximo homem", afirmou, em nota, Chris Culbert, gerente de projetos do CLPS.

Conheça os objetos que serão enviados:

A Nasa enviará vários tipos de objetos para a pesquisa científica. A intenção é colher dados para aprofundar o conhecimento sobre o satélite antes da próxima viagem. Entenda abaixo o que cada um faz:

  • Laser Retro-Reflector Array (LRA): o LRA é uma coleção de oito espelhos de aproximadamente 1,25 cm que serão montados em uma sonda, com o objetivo de refletir a luz de outras naves em órbita e determinar com precisão a sua localização.
  • Navigation Doppler Lidar for Precise Velocity and Range Sensing (NDL): oNDL é composto por um cabeçote óptico que fornece a velocidade e o alcance durante a descida para ter um pouso suave em solo lunar.
  • Surface Exosphere Alterations by Landers (SEAL): esse dispositivo vai avaliar as perturbações químicas e térmicas ocorridas no solo lunar durante um pouso. O estudo dará aos cientistas um entendimento sobre como o pouso de naves espaciais podem afetar a composição das amostras de solo coletadas durante as missões.
  • Photovoltaic Investigation on Lunar Surface (PILS): o PILS é uma plataforma de testes da Estação Espacial Internacional para validar células solares que convertem luz em eletricidade. Essa tecnologia demonstrará a possibilidade de uso avançado de alta tensão fotovoltaica para matrizes solares na superfície lunar, que será útil para missões de longa duração.
  • Linear Energy Transfer Spectrometer (LETS): esse sensor coletará informações sobre a radiação lunar.
  • Near-Infrared Volatile Spectrometer System (NIRVSS): o sistema medirá a hidratação da superfície e do subsolo, dióxido de carbono e metano na superfície lunar, além de mapear as mudanças de temperatura ocorridas no local durante o pouso.
  • Mass Spectrometer Observing Lunar Operations (MSolo): pode ser instalado para medir a exosfera lunar e a contaminação causada por naves espaciais.
  • PROSPECT Ion-Trap Mass Spectrometer (PITMS) for Lunar Surface Volatiles: o PITMS identificará as características da exosfera lunar após descida e pouso.
  • Neutron Spectrometer System (NSS): sistema que irá vasculhar indicações de gelo e água na superfície lunar, medindo, ainda, a quantidade de materiais contendo hidrogênio que serão localizados perto ao local de pouso.
  • Neutron Measurements at the Lunar Surface (NMLS): o NMLS usará um espectrômetro de nêutrons para determinar a quantidade de radiação de nêutrons na superfície da Lua, além de observar e detectar a presença de água ou outros elementos raros.
  • Fluxgate Magnetometer (MAG): caracterizará certos campos magnéticos para melhorar a compreensão das vias de energia e partículas na superfície lunar.
  • Lunar Node 1 Navigation Demonstrator (LN-1): é um experimento do tamanho de CubeSat (um satélite miniaturizado de cerca de 1,3 kg) que demonstrará navegação autônoma para apoiar futuras operações de superfície e orbitais.
  • Stereo Cameras for Lunar Plume-Surface Studies (SCALPSS): esse objeto vai capturar imagens e dados em vídeo da pluma do aterrissador quando ela começar a impactar a superfície lunar. Os dados, segundo a Nasa, serão essenciais para os projetos de futuros veículos que serão enviados a Marte.
  • Observações de Rádio de Baixa Frequência para a Superfície Lunar do Lado Próximo (ROLSES): utilizará um sistema receptor de rádio de baixa frequência para determinar a densidade da bainha de fotoelétrons e a altura da escala. Essas medidas auxiliarão futuras missões de exploração, demonstrando se haverá um efeito na resposta da antena ou em observatórios de rádio lunares maiores com antenas na superfície lunar.

Programa Artemis

O Artemis, desenvolvido pela Nasa em parceria com empresas de voo espacial comercial norte-americanas e parceiros internacionais, tem como objetivo enviar a primeira mulher e o próximo homem à superfície da Lua até 2024. De acordo com a agência espacial norte-americana, esse programa é o primeiro passo para estabelecer uma presença sustentável na Lua. A ideia é utilizar "o que aprendemos na Lua e ao redor dela para dar o próximo salto gigante - enviar astronautas para Marte".

O CLPS possui 14 empresas contratadas pela Nasa que tem como objetivo oferecer experiências científicas na superfície lunar. Com o projeto, a Nasa prevê avanços em pousos e veículos espaciais que auxiliarão nos estudos para missões lunares a partir de 2024.

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