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Por que é mais difícil e caro achar carro em apps como Uber no fim do ano?

Fim de ano é época de reclamações sobre dificuldade para pedir carros em apps - iStock/Getty
Fim de ano é época de reclamações sobre dificuldade para pedir carros em apps Imagem: iStock/Getty

Gabriel Francisco Ribeiro

De Tilt. em São Paulo

17/12/2019 04h00

Sem tempo, irmão

  • Fim de ano tem reclamações contra apps por causa de demora e corridas mais caras
  • Empresas dizem que não houve nenhuma anormalidade ou mudança no algoritmo
  • Apps justificam reclamações por demanda e sazonalidade do fim de ano
  • Trânsito maior também pode contribuir para que haja mais demora em achar motorista

Todo fim de ano rola uma história parecida: pessoas reclamando que aplicativos como Uber, 99 e Cabify estão levando mais tempo para encontrar corridas ou que carros estão demorando para chegar. Além disso, há também a reclamação de que as viagens estão mais caras. Afinal, teve alguma mudança nas últimas semanas nos aplicativos?

Na verdade, não. O que os consumidores estão sentindo é velha lei da oferta e demanda do capitalismo, além de outros fatores propícios para a época do ano.

Tilt apurou com empresas líderes do setor que não há nenhuma anormalidade notada nas últimas semanas e que não houve nenhuma mudança no algoritmo. A diferença está, mesmo, no hábito de fim de ano.

Nesta época, existem mais confraternizações, festas, movimentações de pessoas entre comércios para comprar presentes e afins. Isso provoca uma demanda maior de carros por aplicativos, o que reflete no consumidor.

Além disso, empresas também lembram que pode ser que haja mais trânsito na época, principalmente em regiões movimentadas por centros comerciais. Outro fator a ser levado em conta são as tradicionais chuvas de verão que começam a se intensificar nessa época e se adicionam aos fatores já citados —piorando o trânsito, por exemplo.

Existe, ainda, mais um elemento. A Cabify, por exemplo, apontou que nesta época do ano "é comum que alguns motoristas parceiros também entrem em recesso, já que muitos usam a plataforma como fonte de renda extra". Ou seja, isso pode acarretar em ainda menos motoristas na rua.

Nessas horas, aplicativos como Uber, 99 e Cabify exercem a chamada "tarifa dinâmica". Ou seja: o preço que você paga pela corrida é de acordo não só com o número de carros disponíveis no aplicativo no momento, mas também do número de pedidos na sua região. Uma lei de oferta e demanda feita por algoritmos.

Mas há diferenciais entre os aplicativos. Em seus primeiros anos no Brasil, a Uber mostrava se a corrida solicitada teria incidência de tarifa dinâmica por meio de um número na tela do aplicativo, como "valor 1.7x maior" e afins. Mas, já faz tempo que a empresa parou de oferecer essa informação para o consumidor —o usuário só sabe que está mais caro se é um trajeto que costuma fazer com frequência.

Já a 99 informa no momento em que o usuário informa o endereço de destino se há tarifa dinâmica. Ao selecionar a modalidade escolhida, logo abaixo do preço haverá um número pequeno com a tarifa dinâmica, como por exemplo "1,5x". A Cabify também informa a tarifa dinâmica antes da corrida: se o usuário clicar em "mais info" próximo ao preço previsto da viagem, terá a tarifa detalhada, incluindo o termo "alta procura".

Algumas empresas também trabalham para lidar com essa sazonalidade de fim de ano. A 99, por exemplo, afirmou ao Tilt que trabalha com "campanhas para equilibrar oferta e demanda, para que motoristas estejam disponíveis onde há maior concentração de passageiros".

Em sazonalidades como o fim de ano, onde ocorre maior número de solicitações, a plataforma busca atrair ainda mais motoristas parceiros, reduzindo o tempo de espera
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Da próxima vez que for pedir corrida no fim de ano, o jeito é solicitar com mais antecedência —ou já deixar o transporte público como uma opção viável se não curtir o preço praticado nos apps.

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