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Celular dobrável chegou com tudo em 2019, mas será que substituirá o seu?

Galaxy Fold, o primeiro dobrável criado por uma gigante da tecnologia - no caso, a Samsung - Reprodução
Galaxy Fold, o primeiro dobrável criado por uma gigante da tecnologia - no caso, a Samsung Imagem: Reprodução

Rodrigo Trindade

De Tilt, em São Paulo

16/12/2019 04h00

Sem tempo, irmão

  • Motorola, Huawei e Samsung apresentaram seus primeiros celulares dobráveis em 2019
  • Os lançados neste ano sofreram atrasos por problemas técnicos na dobra e tela
  • Para analistas, produtos chegaram para ficar, mas devem ocupar apenas um nicho
  • Preço altíssimo é entrave para popularização e demorará anos para diminuir

Este ano não foi dos melhores para as fabricantes de smartphones, já que este mercado tão forte nos últimos anos desacelerou. Pessoas estão trocando menos de celular, em parte porque os novos modelos, mesmo os mais avançados, não trazem tanto de novo em relação aos aparelhos antigos.

Diante deste cenário, Samsung, Huawei e Motorola inauguraram, em 2019, uma nova categoria de smartphone: o dobrável. O Galaxy Fold, apresentado em fevereiro, em conjunto com a linha Galaxy S10, foi o primeiro produto do tipo anunciado, uma semana antes do Mate X, da Huawei.

Custando US$ 1.980, ele tinha previsão de chegar às lojas em abril, mas após problemas com os celulares que foram para a imprensa, o lançamento foi adiado. O Mate X, por outro lado, era esperado para junho, porém teve sua chegada postergada — e mais de uma vez.

Para Roberta Cozza, analista sênior da consultoria Gartner, a pressa de Samsung e Huawei tem um motivo: um mercado sedento por inovação.

Os dispositivos dobráveis trazem grandes promessas no que diz respeito a apresentar algo realmente novo aos usuários", avalia. "Algumas empresas queriam mostrar o que era possível para ajudar suas marcas e status como líderes de tecnologia. Os produtos, no entanto, não estavam 100% prontos, pois ainda são de produção difícil
Roberta Cozza

O Galaxy Fold foi finalmente lançado no início de setembro, mas em um número seleto de mercados. Ele "inaugurou uma nova era no mundo dos dispositivos móveis", de acordo com Renato Citrini, gerente sênior de produtos da divisão de dispositivos móveis da Samsung Brasil.

Em seu primeiro aparelho do tipo, a empresa sul-coreana combinou recursos de celulares e tablets, com uma tela externa de 4,6 polegadas (11,6 cm) e a interna de 7,3 polegadas (18,5 cm). "Conforme os smartphones concentram diversas novas tarefas cotidianas, tornou-se cada vez mais importante ter uma tela maior, que reproduzisse confortavelmente o que consumimos", explica Citrini.

No meio de novembro, foi a vez do Mate X chegar. A proposta dele é parecida com a do Galaxy Fold, mas a tela é uma só, dividida pela metade quando o celular é dobrado. Aberta, ela tem oito polegadas (20,3 cm); dobrada, ela fica com 6,6 polegadas (16,7 cm) de um lado e 6,3 polegadas (16 cm) do outro. Fora a experiência de tablet em um smartphone, a Huawei considera este novo produto como simbólico.

"O desenvolvimento de novas tecnologias [como as telas dobráveis] impulsiona não somente os dispositivos top de linha, mas também influenciam todos os demais produtos que a Huawei desenvolve e produz", diz Daniel Dias, gerente sênior de desenvolvimento de negócios da Huawei Brasil.

O lançamento do Mate X foi mais restrito que o do Galaxy Fold, se limitando à China. Ele também veio a um preço maior que o do celular da Samsung, custando lá fora o equivalente a US$ 2.400 (R$ 10,3 mil, na cotação atual). Em comum, os dois não têm previsão de vinda para o mercado brasileiro, embora a Samsung diga que há espaço para seu modelo no Brasil.

A Motorola, por outro lado, trará seu novo Razr ao Brasil já em janeiro. Apresentado em novembro, com preço sugerido de US$ 1.499 (R$ 6,4 mil na cotação atual), a nova versão do saudoso V3 não pretende fundir tablet e celular em um só produto.

José Cardoso, presidente da Motorola Brasil, conta que a empresa trabalhou em 20 protótipos do smartphone dobrável e concluiu que o ideal era um aparelho que, quando fechado, seja realmente compacto e caiba no bolso, mas, quando aberto, entregue uma tela de 6,2 polegadas (15,7 cm), adequada ao que virou padrão na indústria.

"O novo Motorola Razr será fabricado no Brasil, reforçando o compromisso da empresa com o mercado nacional. E vejo também um grande potencial de mercado", aposta Cardoso. "Além da inovação e do design único, ele fala diretamente com os consumidores que sonhavam com a volta do V3. É elegante e aspiracional, além de despertar o interesse dos 'early adopters' [interessados em tecnologia de ponta]", diz.

Problemas e potencial

Entre as duas telas do Galaxy Fold, a tela única do Mate X e a portabilidade do Razr, todos os modelos dobráveis têm em comum um preço bem maior do que o dos smartphones comuns mais caros do mercado. Como acontece com qualquer nova tecnologia, os valores devem reduzir com o tempo, mas não espere preço de intermediário nos próximos cinco anos.

"Nossas previsões para esse tipo de celular indicam que ele seguirá sendo um produto premium, mas acreditamos que o preço vai diminuir", projeta Tina Lu, analista sênior da consultoria Counterpoint Research. "Não vai acontecer no ano que vem, vai demorar até pelo menos 2021, no melhor caso. Não acreditamos que será para o grande público, continuará sendo um produto premium, mas os preços irão baixar para a casa de US$ 1.000."

A faixa de preço sugerida por Lu é compatível com os modelos top de linha atuais, como o iPhone 11 Pro e o Galaxy Note 10+. Cozza, do Gartner, também avalia que o custo dos dobráveis permanecerá alto, ainda que fiquem mais baratos daqui alguns anos.

Não vai ter jeito: quem quiser um celular flexível terá que pagar caro e ainda estará sujeito aos problemas que aparelhos inovadores trazem. Cozza tem dúvidas sobre qual será o benefício de ter um aparelho desses.

"As questões são a experiência do usuário e o preço; quanta conveniência inovação eles entregam em comparação a um smartphone premium comum?", questiona.

A perspectiva para as duas analistas é que os smartphones dobráveis atendam nichos de usuários durante os próximos cinco anos, sem reaquecer o mercado, apesar do fator inovação destes dispositivos ser enorme. A baixa disponibilidade de unidades, a complexidade de fabricação e o preço vão dificultar que a maioria das pessoas compre um aparelho desses. O dobrável ainda precisa mostrar que diferença uma tela maior trará na experiência.

Nesse sentido, o Razr leva vantagem, já que sua usabilidade no formato aberto é praticamente igual à dos smartphones que nos acostumamos a usar nesta década. Para Lu, no entanto, o novo celular da Motorola terá pouco apelo global, atraindo atenção nos Estados Unidos e América Latina, onde a nostalgia pelo antigo Razr é maior. A Counterpoint Research considera o formato de Mate X e Galaxy Fold com mais apelo geral.

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