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Após polêmica, dona de vibrador premiado volta à CES: 'orgasmo faz bem'

Lora Haddock, CEO da Lora Dicarlo, empresa especializada em tecnologia sexual - Reprodução/Lora Dicarlo
Lora Haddock, CEO da Lora Dicarlo, empresa especializada em tecnologia sexual Imagem: Reprodução/Lora Dicarlo

Gabriel Francisco Ribeiro*

De Tilt, em Las Vegas (EUA)

06/01/2020 10h32

Sem tempo, irmão

  • A maior feira de tecnologia do mundo foi acusada de machismo na última edição
  • Ficou feio quando a organização retirou o prêmio de inovação dado um vibrador...
  • Tentaram dizer que se tratava de um produto sem muita tecnologia envolvida
  • Mas, após críticas, voltou atrás. Agora, na CES 2020, a empresa por trás dele quer mais
  • Já recebeu outros dois prêmios e promete mais novidades na área de tecnologia sexual

O vibrador mais tecnológico — e polêmico — dos últimos tempos está de volta à CES 2020 (Consumer Electronics Show), para, quem sabe, ficar. Responsável por manchetes e acusações de machismo contra os organizadores da edição 2019 da maior feira de tecnologia do mundo, o brinquedo sexual quer marcar território neste ano.

O aparelho, na verdade, não é um brinquedo sexual. Isso, pelo menos, é o que a Lora Dicarlo, empresa por trás dele, defende, já no panfleto distribuído a jornalistas: "isto não é um brinquedo sexual. É uma tecnologia sexual".

As palavras são uma clara referência ao que ocorreu no ano passado. Em 2019, o vibrador Osé levou um prêmio de inovação concedido pela CES. A honraria foi retirada depois porque o produto é, no fim das contas, um vibrador. Muitas críticas e alguns meses depois, os organizadores acabaram devolvendo a premiação. Tudo isso faz a fundadora e CEO da empresa comemorar estar de volta.

"É bem incrível. Especialmente por termos recebido mais dois prêmios neste ano. Me sinto muito bem. Sinto que é correto, que a CTA [organizadores da CES] entende a importância da sexualidade, que a sexualidade pode ajudar a inovação. Sinto-me bem em estar aqui, sinto-me validada", afirmou Lora Haddock a Tilt.

Lora era uma das mais assediadas — no bom sentido — por jornalistas na noite do último domingo (5), durante o CES Unveiled — evento em que, antes da abertura da feira, algumas empresas exibem produtos que demonstrarão ao longo da semana. Com seu cachorro por perto, Lora esbanjou sorrisos e risadas. Parecia, de fato, a dona da noite na CES. E avisou: seu produto não é limitado a paredes e lojas escondidas.

Nós queremos estar em vários lugares, ser 'main stream'. Não só em partes de tecnologia sexual. É sobre saúde sexual, é sobre saúde em geral. Orgasmos fazem bem para você. São bons para seu sono, bons para seu estresse, bons para sua qualidade de vida. Fingir que não é colocar uma venda nos olhos
Lora Haddock, CEO da Lora Dicarlo

Voltou para ficar?

A organização da CES permitiu a participação de produtos sexuais na edição de 2020 desde que estivessem na fase de testes. Para Lora, contudo, a sua empresa veio para ficar nos próximos anos, com novas inovações ainda a caminho.

"Espero que estejamos aqui para ficar. Estou cautelosamente otimista. Espero que as coisas ocorram bem neste ano. Nós criamos produtos bonitos, inovadores e se continuarmos nesse caminho estamos bem, o show é sobre inovação", justifica.

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Vibradores Onda e Osé foram desenvolvidos pela empresa Lora Dicarlo, que recebeu prêmios de inovação na maior feira de tecnologia do mundo
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/Tilt

Menos combativa contra a organização da feira do que no ano passado, a executiva afirma que até entende o motivo de todo o cuidado para a entrada de produtos sexuais na maior feira de tecnologia do mundo. Para ela, existem limites no setor que devem ser respeitados.

"Eu acho que estão observando com cuidado, e isso dá para entender. São cautelosos com o que você pode mostrar e propagandear. Entendo que, enquanto serve com fins educacionais, você pode fazer propagandas, pode vender. Quando começa a entrar no espaço de objetificar corpos humanos, aí é quando deve ter cautela", aponta.

Muita tecnologia, sim senhor

Os produtos criados pela Lora Dicarlo são uma maravilha não só para o corpo feminino, mas também do ponto de vista tecnológico. O Osé, produto vencedor do prêmio no ano passado, é um massageador robótico que visa oferecer orgasmos, atingindo tanto o ponto G quanto o clitóris da mulher.

O objeto tem como principal destaque imitar o toque humano, tendo um corpo flexível e controles customizáveis. Segundo Lora, toda a tecnologia é criada pela própria empresa.

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Vibradores tecnológicos criados pela Lora Dicarlo, empresa premiada por inovação pela organização da CES em 2019.
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/Tilt

"Temos um laboratório onde desenvolvemos isso. Conversamos sobre isso, imprimimos, tentamos e fazemos de novo. Os produtos que fazemos são muito tecnológicos, estamos criando microrobôs que são minúsculos. Ser capaz de criar microrobôs do tamanho de uma mão leva muita engenhosidade", diz.

Depois do primeiro produto, a empresa fez uma pesquisa de campo para saber do que as mulheres gostam e que tipo de movimentos elas mais apreciam. Esses dados geraram os dois novos aparelhos, que também receberam prêmios: o Onda e o Baci.

O primeiro usa robótica em escala micro para imitar a sensação de dedos no ponto G feminino. Ele tem uma forma feita para seguir as curvas do corpo.

Já o Baci vai ainda mais longe. Foi desenhado para imitar o toque de lábios e língua no clitóris por meio de microrobôs e a circulação de ar. Os dois aparelhos são à prova d'água e recarregáveis.

A Lora Dicarlo promete não parar por aí e já vislumbra novos vibradores para o segundo semestre deste ano, mostrando que nunca é demais inovar nos prazeres sexuais. Melhor aceitar que dói menos, CES.

*O repórter viajou a convite da LG

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