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Acusada de camuflar lucros, Amazon divulga pela 1ª vez o valor dos impostos

Pacotes de produtos processados pela Amazon; empresa já usa máquinas para substituir pessoas na hora de embrulhar vendas. - Rick T. Wilking/AFP
Pacotes de produtos processados pela Amazon; empresa já usa máquinas para substituir pessoas na hora de embrulhar vendas. Imagem: Rick T. Wilking/AFP

Da agência RFI

19/12/2019 12h24

A gigante da distribuição online Amazon anunciou ontem ter pago mais de 250 milhões de euros em impostos na França em 2018 e ter realizado um volume de negócios de 4,5 bilhões de euros. Como Google, Apple e Facebook, a empresa é frequentemente acusada de camuflar esses números para reduzir o montante que deve repassar ao Estado, mas resolveu tornar públicas essas informações pela primeira vez.

Segundo o diretor geral da Amazon na França, Frédéric Duval, o objetivo é acabar com as polêmicas em torno da gigante. "A contribuição da Amazon aos financiamentos dos serviços públicos e do modelo social francês é de milhões de euros a cada ano", afirma o comunicado da empresa.

Em entrevista à FranceInfo, Duval indicou que o objetivo era "mostrar um esclarecimento mais concreto" por parte da gigante, precisando que "não há nenhuma outra razão em particular". "Eu sabia que havia dúvidas sobre nosso impacto econômico e a quantidade de impostos que a Amazon paga na França".

O anúncio ocorre em um momento em que Paris tenta colocar um fim às práticas fiscais controversas de multinacionais do setor digital. No final do ano passado, o Executivo francês votou uma taxa para as gigantes do Gafa (Google, Amazon, Facebook e Apple), que entrou em vigor neste ano. O ex-secretário francês do setor digital, Mounir Mahjoubi, revelou recentemente que essas empresas americanas declararam no ano passado na França um volume de negócios quatro vezes inferior ao verdadeiro, resultando em cerca de 1 bilhão de euros a menos ao fisco.

A Amazon informou que emprega 9.300 pessoas e conta com mais de 20 sites logísticos no país. "A França é essencial à Amazon", reitera o comunicado, lembrando que a gigante investiu "mais de 6,8 bilhões de euros em atividades francesas em 2010". Por isso, Duval acredita que a melhor solução seria "seguir o quadro do regulamento internacional estabelecido pela OCDE", a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Organização contesta números divulgados

A organização francesa Attac (Associação para a Taxação das Transações Financeiras e pela Ação Cidadã) criticou o balanço divulgado pela Amazon. "A empresa se recusa a apresentar os lucros realizados na França, então não podemos calcular os impostos", diz o porta-voz da Attac, Raphael Pradeau.

Segundo ele, "as declarações da Amazon não respondem ao que mostramos, ou seja, que grande parte do volume de negócios, 57%, é dissimulado em paraísos fiscais". Essa atitude contribui para degradar o modelo social francês, prejudicando as finanças públicas.

"O que esperamos não é que as empresas se façam de boazinhas fazendo seus próprios cálculos, mas que a União Europeia instaure a apresentação pública desses números para obrigar as multinacionais a serem transparentes, declarando suas atividades reais em cada país", conclui Pradeau.

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